LOGINSempre gostei de aviões, mesmo antes de ter dinheiro suficiente pra poder utilizá-los com a freqüência que hoje posso, mas viajar para o Rio de Janeiro era algo que realmente nunca entrava nos meus planos. Já fui pra Europa, já fui nos Estados Unidos e até para outros lugares do Brasil, e o fiz mais de uma vez, mas aquele destino era a primeira vez que o fazia, ao menos a passeio e principalmente sozinha.
Vôo rápido, graças a Deus, e tudo estava correndo bem, por sorte. Cheguei no aeroporto carioca já olhando ao redor com outros olhos, pois ali mesmo parecia que a energia do lugar já era outra. Como explicar? Não sei, talvez fosse apenas impressão minha, até porque comecei a sentir isso antes mesmo de sair do ambiente fechado. Como haviam algumas bagagens, preferi pegar um daqueles táxis que já ficam à espera mesmo sabendo a facada financeira que isso seria, mas que não seria um problema pra mim, além do sentimento de acharem que estão sendo espertos às minhas custas quando, na verdade, era a minha preguiça quem estava falando mais alto. O caminho por onde passamos era realmente digno de um cartão postal de tão bonito que era e isso encheu meu coração de esperança. Será que minhas férias seriam realmente tudo aquilo que eu estava precisando? Não sabia, só sabia que meu pressentimento continuava latente dentro do peito e meu único desejo era: Socorro Deus. – Dona Letícia? Me perguntou o porteiro, um senhor aparentemente simpático, que vinha até o portão enquanto, ainda do lado de fora, o motorista retirava minha bagagem de dentro da mala de seu carro. O prédio era uma gracinha, daqueles um tanto quanto antigos, mas com uma recepção que certamente já havia sido restaurada e modernizada, de certa forma. – Sou eu. – Respondi me virando para ele. – Meu nome é Luís, sou o porteiro do dia. Dona Lúcia ligou hoje cedo pra portaria pra avisar da sua chegada, até me mandou uma foto sua pelo telefone. Fiquei um pouco sem graça, mas era algo típico da Lúcia fazer isso e, bem, foi bem útil também, pois não precisei me identificar e explicar, dali mesmo o Sr. Luís já me ajudou a carregar minhas malas até a porta do elevador. Estava calor naquele dia, o céu estava azul e muito bonito, mas havia passado de um ar condicionado para outro, ainda não havia realmente sentido a temperatura ambiente. – Obrigada pela ajuda Sr. Luís. – Agradeci enquanto ele colocava minhas malas dentro do elevador. – Por nada, Dona Letícia. Só não subo com a senhora pra não deixar a portaria vazia, mas qualquer coisa é só me chamar, ta bom? – Sabe me dizer sobre a faxina do apartamento? Esqueci de pergunta pra Lúcia sobre isso. – Toda quarta-feira a menina vem aqui limpar, só não sei se ela vem nessa quarta agora porque ontem ela tava aí, trouxe até umas compras de mercado, provavelmente pela chegada da senhora. – Ah sim, ta bom então, Sr. Luís. Obrigada pela ajuda. – Sorri tentando ser simpática. – Por nada, Dona Letícia. Bom descanso. Qualquer coisa já sabe que é só chamar. – Pode deixar. O apartamento, que ficava no sétimo andar, era uma gracinha e tinha janelas enormes bem na sala, o que fazia a vista ser a coisa mais linda. O tamanho não era tão pequeno quanto a Lúcia havia feito parecer, mas do jeito que ela é, como já sei que é exagerada, não me surpreende que o tenha feito justamente para que eu tivesse essa impressão quando já estivesse aqui. Havia uns 3 bons quartos, sendo 1 com suíte, que era, obviamente, onde eu iria me instalar. A cozinha era espaçosa, assim como a área também. Havia uma sala de jantar e todos os cômodos estavam bem mobilhados. Os lustres eram as coisas mais lindas. Enfim, o que dizer? Aquele apartamento era realmente um pouco menor do que o meu, mas ele era extremamente aconchegante e tinha um cheiro suave de limpeza misturado com aquele cheirinho de quando uma casa fica fechada por muito tempo. Eu gosto. Aquele dia, por ser o primeiro e por ser justamente numa