LOGINAmanheceu e foram para a escola, o dia estava ensolarado. Marcelo não conseguiu dormir direito, teve vários pesadelos, inclusive com as garotas da noite passada. Lucas dormiu como uma pedra, dizia ele que não lembrava realmente de nada, só de ter seguido Marcelo ao campo no escuro e acordado lá depois, sentia por não poder ajudar o amigo. Marcelo não tomou o remédio, fez de propósito, há muito tempo queria ter a oportunidade de fugir das reações que ele proporciona, mas como sua mãe ficava olhando para ver se ele engolia, nunca teve a chance de não tomar. Era uma chance também de mostrar aos seus pais que talvez nem precisasse mais desse remédio como eles pensavam.
— Bom dia, meninas. Bom dia, oncinha. — Chegando no estádio avistou as meninas saindo do vestiário feminino e logo tratou de dar um forte abraço saudoso na sua namorada.
— Bom dia, benção. — Esta, além de se encaixar no abraço, deu um beijo e em seguida um outro abraço muito mais apertado, o casal era embalado pelo uni sonoro “bom dia” do time, incluindo o de Bruna.
— Vamos desgrudar, já pro aquecimento!!! — Batendo palmas o técnico do time, Sr. Arthur passava pelo casal nesse momento. — Depois da vitória o casal comemora. Bom dia, Marcelo.
— Bom dia, Sr. Arthur! — falou para o senhor alto que levantou a mão para baterem como cumprimento, logo depois voltou se para sua amada. — Vai minha princesa, ganha essa e te encho de beijos!
— Te vejo na arquibancada.
Chegando na arquibancada Marcelo se juntou com os garotos, sentiu a falta de Samanta e agora de Maia também. O time aquecia na quadra e ainda muitas pessoas iam se assentando em seus lugares. O jogo deu partida, no primeiro set o time da casa ganhou com facilidade. Quando se preparavam para o segundo set, eles chegaram. Os garotos do “Teen Blood”, todos de óculos escuros, calça jeans, camiseta branca e jaqueta super forrada, parecia que estavam no polo norte. Entraram em fila indiana, um por um foram subindo as arquibancadas até o último degrau, onde foram se assentando um ao lado do outro. Conforme foram entrando, a turma se levantou para os últimos integrantes. Lá estavam elas. Logo após um garoto baixo, magro, vestido de calça jeans, camiseta branca e também usava óculos escuros, só não estava de jaqueta, vinham Samanta e Maia.
O primeiro a querer ir até lá foi Pedro, que foi impedido por Marcelo.
— Calma lá. Se você for, vai chamar a atenção das meninas na quadra e pode ser que atrapalhe o jogo.
— Tem razão, mas assim que acabar vou saber direitinho o que esses palhaços estão pensando que estão fazendo com nossas amigas.
— Não me parece que elas estão insatisfeitas. — L.M. comentou olhando para o outro lado onde eles se assentaram, bem a frente.
— Talvez Maia esteja lá para convencer Samanta a falar conosco. — Lucas deu a ideia.
Assim que todos eles se sentaram, ficaram o tempo todo olhando para a direção dos meninos, os óculos de sol não deixavam ver para que pessoa em particular. Em nenhum momento observaram o jogo como era o que deveriam acontecer e isso chamou a atenção de L.M, que o fez lembrar da conversa da noite passada sobre o que o amigo disse sobre Maia estar no campo de futebol rodeada por luzes e a estranha coincidência de Lucas estar desacordado como na noite da festa no mirante.
Samanta e Maia estavam sentadas lado a lado, sem conversarem, suas vestimentas eram parecidas com as das garotas que Marcelo tinha visto no campo, estavam com óculos escuros também, era muito estranho ver as amigas de longa data sentadas bem à sua frente, agindo de forma totalmente desconhecida. Todos tiveram que se controlar ao máximo para não ir até lá e estragar a concentração do jogo das meninas.
Em certo momento, mais uma pessoa conhecida adentrou o ginásio, Marcelo o reconheceu logo de cara, era o garoto ruivo que eles tanto queriam achar. Ele subiu as arquibancadas do mesmo lado dos garotos, Lucas e Pedro o reconheceram e chamou a atenção de Marcelo, LM não conseguia tirar os olhos do outro lado da quadra.
— Vamos lá falar com ele? — Lucas já se levantou chamando o amigo Marcelo.
— Vai com o Pedro, Jéssica pode me procurar e me ver conversando com ele.
— Ok. Fique aqui, já voltamos.
— LM, você fica aí de olho… — percebeu que ele nem notou que ele falava. — Deixa pra lá, continua vigiando.
Os meninos saíram pedindo licença para o pessoal da arquibancada e chegaram até Lino. Conseguiram sentar um de cada lado do rapaz, o que deixou ele muito desconfortável.
— Olá! Como vai? — começou Lucas.
— Com licença. — Lino levantou querendo ir embora.
— Espera, por favor, é sobre seu amigo. — Pedro disse levantando e chamando a atenção do garoto.
