LOGINDiogoParte 3 - A Promessa Que Selamos no AltoAquelas palavras escolhidas e a forma como ela respirou me dizia que eu precisaria de ficar preparado para o que viria.- O tipo de relação que eu e o Gustavo temos, não é compreendida pela maioria das pessoas. - Disse Larissa, finalmente, a voz mais firme agora, como se tivesse decidido não esconder mais nada. - Vivemos como um casal normal, mas temos alguns momentos em que me entrego totalmente a ele, em amor e confiança. De olhos vendados e pulsos amarrados, se é que me entende.Fiquei em silêncio por um longo momento, absorvendo tudo aquilo, sentindo a confiança em que ela teve em se abrir, mesmo com poucas palavras a tudo que aquilo representava.- A gente tem uma dinâmica diferente. - Começou ela, escolhendo as palavras com cuidado, um leve rubor subindo pelo rosto. - Ele gosta de assumir o controle em certos momentos. Eu gosto de entregar esse controle a ele. Mas isso não é tudo que a gente é, Diogo.Continuei calado, prestando ate
DiogoParte 2 — Tudo Que Ela GuardavaLarissa desviou o olhar, os dedos brincando nervosos com a barra do vestido, tentando desconversar.— Não precisa se preocupar comigo, Diogo. — Disse, forçando um sorriso pequeno. — Está tudo bem.— Larissa. — Chamei, gentil, mas firme, segurando o rosto dela com cuidado para que me olhasse. — Eu sou seu amigo. Seu melhor amigo, na verdade, desde muito antes de qualquer coisa complicar tudo entre nós.Ela ficou em silêncio, os olhos já marejados, o corpo todo tenso como se estivesse prestes a fugir dali.— Eu preciso entender tudo que se passa. — Continuei, a voz suave. — Pra saber se eu realmente posso confiar nesse homem que está com você. Que é pai de coração do Rafael junto comigo. Que divide a vida inteira com a mulher que eu mais amo nesse mundo, depois do Felipe e do meu filho.Uma lágrima escapou, e ela não tentou secá-la.— Foi difícil no começo, Diogo. — Começou, a voz tremendo. — Muito mais difícil do que eu deixei transparecer pra qual
LarissaParte 1 — O Convite Que Vinha de LongeDepois da festa de Rafael, os dias em Serra ganharam um ritmo diferente — mais corrido, mais carregado de despedidas provisórias.A casa dos pais de Diogo virou um turbilhão de malas abertas e documentos que Diogo precisava juntar para poder dar entrada no requerimento de transferência para a faculdade de Viçosa. Lídia insistia em oferecer seu café a cada visita, como se aquilo pudesse tornar a despedida menos dolorosa.Diogo e Felipe passaram a semana inteira organizando tudo para voltar a Curitiba — as malas, os documentos, as conversas pendentes com o hospital e a faculdade, tudo precisando ser resolvido antes que pudessem finalmente se mudar de vez para cá, como havíamos combinado logo depois que Diogo descobriu que era pai de Rafael.Felipe já havia adiantado conversas com o pai e o hospital, diogo já havia feito contato com a coordenação do seu curso na faculdade, buscando transferência para Viçosa, eles passaram os dias organizando
DiogoParte 3 — O Que os Olhos Não Contam SozinhosAgora, sem todo o peso do passado pairando sobre cada conversa, tudo parecia mais leve — as verdades ditas, os perdões concedidos, cada fio solto finalmente amarrado.Olhei ao redor, para aquele jardim cheio de gente que se tornara família de formas que eu jamais poderia ter imaginado alguns anos atrás, e senti uma gratidão profunda tomar conta do peito.Felipe e eu nos afastamos um pouco do grupo, caminhando devagar pelo jardim, admirando a grandiosidade daquela propriedade — as árvores centenárias, a piscina que brilhava azul ao fundo, a casa imponente erguida com bom gosto, exagerado para Serra, mas linda.— Esse lugar é incrível. — Comentou Felipe, seguindo meu olhar. — Gustavo e Larissa vivem bem.— Vivem mesmo. — Concordei, observando os dois de longe, Gustavo ajudando Larissa com as crianças no tapete de brincadeiras, sempre atento, sempre próximo.Fiquei em silêncio por um instante, uma preocupação antiga voltando à tona, e de
DiogoParte 2 — Os Passos Que FaltavamFicamos ali, formando uma pequena roda de conversa, quando Pedro e Luiza se aproximaram, ainda com pratinhos de doce na mão.--- Ouvimos gritaria daqui. --- Disse Pedro, sorrindo. --- O que aconteceu?--- O Rafael falou "papa" pela primeira vez. --- Contou Felipe, orgulhoso, como se fosse ele mesmo o pai biológico anunciando a novidade.--- Que lindo! --- Exclamou Luiza, levando a mão ao peito. --- Esses marcos são tão especiais.Fabrício se aproximou também, com Carlos alguns passos atrás dele, os dois evitando se olhar diretamente com aquela discrição que só entregava ainda mais o segredo que tentavam guardar.--- Perdi alguma coisa importante? --- Perguntou Fabrício, curioso.--- Perdeu a primeira palavra do seu sobrinho. --- Respondi, rindo, ainda com Rafael no colo.Foi então que Carina, Tatiana e Carlos se aproximaram juntos, os três com aquele entusiasmo típico de quem tinha um plano na cabeça.--- Gustavo, podemos pegar aquela caixa de so
DiogoParte 1 — A Palavra Que Mudou TudoChegamos à festa de Rafael no sábado seguinte ao nosso casamento, o carro ainda cheirando ao perfume das flores que Felipe insistiu em comprar no caminho para darmos a Larissa.--- Você acha que ele vai gostar do presente? --- Perguntou Felipe, sobre a caixa embrulhada no banco de trás onde ele estava com Júlia no bebê conforto.--- Ele tem um ano, Felipe. --- Ri, estacionando em frente ao portão. --- Ele vai gostar mais do papel de embrulho do que do que tem dentro.Meus pais chegaram logo atrás de nós, Lídia já carregando uma sacola cheia de presentes, Olavo estacionando com aquele cuidado exagerado que ele sempre tinha em qualquer lugar novo.Fabrício também havia ficado em Serra para o aniversário do "sobrinho" --- assim que ele mesmo gostava de chamar Rafael, mesmo sem nenhum laço de sangue entre os dois --- e eu sabia, mesmo sem ele precisar dizer nada, que havia mais um motivo para ele não ter voltado ainda para casa.Carlos, que fazia f







