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CAPÍTULO 5

Author: Iin Dwi Z
last update publish date: 2026-11-01 20:32:45

— Não fales assim, Elena. Afinal, Bella é tua irmã mais velha. Tens de continuar a respeitá-la.

— Pff, é apenas meia-irmã por parte da mãe! Tenho vergonha de ter uma irmã como ela. A mãe esqueceu-se de que, quando andávamos na escola, ela nos envergonhou por quase não ter conseguido concluir os estudos? E o mais absurdo é que ainda pediu para casar com Álvaro. É uma loucura, não é?

Permaneci em silêncio, a ouvir a conversa entre mãe e filha. Foi então que descobri um facto: aquela mulher de meia-idade chamada Mira era a madrasta de Bella, e Elena era a sua meia-irmã mais nova. Não admira que o olhar dela para Bella não fosse nada sincero.

— Não sejas assim. Afinal, ela também é filha da mãe, e a mãe continua orgulhosa de Bella. Quanto ao casamento com Álvaro, vou falar sobre isso com o pai dele. Espero conseguir casar-te com Álvaro — disse ela, olhando na minha direção. — Ainda queres casar com Álvaro, não é, Bella?

Fiquei em silêncio, sem saber o que responder. Também não sabia como era Álvaro. Será que também era um homem gordo, ou...?

Ah, não queria voltar a pensar em nenhum homem.

Já tinha sido estúpida por causa de um homem uma vez e não voltaria a cometer o mesmo erro, mesmo que agora estivesse no corpo de Bella.

Mira aproximou-se e acariciou-me suavemente o cabelo. No entanto, ainda conseguia ver que os cantos dos seus lábios estavam ligeiramente voltados para baixo. Era evidente que aquele gesto não era sincero. Ou talvez estivesse a planear alguma coisa? Não sabia, mas uma coisa era certa: não devia confiar naquelas duas pessoas.

— Não tenhas medo. Mesmo que Álvaro pareça não gostar de ti, ele está destinado a ser teu marido. Foram prometidos um ao outro desde pequenos, por isso a mãe tem a certeza de que vais acabar por casar com ele.

Continuei em silêncio e optei por acenar lentamente com a cabeça.

Não gosta de mim? Então, porque é que temos de forçar este casamento se ele não gosta de mim?

Fechei os olhos, fingindo que estava a dormir. Já estava farta de tanta hipocrisia.

Felizmente, elas não insistiram no assunto e pensaram que eu ainda estava doente.

Até que, de repente, a porta do quarto se abriu. Isso fez-me abrir novamente os olhos, sobretudo quando Elena exclamou alegremente:

— Varo! Chegaste!

O meu olhar fixou-se imediatamente no homem que estava de pé diante de mim, com uma postura imponente. Tinha um corpo robusto, o rosto parecia frio e a linha do maxilar era bem definida.

Bonito. Sim, admito que era bonito. Não admira que Bella gostasse dele.

Mas, mesmo assim, de que adiantava ficarem juntos se não existia amor entre ambos? Ah... Eu e David amávamo-nos, mas, afinal, tudo não passava de uma mentira, até que acabei por perder tudo.

— Elena, não faças isso. Ele é o futuro marido da tua irmã — exclamou Mira, puxando a mão da filha quando Elena tentou aproximar-se daquele homem.

Aquele homem nem sequer olhou para Elena. Em vez disso, dirigiu o olhar para Bella, mas os seus olhos transmitiam uma frieza impressionante.

— Mãe, até o Álvaro parece não gostar de Bella. Porque é que continuas a insistir neste casamento? Porque não me prometes a mim a ele? — sussurrou Elena baixinho, mas ainda consegui ouvi-la.

Ah, então aquela meia-irmã gostava do futuro marido da irmã mais velha? Situações como aquela costumavam ser o início de uma traição. Cunhado e cunhada... Será que acabariam por se envolver? Ou Elena tentaria roubar o marido da própria irmã? Seria realmente irónico se isso acontecesse.

— Pronto, vamos sair. Deixa Álvaro conversar com Bella — disse Mira.

Depois, olhou para mim por um instante, com um sorriso discreto, antes de voltar a olhar para Álvaro.

— Varo, toma conta de Bella, está bem? A tia vai lá abaixo primeiro.

Álvaro limitou-se a acenar com a cabeça, sem sequer olhar para Mira.

Que falta de educação! Dava-me vontade de lhe atirar uma sandália à cabeça. Pela expressão do seu rosto, parecia-me ainda bastante jovem, talvez tivesse cerca de trinta e cinco anos, ou nem sequer tivesse chegado aos quarenta. Quanto a mim, na minha vida anterior, já tinha quarenta anos.

— Estás satisfeita por teres criado todo este drama? — perguntou finalmente aquele homem, com a voz rouca e um olhar penetrante, assim que ficámos sozinhos na sala de tratamento.

— É por isso que não gosto de ti, Bella. Não só és gorda e burra, como também adoras chamar a atenção! Atiraste-te de propósito para a piscina, não foi? Fizeste isso de propósito para que o avô se zangasse comigo, não foi?

Continuei em silêncio porque, sinceramente, não fazia ideia do que ele estava a falar.

E eu pensava que ele era uma pessoa calada, mas afinal, quando começava a falar, não parava e era extremamente rude.

— Amo outra mulher! Levei-a à tua festa de aniversário para que ficasses a saber e pedisses ao avô para cancelar este maldito casamento arranjado! Mas, em vez disso, fingiste que querias suicidar-te. Não tens mesmo cérebro, Bella!

Cerrei os punhos com força ao ouvir aquelas palavras. Soltei lentamente o ar dos pulmões e depois olhei diretamente para ele, com um olhar penetrante.

— Porque não és tu a pedir para cancelar o noivado, se já tens uma mulher que amas?

— Atreves-te a responder-me, Bella?! — gritou ele.

Soltei uma gargalhada sarcástica ao ouvi-lo.

— Ora, porque não? Foste tu que fizeste a pergunta, não foste? É claro que vou responder. Qual é o problema?

Álvaro ficou em silêncio. Depois, aproximou-se de mim, com um sorriso cínico nos lábios.

— Desta vez, o que estás a planear, Bella? O que mais?!

— Não estou a planear nada. Se realmente não queres este casamento arranjado, está bem. Vamos cancelá-lo. Problema resolvido, não é?

Vi os seus olhos arregalarem-se de incredulidade.

O que esperava ele que eu fizesse? Que implorasse? Que pedisse desculpa e suplicasse para que aquele casamento arranjado se concretizasse?

Oh, isso nunca iria acontecer. Eu era Amora, não aquela Bella que todos diziam ser estúpida.

Tinha recebido uma segunda oportunidade na vida, por isso iria mudar tudo. Não permitiria que Bella continuasse a ser tão estúpida como eu tinha sido antigamente.

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