MasukAmanda estava a mil por hora desde que se levantou, nem tomou seu café da manhã e já foi apressando a mãe que lhe dava carona todos os dias para a escola. Enquanto estava no carro, enviou mensagem para Flávia.
“Ví, encontre-me na entrada do anfiteatro. Está tudo um caos.” — seguido de emoticons de carinhas irritadas e olhos revirados com a língua de fora.
Flávia tinha acordado e feito sua rotina organizada de banho, café da manhã, beijinhos nos cachorros e foi para o ponto de ônibus onde leu a mensagem.
“Bom dia, Mandi. Vou estar lá.” — seguido de emoticons de corações.
Flávia já sabia que seria algum exagero da amiga e depois de tanto tempo nem se dava ao trabalho de se preocupar. Quando estava se aproximando do anfiteatro observou de longe a amiga, estava falando ao celular, andava de um lado para o outro e gesticulava com as mãos como se a outra pessoa do lado oposto do aparelho pudesse ver.
— Inacreditável, simplesmente não entendo como isso está acontecendo. — Mandi falava quando avistou a amiga. Fez um gesto com o dedo, pedindo um minuto e continuou. — Enfim, vou providenciar aqui mesmo nas instalações da escola, no prédio do curso de fisioterapia, peçam que venham me procurar imediatamente. — E desligou.
— Ví, preciso transformar duas salas de aula em lindos quartos de hotel. Me ajuda amiga e liga pra Maia, preciso dela urgentíssimo. — disse olhando para a amiga de cima a baixo. — O que é isso que está vestindo, Ví? — Antes que a amiga abrisse a boca ela a puxou pelo braço e se pôs a andar com suas pernas grossas e curtas, sustentadas pela sandália de salto, em passos rápidos, mas claro, sem perder o charme. — Um problema de cada vez! Se não fosse eu nessa escola e na sua vida, as duas estariam perdidas!
Flávia deu um sorriso, que a amiga nem percebeu, mas achava aquilo tudo muito divertido. Seguindo a amiga e mandando mensagem para Maia ela digitou:
“Maia, bom dia. Precisamos de você no prédio de fisioterapia. Urgente, por favor.”
"Já estou indo, estou no estádio.” — Maia enviou de volta à colega de comitê.
Maia entrou para o comitê naquele ano, era a mais nova do grupo. Fez isso como um dos desafios que conversou com sua psiquiatra, ter alguma atividade a mais na sua rotina, para ajudar com seu TEPT, transtorno do estresse pós traumático. Ela precisava mesmo se envolver com outras pessoas além da turma de Jéssica e Marcelo, que a acolheram de todas as formas depois do episódio fatídico que tinha passado a poucos meses.
— Cheguei! Já estou sabendo da situação dos estudantes da Figueira Santos, mas insisto em dizer que foi um erro da recepção do hotel que me passaram o número de vagas erroneamente. — Maia falava com Flávia se encaminhando para encontrar Amanda, que apressava uma equipe de rapazes e moças a colocarem colchões e lençóis espalhados pela sala ampla. — Bom dia, Amanda. Estava aqui falan… — e foi interrompida pela garota.
— Maia, agora não é hora para desculpas. Vai ser por apenas dois dias, então certifique-se dos números de vagas, desta vez certo, no hotel onde iriam ficar. — Amanda falava, sem interromper seus movimentos de onde deveria ir cada objeto que entrava no ambiente. — Por favor, envie mensagem para o comitê de pais e mestres que as salas estarão prontas para receber os alunos em no máximo meia hora. — Falou olhando para o celular, analisando o horário. — Ah! Obrigada por agilizar os colchões e os lençóis, foi genial a ideia de procurar a secretaria do curso de fisioterapia, eles têm tudo que precisamos.
Maia esboçou um sorriso quando recebeu o elogio e começou a digitar no celular, enquanto fazia isso encaminhou-se para o corredor para deixar a equipe trabalhar mais à vontade. Quando de repente esbarrou com um homem de boné e óculos escuros, usava macacão azul marinho e carregava uma maleta preta. Por uns segundos sua respiração parou e seu coração acelerou descompassadamente. Todo seu sangue parecia ter sumido da face, e mal podia ouvir o rapaz lhe perguntar:
— Moça, está tudo bem? Desculpe, não a vi!
Maia voltando a si, mas ainda muito descompensada, respondeu que sim com a cabeça e saiu apressadamente para o vestiário mais próximo. Chegando lá, ainda muito pálida, lavou seu rosto e olhou para a água da torneira que escorria pela pia, pensativa. As lembranças vieram como uma tempestade sem aviso e ela se deixou levar para o passado.