— O que tem meu amigo? O que vocês sabem sobre ele? — Lino sentou novamente e desta vez com a voz mais firme e em tom mais alto.
— Hei, vocês. Queremos ver o jogo!!! — uns jovens que estavam sentados atrás chamaram a atenção.
— Vamos conversar lá fora, por favor.
Lino pensou um pouco, olhou novamente para o outro lado da quadra e viu seu amigo Cristiam sentado como um robô, sem expressão. Ainda não conseguia se conformar com o que estava acontecendo e por mais que aqueles dois fossem estranhos, se tivessem respostas gostaria de saber para ajudar o amigo.
— Vamos!
Quando chegaram do lado de fora do estádio, Lino começou a conversa.
— Como conhecem meu amigo?
— Não conhecemos. — Lucas disse e continuou vendo a cara que o rapaz fez. — Mas as moças que estão sentadas do lado dele, são nossas amigas.
— Elas estão diferentes também?
— Sim, muito mesmo. Por que seu amigo não era do time?
Lino contou que tudo começou na noite de segunda, quando foram na festa no terraço e Cristiam havia sumido, sendo que haviam combinado de voltar juntos para casa. Recebeu uma mensagem dele muito estranha dizendo que tinha ido embora. No outro dia eles tinham ensaio da banda, mas o celular dele só caia na caixa postal, ele resolveu ir até a casa dele e o pai disse que o filho já tinha ido para a escola. Quando ele chegou na escola viu ele descer de uma picape preta junto desse time e antes que chegasse perto do amigo, ainda no estacionamento, Cristiam virou se para ele e disse: “Não apareça mais na minha casa, nem me procure mais, agora sou um “Teen Blood”’. Lino ficou sem reação e quando estava na fila do vestiário foi quando ligou para o Sr. Paulo, que sempre compartilhou as preocupações em relação ao amigo, quando os dois seguraram as pontas do acidente com a mãe. Resolveu observar o amigo de longe até que algo muito terrível aconteceu. Neste momento Lino procurou um lugar para sentar, pois parecia que não se sentia bem.
— Está tudo bem, cara? — Perguntou Lucas.
— Sim, está. Só preciso sentar um pouco. — E continuou. — Liguei para o Sr. Paulo para contar que Lino estava no vestiário como o time e… — Fez uma pausa. — ainda não acredito. — E balançava a cabeça em negativo.
Os dois rapazes, Pedro e Lucas, se sentaram no banco ao lado do rapaz cada vez mais impressionados com a história.
— A voz não era do Sr. Paulo, com certeza. Ele perguntou quem eu era, eu disse que era o Lino, amigo do seu filho. E ele disse que foi engano, porque ele não tinha filhos. — Olhava para a grama no chão tentando entender, como se não tivesse feito isso milhões de vezes.
— Peraí, você quer nos dizer que o pai do garoto mentiu pra você? Por que faria isso? — perguntou Pedro.
— Aí que fica mais estranho, não acho que ele mentiu. Ele falou muito sério, além do mais, o Sr. Paulo não brincaria com algo assim. Foi por isso que fiquei louco e quis entrar no vestiário de qualquer forma. Mas eles não deixaram.
— Nós vimos quando você tentou chegar até ele na quadra. — Lucas lembrou o rapaz.
— Agora me digam, e a amiga de vocês? O que houve?
Foi a vez de os meninos contarem o que acontecia com Samanta e Maia. Depois que acabaram de contar ficaram um tempo pensando.
— O que faremos então? — perguntou Lucas. — Falar com as autoridades?
— E dizer o que? Que nossos amigos se vestem diferente e preferem a companhia de pessoas estranhas? Pra mim isso não parece crime. — Lino falou com voz de deboche.
— Você falando assim, nós parecemos até loucos. Tem razão.
— Vamos voltar lá pra quadra, esperar o final do jogo e ver o que acontece. — Pedro falou levantando e foi seguido pelos outros dois garotos.
Quando voltaram já estava no quarto set da partida, as meninas da casa ganhavam de dois a um e estavam ganhando essa partida. Jéssica fez o levantamento para Bruna e essa deu um pulo muito alto acertando a bola com toda força rente à rede, passou pela barreira do time adversário e acertou a faixa no chão que indica que foi dentro da quadra, marcando o último ponto e dando a vitória para o time da escola “Beija Flor Terra Linda Céu”. A maioria da plateia comemorou em um salto e gritos aleatórios, alguns sopravam uma corneta e se abraçavam. Os meninos também comemoravam e por uns minutos esqueceram de olhar para os garotos do outro lado da quadra. As meninas do time se juntaram num abraço e depois cumprimentaram as adversárias. Aos poucos o pessoal foi se acalmando e Marcelo pôde ver melhor o outro lado, eles ainda estavam lá. Não se levantaram, apenas ficaram imóveis olhando para a direção dele. As meninas do vôlei foram para o vestiário e os garotos desceram para abraçá-las.
— Você viu?! Você viu?! — gritava Jéssica correndo ao encontro do amado.
Marcelo fazia sinal com as mãos nos ouvidos de que não a ouvia porque estava muito barulho ainda, que iria chegar mais perto. E tudo parou.