segunda-feira, preferi reservá-lo a minha organização e instalação. Arrumei minhas coisas no armário do quarto onde iria ficar, depois tomei um delicioso banho na banheira maravilhosa que havia dentro do banheiro da suíte e decidi que ao invés de cozinhar algo, iria pedir pelo Delivery para que eu pudesse apenas descansar enquanto me ambientava. – Você não vai passar 30 dias presa dentro deste apartamento, já te falei isso! – Me disse Lúcia em uma chamada de vídeo enquanto estava indo para o aeroporto. – Você é chata, sabia? – Respondi brincando. Ela soltou uma risada alta e disse: – Amiga, nem vou entrar nessa disputa com você! Já está avisada, vai sair desse apartamento e aproveitar o que a vida no Rio de Janeiro tem de melhor. – Eu nem conheço ninguém nesse lugar, você quer que eu faça o quê? – Que você faça exatamente isso, que você saia e vá conhecer pessoas novas ao invés de ficar sempre as voltas com as mesmas pessoas e vê se você se permite CONHECER as pessoas, porque você tem um problema bem sério com isso. Já te mandei fazer terapia, mas você é teimosa igual uma mula. – Suas ligações são sempre muito inspiradoras, já te disse isso? – É pra isso que eu estou aqui, não sei o porquê do espanto. Na vida passada eu devo ter feito alguma merda e agora tenho que corrigir te ajudando. Vai saber. – Também te amo. – Respondi rindo. – Agora vou desligar, queria só saber se chegou bem. To indo pras minhas mil horas de avião. Vê se não começa com premonições. – Não vou falar nada não. – Eu ri. – Beijo. – Antes que eu pudesse responder, Lúcia logo desligou. Caminhei pelo apartamento até as enormes janelas da sala e fiquei por alguns bons minutos olhando aquela vista maravilhosa e pensando no que minha amiga havia acabado de me dizer sobre me permitir CONHECER as pessoas. Respirei fundo enquanto tomava uma taça de vinho e, comigo mesma, disse: – Eu preciso mesmo conhecer as pessoas? – Revirei os olhos, suspirei e completei. – Preguiça.Poucos instantes depois, consegui me deitar no sofá e dei graças a Deus por Camila não estar ali pra presenciar absolutamente nada do que havia acontecido, mas esse também era um sentimento que me chateada, porque se Beatriz já estava superada, não era pra me sentir tão incomodada com tudo isso.Respirei fundo enquanto apertava os olhos tentando controlar as lágrimas que forçavam para descer. Não queria chorar, não podia, mas meu peito ardia tanto que estava sendo difícil segurar e isso me gerava ainda mais raiva de mim mesma porque, normalmente, eu já odeio chorar, quanto mais em momentos como aquele.Minha cabeça estava um furacão de pensamentos, inclusive sobre a última informação lançada por Beatriz, onde ela dá a entender ter ciência a respeito de Camila, já que mencionou eu ter estado na praia naquele mesmo dia. Na verdade ela não deu a entender, ela foi quase objetiva ao mencionar a praia, ou seja, ela sabia sim o que eu estava fazendo lá e com quem.Meu celular a
Passei pelo portão principal, cumprimentei o Sr. Luis e, enquanto tentava disfarçar ao máximo o quanto me incomodava aquela situação, olhei pra ela e perguntei:– O que você faz aqui?– Quero conversar com você.É muito ruim quando te colocam em uma posição como aquela, porque é óbvio que eu não queria transparecer pro Sr. Luis o que estava acontecendo ali, ou quem era ela, mas estávamos todos na portaria e, por isso, precisei tomar uma decisão muito rápida que, infelizmente, não era a de minha preferência, até porque o tempo, no caso o clima meteorológico, estava mudando bem rápido.– Vamos subir. – Falei e saí andando.Ficamos em silêncio no elevador, mas a revolta que sentia era crescente, porque pra mim era um absurdo ela estar vindo atrás de mim, mesmo que isso, de certa forma, acariciasse o meu ego, que ficou muito ferido depois de tudo que havia acontecido entre nós, mas, mesmo assim, me sentia muito chateada e precisava externar isso.– O que você que