Há mais ou menos seis meses atrás, Maia estava em casa com sua mãe. A campainha tocou e ela olhou pelo olho mágico da porta, e lá estava ele, o homem com boné e óculos escuros, macacão azul marinho, segurando uma maleta preta.
— Boa tarde, é da companhia de internet. Tem um agendamento para esta residência, Sr. Peixoto, é aqui mesmo? — disse o homem com uma voz calma e suave.
— Mãe! — gritou Maia da sala, para a mãe que estava na cozinha. — O moço da internet que o papai pediu pra vir, está aqui. Deixo entrar?
A mãe de Maia estava lavando louça e falando ao telefone com sua irmã. Ao ouvir a voz da filha sem entender muito bem o que ela tinha dito, foi em direção à sala e respondeu:
— Deixa, que eu já vou verificar com seu... — Quando deixou o telefone cair e soltou um grito de pânico. — Meu Deus, não!
Maia, ao ter entendido que era pra deixar o homem entrar, abriu a porta e este a empurrou de imediato a lançando no chão. Em seguida, sacou uma arma e com uma voz apressada e bem entoada de comando disse para a mãe levar ele até o cofre, e levantando Maia a força apontou a arma em sua direção. A mãe chorando em desespero pedia que nada fizesse que iria dar tudo que ele pedisse, só deixasse seu bebê em paz. Maia estava completamente em choque e não se movia, apenas deixava as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Foi tudo muito intenso e rápido, como se ele soubesse exatamente o que fazer e o que tinha ido buscar. Fez sinal com a arma para irem para o fundo da casa onde ficavam os dormitórios, e indicando para entrar no quarto do casal, pediu que não reagisse e só obedecesse a seu comando.
— Senhora, por favor, abra o cofre! — dizia o homem e empurrou Maia para a cama. Sempre apontando a arma em sua direção.
A mãe tremendo e em prantos, abriu o guarda roupas e afastou as camisas do marido, atrás avistava um cofre pequeno com números para serem digitados. Ela digitou o código e deixou a porta aberta, esperando a próxima ordem do assaltante. Viu que só tinha papéis e uma sacolinha preta de camurça.
— Senhora, não se faça desentendida comigo, pegue logo a sacola e passe para mim. — Dessa vez com um tom de nervosismo.
Maia olhava tudo, tentava processar em sua mente a gravidade da situação, mas como se houvesse um bloqueio de realidade, sentia que nada daquilo podia estar acontecendo, talvez fosse um pesadelo e dali a pouco iria acordar.
— Levanta garota! — O bandido puxou o braço de Maia e levou ela pelo corredor, seguido da mãe que vinha aos apelos.
— Por favor, deixe minha filha em paz, já lhe dei o que me pediu. — E chorava atrás dos dois.
— Entre as duas no banheiro. Quando fechar a porta, vocês vão começar a contar até cem. Se saírem antes disso, já sabem. — O homem empurrou Maia e sua mãe e mostrou a arma.
Mãe e filha ficaram abraçadas chorando por muito tempo, nem se deram ao trabalho de contar. Quando o Sr. Peixoto chegou em casa e encontrou as duas naquele estado, todos se abraçaram e depois de um tempo as acalmando, tratou de chamar a polícia.
Alguém fechou a torneira da pia onde Maia estava em devaneio e a fez voltar para o presente. Era Flávia, perguntando se estava tudo bem. Maia se enxugou, respondeu positivamente e disfarçando falou:
— Já enviei mensagem para o hotel, em breve eles me responderão, deixe tudo comigo. — Deu um sorriso sem graça e saiu.
Amanda, Maia e Flávia organizaram as salas de modo que tudo ficasse o mais aconchegante possível para os jovens hóspedes. As salas tinham armários embutidos, cortinas em todas as janelas e ar condicionado. Ficava bem próximo aos vestiários e era mais afastado do centro do evento, portanto, mais tranquilo. Tudo no final acabou resolvido, e Amanda e Flávia se despediram de Maia. Flávia ainda com uma certa curiosidade sobre o que tinha acontecido com sua colega.
— Agora, dona Ví, vamos à cabeleireira porque você sim está um caos! — Amanda passou o braço cruzando com o braço de Flávia e praticamente foi arrastando a garota que dava risadas.
