LOGINMeu pai entrou na cozinha com o chapéu na mão e aquele jeito tranquilo que, durante toda a minha infância, tinha sido muito mais assustador do que qualquer bronca. Roberto Avelar raramente levantava a voz. Não precisava. Bastava se sentar à mesa, cruzar as mãos e esperar que a gente começasse a confessar os próprios pecados.
— Oi, pai! — Abri os braços, oferecendo um abraço que, com alguma sorte, faria tod
— Bom, sim — Giulia concordou, e meu coração afundou. — Eles trabalharam juntos por anos. Formam uma boa dupla. Mas não é disso que estou falando, eu...— Muitos anos? Quantos anos? — interrompi.— Sei lá... Uns seis, sete anos, até que aconteceu o... — Ela fez aspas com os dedos. — “Incidente”. E Ben decidiu parar com os ralis. Você sabe que ele não reagiu muito bem, né?Eu sabia?— Sei... Sei, claro — murmurei. — Quero dizer, mas e se eu não souber?Giulia me encarou.— Não souber?— É. O motivo de ele ter parado. Qual foi mesmo? Só para eu confirmar se sei mesmo, sabe... Porque eu sei. Eu só... queria confirmar.O silêncio que se seguiu foi constrangedor.Giulia permaneceu imóvel, segurando a taça de vinho, com a expressão de quem tentava decidir se eu estava brincando ou se havia sofrido alguma pancada na cabeça.— Benício nunca te contou, não é?— Não é que eu não saiba, é só que os detalhes...— Chiara.Droga.Eu precisava aprender a mentir melhor.— Não posso falar — ela disse,
— Eu não quero perguntar nada.— Quer, sim — Benício respondeu, aproximando-se para se sentar ao meu lado. — É sobre o nosso contrato, não é?Pisquei.— O quê?— Você está com medo de quê, exatamente? Que eu não pague pensão para o nosso filho?— O quê? Não!— Ou que a gente simplesmente não se fale mais depois dos cinco anos e eu deixe tudo nas mãos do Igor, como se fosse apenas mais uma burocracia?Eu o encarei, horrorizada.Não era nada disso que eu estava tentando descobrir! Quer dizer, agora que ele mencionara, talvez fosse uma preocupação válida. Mas eu tinha problemas muito mais urgentes, como a possibilidade de existir uma criança de cinco anos com os olhos azuis de Benício em algum lugar do país.— Não, eu só... Eu só estava lendo, só isso — insisti.— Chiara.Ele segurou minha mão, envolvendo meus dedos nos seus com uma delicadeza que me fez sentir ainda pior.— Nada disso vai acontecer. Não precisa ter medo. Nosso filho vai ter um pai presente e tudo de que precisar finance
Desisti dos meus e-mails.Minha cabeça simplesmente se recusava a trabalhar em qualquer coisa que não envolvesse Benício, Duda e a criança que eu acabara de descobrir que eles provavelmente tinham juntos.Provavelmente, não. Quase certamente.Quanto mais pensava, mais tudo fazia sentido.Eles corriam juntos. Treinavam juntos. Viajavam juntos. Enfrentavam situações perigosas juntos. E, obviamente, dormiam juntos.Porque era impossível que não dormissem.Os dois eram lindos, jovens, cheios de adrenalina e, pelo que eu sabia, passavam boa parte do tempo hospedados em hotéis durante as competições. Bastava uma noite fria, uma comemoração depois de uma vitória e pronto. Duda acabou grávida.Então ela precisara se afastar das pistas por causa da gravidez. Benício, naturalmente, também se afastara. E, depois disso, nunca mais voltara a competir.Meu Deus.Eu tinha acabado de solucionar um dos maiores mistérios da vida do meu noivo!O que eu ainda não entendia era por que eles não tinham fica
O dia mal tinha começado e eu já havia sobrevivido a uma viagem de helicóptero, vomitado na frente dos meus sogros e descoberto que minha sogra era uma pessoa surpreendentemente agradável. Considerando meu histórico recente, talvez fosse melhor passar o restante do dia trancada em algum lugar, antes que eu encontrasse uma maneira de estragar tudo.Mas primeiro precisava encontrar Benício.Ou Giulia. Ou Igor. Ou qualquer pessoa que soubesse se movimentar por aquela casa sem precisar deixar migalhas de pão pelo caminho.Despedi-me de Beatriz e saí da sala de chá com a impressão de que havia entrado em um hotel de luxo sem recepcionista. Percorri dois corredores, passei por uma biblioteca e encontrei uma escadaria que aparentemente levava a outra ala da casa. Em algum momento, comecei a suspeitar que estava andando em círculos, porque reconheci um vaso enorme que tinha certeza de já ter visto.Foi assim que acabei chegando a um terraço.E encontrei Benício.Ele estava perto de uma das me
Nota da autoraSe você chegou até aqui, é porque está gostando e curiosa para saber onde essa história vai parar, não é? Então aproveita para deixar uma avaliação de 5 estrelas e comentar ao longo dos capítulos. Eu adoro saber o que vocês estão achando e acompanhar as teorias de vocês! Além disso, avaliações e comentários ajudam o livro a ganhar mais visibilidade e chegar a novos leitores. Então, se estiver curtindo, essa é uma forma simples — e que faz diferença — de apoiar a história.____________________________________________________________________________— Você está melhor, querida?Sinceramente, minha sogra estava sendo muito mais agradável do que eu imaginara, especialmente considerando a primeira impressã
— Chiara, é só um helicóptero.Olhei para Benício, depois para aquela máquina enorme, com as hélices girando sobre nossas cabeças.— Só um helicóptero? Benício, aquilo parece um ventilador que alguém resolveu colocar para voar!Ele tentou segurar o riso enquanto me explicava que a aeronave passava por manutenção rigorosa, que o piloto era experiente e que viajaríamos com toda a segurança. Falou com tanta tranquilidade que comecei a suspeitar que pessoas ricas nasciam sem a parte do cérebro responsável pelo medo.— É mais seguro do que você imagina — garantiu.— Imagino que seja extremamente perigoso, então isso não ajuda muito.Giulia passou por nós acompanhada de Igor, ambos aparentemente satisfeitos com a ideia de entrar voluntariamente naquela coisa. O Senhor