Mais uma noite dormindo acompanhada daquele furacão que entrou em minha vida e que, em tão pouco tempo, havia me causado tantas emoções boas que mal conseguia me lembrar da vida antes daquelas férias. É engraçado falar isso, porque antes não conseguia ficar tanto tempo perto de alguém sem logo desejar de volta a minha solidão, mas com Camila as horas pareciam breves instantes, pois quanto mais ficávamos juntas, mais eu queria ficar... ficar? No dia seguinte, domingo, conseguimos acordar relativamente cedo e, depois de Camila comprar um biquíni pra si, fomos pra praia. O tempo estava menos quente do que no dia anterior e o ambiente parecia mais agradável, embora quase não houvesse espaço vazio ao longo da areia. Conseguimos um cantinho pra estender nossa canga e ali nos sentamos. O casal de amigos dela nos encontrou por lá e, por mais que isso me causasse um sentimento estranho de alegria e medo, eu gostei da ideia de conhecer pessoas de sua vida, acho que isso tr
Acordei pouco tempo depois, ainda na mesma posição sobre o sofá, mas embora Camila não estivesse ao meu lado, eu a ouvia ao telefone em algum outro cômodo do apartamento. Fiquei curiosa, pois era a primeira vez que a via falar com outra pessoa, o que é algo extremamente natural.Me espreguicei, me levantei sem pressa e, evitando alarde, caminhei seguindo o som de sua voz, encontrando-a então na área de serviço, que ficava do outro lado da cozinha. Parei no portal e fiquei olhando-a. Camila estava apoiada na janela que lá havia e estava virada de costas pra mim. Ela ria e dizia:– Vocês são muito desesperados, eu disse que não precisava disso tudo. – Silêncio de quem ouve. – Claro, ué, eu mandei mensagem pra vocês. – Silêncio. – Em breve, acho que amanhã, não sei, não to pensando muito nisso. – Silêncio. – Eu sei que eu tenho faculdade, mas ela não vai deixar de existir se eu der uma respirada. – Silêncio. – Gente, calma. – Ela riu. – Também amo vocês, mas calma, vocês mesmos
Liguei o ar condicionado central do apartamento para que todo ele ficasse refrigerado e assim pudéssemos transitar com tranquilidade. Enquanto Camila estava na cozinha lavando a louça que sujamos, eu entrei no banho. Ainda lavava meus cabelos quando ela surgiu entrando no box. Nos abraçamos e nos beijamos, um beijo tão longo e gostoso que era impossível não despertar meu tesão.Nos envolvemos em uma paixão mais branda, se assim posso chamar. Sorrimos durante aquele processo delicioso, onde sentia sua pele macia pelo toque das minhas mãos. Seus beijos eram uma delícia, mas vê-la ofegar, me segurar com firmeza e quase me arranhar, motivada pelo meu dedilhar em seu corpo, me acendiam ainda mais do que qualquer outra coisa poderia fazer.Vê-la alcançar seu ápice de prazer era tão bom que, por um momento, quase consegui acompanhá-la, mesmo que não estivesse sendo tocada da mesma maneira. Eu, definitivamente, tinha muito tensão em fazê-la explodir de prazer e acho que nem todas as
Acordei em silêncio, ainda processando, mesmo que lentamente, tudo o que havia acontecido. O quarto estava escuro, mas com alguns raios de luz que conseguiam passar pelos cantos do blackout. A temperatura era muito agradável e, por debaixo da coberta, Camila estava junto a mim, abraçando-me pelas costas.Meu corpo estava exausto como há muito tempo não ficava, porque é incrível o quanto é diferente fazer um sexo casual, de transar com alguém que mexe com você de uma forma especial. O desejo era tamanho que nem sei o tempo que levamos, só sei que me deliciei em cada segundo até que o sol começou a clarear o nosso dia.Não fazia ideia de que horas eram e se não fosse pelo roncar do meu estômago eu continuaria sem saber, mas olhei ao redor em busca do meu celular e descobri que já passavam das duas da tarde, o que fazia sentido, já que havíamos dormido por volta das seis da manhã.Me levantei com o máximo de cuidado, pois não queria acordá-la, até porque eu precisava de mai