— ÚLTIMA CHAMADA PARA SETOR B!!! — o alto-falante da prisão, anunciava o final da jornada de passeio no pátio daquele dia.— Prisioneira T77, Dra.Flor a aguarda. — Antes que a moça entrasse na cela, uma guarda a alertou.— A hora mais feliz do meu dia. — Uma moça de lindos cabelos cacheados e compridos, pele morena, jambo e traços simétricos; respondeu com tom de ironia e sarcasmo.O consultório era dividido por um vidro “fortificado”, não somente em termos comuns. De um lado um belo escritório clássico, com mesa, estantes e muitos livros. Nele uma mulher muito elegante, sentada em uma cadeira com um notebook em mãos, esperava sua paciente das 17h.Do outro lado, a prisioneira chegou e antes de ser convidada se jogou em um pequeno sofá, que era a única coisa que fi
— Bom dia, flor do dia. — Gaia abria as cortinas do quarto do irmão, deixando entrar a luz sobre o rosto do rapaz.— Qual é, milady. Ainda está muito cedo ainda. — Phílos cobria a cabeça com o travesseiro.— Nada disso, vamos levantar, já fiz o café. E ela deve estar chegando a qualquer momento.— Ok, ok!! Agora vai, que vou tomar um banho. — E jogou o travesseiro na irmã.Gaia foi até a cozinha e pegou uma xícara de café, levou para sala onde fechou os olhos e invocou a irmã.— “Onde você está?”— “No aeroporto, acabei de pousar.”— “Porque não abriu um portal e apareceu aqui?”— “Já te falei, tenho medo de ir parar no Everest ou em Marte e morrer sem ar.”Gaia ria muito disso, cad
— “Brida, para ele completar o ritual, precisa de uma Striga, então você fará o seguinte... — O Barão falava com a garota em sua mente.”— Phílos, venha aqui, agora. — Pedro ordenava.— “Phílos, ganhe tempo. — O Barão pediu.”— Não, sem mim nada pode fazer.— Tem razão, amigão. Mas mato ela por pura diversão. — E apertou seu pescoço, fazendo a garota gemer.Phílos quase desmaiou tamanha foi a sensação de agonia que sentiu ao ver sua amada sofrer. Mas tinha que se segurar, concentrou-se em sua raiva.— Vou me render, seu monstro.— “AGORA, MENINAS.”Em um momento de distração Gaia, a Baronesa e Brida lançaram um raio contra Pedro, lançando o jovem para longe de Jéssica. O Barão que est
No caminho para resgatar seus amigos, Brida explicou sobre como seria o ritual que possivelmente Thiry queria fazer para tomar o poder dos jovens amantes. Ela iria precisar de mais uma Striga, a energia de seis seres humanos, sendo três machos e três fêmeas, o casal de amantes, sendo um Strix e um humano. O humano tem que dar seu poder de bom grado a Striga, e está se tornará além de imortal, sem precisar mais sugar mais ninguém, mais poderosa que qualquer um dos Strix.Depois que ela falou, todos ficaram em silêncio o resto da viagem, mergulhados em seus pensamentos mais sombrios.Gaia e Phílos chegaram no mirante, ele pisou no freio com tanta força que o carro derrapou quase chegando ao precipício, de onde estavam já avistaram Amanda. Mal o carro parou e Gaia abriu a porta do carro e saltou, correu até a amiga que faltava pouco para cair.— Mandi, Mandi!!! Acorde!!! El
— Tenho que ir em casa, você leva a Jéssi pra lá.— Mas Brida, o que você descobriu?— Acho que sei porque Thiry voltou. E melhor: Como detê-la. — Ela já falava e andava. — Tenho que ir.Ela correu para casa, no seu quarto tinha uma estante com vários livros comuns para as jovens da sua idade, livros escolares e mais abaixo, vários jogos de videogame. Ela passou a mão em frente aos livros que se revelaram outros muito diferentes. Mais antigos, alguns muito grossos e com capas de couro. Ela puxou um da estante. Era muito grosso, com páginas amareladas, tinha o papel áspero e cheio de figuras, cada página tinha a borda dourada. Folheou bastante procurando algo em específico.— ACHEI!!!— Que foi besta? Que livro é esse? — Um garotinho ruivo entrou pulando em sua cama, devia ter uns sete anos.— Oi
— Brida, aquela é Amanda, minha melhor amiga, ela… — Gaia falava levando a garota para mais perto quando foi interrompida.— Já sei de tudo, querida irmã. — Pois depois da tragédia que os uniu, era assim que se consideravam. — Quando me despertaram, me atualizei de toda a situação. Infelizmente não posso quebrar o encantamento de outra Striga sozinha. — Brida viu a esperança esvair do olhar da irmã. — Hei!! — Ela passou a mão pelo rosto da garota, segurou em seu queixo e olhou bem em seus olhos. — Não disse que não a salvaremos. — As duas se abraçaram. — Vamos sair daqui. Deixei os outros apenas desmaiados. Temos muito o que conversar.— E Amanda?— Vou