— ÚLTIMA CHAMADA PARA SETOR B!!! — o alto-falante da prisão, anunciava o final da jornada de passeio no pátio daquele dia.— Prisioneira T77, Dra.Flor a aguarda. — Antes que a moça entrasse na cela, uma guarda a alertou.— A hora mais feliz do meu dia. — Uma moça de lindos cabelos cacheados e compridos, pele morena, jambo e traços simétricos; respondeu com tom de ironia e sarcasmo.O consultório era dividido por um vidro “fortificado”, não somente em termos comuns. De um lado um belo escritório clássico, com mesa, estantes e muitos livros. Nele uma mulher muito elegante, sentada em uma cadeira com um notebook em mãos, esperava sua paciente das 17h.Do outro lado, a prisioneira chegou e antes de ser convidada se jogou em um pequeno sofá, que era a única coisa que fi
— Bom dia, flor do dia. — Gaia abria as cortinas do quarto do irmão, deixando entrar a luz sobre o rosto do rapaz.— Qual é, milady. Ainda está muito cedo ainda. — Phílos cobria a cabeça com o travesseiro.— Nada disso, vamos levantar, já fiz o café. E ela deve estar chegando a qualquer momento.— Ok, ok!! Agora vai, que vou tomar um banho. — E jogou o travesseiro na irmã.Gaia foi até a cozinha e pegou uma xícara de café, levou para sala onde fechou os olhos e invocou a irmã.— “Onde você está?”— “No aeroporto, acabei de pousar.”— “Porque não abriu um portal e apareceu aqui?”— “Já te falei, tenho medo de ir parar no Everest ou em Marte e morrer sem ar.”Gaia ria muito disso, cad
— “Brida, para ele completar o ritual, precisa de uma Striga, então você fará o seguinte... — O Barão falava com a garota em sua mente.”— Phílos, venha aqui, agora. — Pedro ordenava.— “Phílos, ganhe tempo. — O Barão pediu.”— Não, sem mim nada pode fazer.— Tem razão, amigão. Mas mato ela por pura diversão. — E apertou seu pescoço, fazendo a garota gemer.Phílos quase desmaiou tamanha foi a sensação de agonia que sentiu ao ver sua amada sofrer. Mas tinha que se segurar, concentrou-se em sua raiva.— Vou me render, seu monstro.— “AGORA, MENINAS.”Em um momento de distração Gaia, a Baronesa e Brida lançaram um raio contra Pedro, lançando o jovem para longe de Jéssica. O Barão que est
No caminho para resgatar seus amigos, Brida explicou sobre como seria o ritual que possivelmente Thiry queria fazer para tomar o poder dos jovens amantes. Ela iria precisar de mais uma Striga, a energia de seis seres humanos, sendo três machos e três fêmeas, o casal de amantes, sendo um Strix e um humano. O humano tem que dar seu poder de bom grado a Striga, e está se tornará além de imortal, sem precisar mais sugar mais ninguém, mais poderosa que qualquer um dos Strix.Depois que ela falou, todos ficaram em silêncio o resto da viagem, mergulhados em seus pensamentos mais sombrios.Gaia e Phílos chegaram no mirante, ele pisou no freio com tanta força que o carro derrapou quase chegando ao precipício, de onde estavam já avistaram Amanda. Mal o carro parou e Gaia abriu a porta do carro e saltou, correu até a amiga que faltava pouco para cair.— Mandi, Mandi!!! Acorde!!! El
— Tenho que ir em casa, você leva a Jéssi pra lá.— Mas Brida, o que você descobriu?— Acho que sei porque Thiry voltou. E melhor: Como detê-la. — Ela já falava e andava. — Tenho que ir.Ela correu para casa, no seu quarto tinha uma estante com vários livros comuns para as jovens da sua idade, livros escolares e mais abaixo, vários jogos de videogame. Ela passou a mão em frente aos livros que se revelaram outros muito diferentes. Mais antigos, alguns muito grossos e com capas de couro. Ela puxou um da estante. Era muito grosso, com páginas amareladas, tinha o papel áspero e cheio de figuras, cada página tinha a borda dourada. Folheou bastante procurando algo em específico.— ACHEI!!!— Que foi besta? Que livro é esse? — Um garotinho ruivo entrou pulando em sua cama, devia ter uns sete anos.— Oi
— Brida, aquela é Amanda, minha melhor amiga, ela… — Gaia falava levando a garota para mais perto quando foi interrompida.— Já sei de tudo, querida irmã. — Pois depois da tragédia que os uniu, era assim que se consideravam. — Quando me despertaram, me atualizei de toda a situação. Infelizmente não posso quebrar o encantamento de outra Striga sozinha. — Brida viu a esperança esvair do olhar da irmã. — Hei!! — Ela passou a mão pelo rosto da garota, segurou em seu queixo e olhou bem em seus olhos. — Não disse que não a salvaremos. — As duas se abraçaram. — Vamos sair daqui. Deixei os outros apenas desmaiados. Temos muito o que conversar.— E Amanda?— Vou







