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A FESTA NO MIRANTE

Author: Ita Toledo
last update publish date: 2021-06-09 04:44:40

Marcelo, enquanto assistia ao jogo acompanhado de seus amigos naquela manhã, pensava na conversa que tinha ouvido há pouco na entrada do vestiário. Era como se ele sentisse que havia alguma coisa muito estranha acontecendo envolvendo aquele grupo de rapazes, que naquele instante, jogava na quadra. Agora sem as jaquetas, ele observou que eles eram bem robustos para um time do ensino médio. Não expressavam muita simpatia, apenas se comunicavam entre eles fazendo sinais normais de jogadores e quando acertavam as jogadas nem ao menos comemoravam, só trocavam as posições. Observou também que o treinador e o banco de reserva deles agiam da mesma forma, quase sem expressão.

— Não é, amigão? — Pedro cutucava o amigo, que estava muito concentrado no jogo.

— Oi, desculpe. O que falavam? — perguntou Marcelo.

— Vamos almoçar na casa do L.M, o jogo das meninas é só no final da tarde. Dá tempo de irmos e ainda jogar uma partida no XBOX! — disse Pedro todo animado.

— Onde está Maia? — perguntou Marcelo, procurando a amiga na arquibancada.

— Foi resolver alguma coisa do comitê. — Respondeu Lucas. — Vamos para o LM ou não? Vou m****r um recado para a Samanta, se ela topa ir pra lá também.

— Por mim tudo bem, vamos encontrar Jéssica e Bruna no refeitório daqui a pouco e vamos pra lá.         — Confirmou Marcelo.

O jogo acabou e todos foram se encaminhando para as lanchonetes, onde ficavam os refeitórios. Lá depois de combinarem tudo por mensagem, reuniram a turma toda e foram para a casa de LM.

Os pais do garoto trabalhavam no mesmo escritório no centro da cidade, eram advogados, a casa ficava por conta dos empregados. Já tinham recebido várias vezes os meninos e meninas na residência dos Maias. Teresa, uma espécie de governanta, já tinha autorização para servir a garotada da melhor forma possível, pois eram pais que agradavam o filho único de todas as maneiras.

Depois do almoço os meninos se reuniram para jogar vídeo game e as meninas para atualizarem as novidades.

— Samanta, você não nos mostrou as fotos da festa de ontem. Me envia as minhas para eu ver quais eu vou postar primeiro na minha página! — disse Bruna, toda animada.

— Sobre as fotos, nem conto pra vocês que sinistro que aconteceu! — Samanta fez uma cara de espanto e mistério para as amigas.

— Já sei, me viu nas fotos e não acreditou de onde saiu tanta beleza! — Jéssica disse já dando muitas risadas e fazendo suas amigas rirem, menos a Samanta.

— HA! HA! HA! Nada disso, foi sério, tá?          — E Samanta começou a mostrar na tela do seu notebook as fotos da festa.

— Não acredito! — gritou Maia. — disse que não queria sair nas fotos e estou em quase todas até agora. — Reclamou a garota fazendo biquinho.

— Qual é, Maia! Você é linda, garota. Não pode ficar de fora! — Jéssica fez o bico virar um belo sorriso.

— Meninas, olhem essas.

E começaram a olhar as fotos que ficaram azuladas. Samanta tentou explicar de uma maneira menos técnica possível, que não poderia ser a câmera e que não havia explicação óbvia para aquilo.

Ficaram caladas por uns minutos admirando as fotos quando Bruna falou:

— Deve ser a beleza estonteante de Jéssica que iluminou tudo, ha! ha! ha!

E todas ficaram descontraídas com todos os tipos de conversa até a hora de ir para escola.

Ao final do jogo, a galera muito alegre comemorava a primeira vitória das meninas, e combinaram de se encontrar mais tarde no posto de gasolina da saída leste da cidade, onde já era de costume. Neste dia não haveria festa no terraço da escola pois a turma da apresentação do encerramento dos jogos ia ensaiar lá.

Por volta das dez horas já haviam muitos carros no local, pois era um ponto de encontro dos jovens da cidade. Foi nessa hora que chegaram Marcelo, Jéssica, Bruna e Maia. Encontraram o restante da turma e começaram a conversar:

— Vou buscar bebida, alguém vai querer?        — Disse Pedro.

Alguns disseram que não e outros pediram refrigerante. Lucas foi com ele. Quando voltaram, distribuíram as bebidas e disseram:

— Ouvimos que o pessoal vai para o mirante, vamos nessa? — convidou Lucas.

— Oba, vamos meninas! — disse a animada Bruna. — Pela vitória.

— Pessoal, pra mim hoje já deu, mas vão vocês. — Marcelo fez sinal com o polegar para baixo indicando cansaço.

— Tô fora, galera. Amanhã acordo super cedo, foi mal. — Pedro se justificou. — Me dá uma carona, Marcelo?

— Vamos nessa, amigo. — Marcelo disse já se virando para os outros amigos. — L.M, você e Lucas levam as meninas?

Eles responderam positivamente. Todos se despediram, inclusive o casal, e foram para a festa no mirante.

Chegando lá os carros pararam de uma forma que formavam uma roda com os faróis, e uma caminhonete com caixas de sons potentes ligou uma música muito animada que fizeram os jovens ir ao centro dançar.

Jéssica e Maia ficaram com os rapazes perto do carro. Samanta começou a andar tirando foto de tudo que podia enquanto tentava acompanhar a animação de Bruna.

O lugar era bem aberto, ventava um ar fresco. De lá, podia se ver ao longe, por ser muito alto, luzes da cidade e ao mesmo tempo, se olhasse para o céu, a noite estava incrivelmente estrelada.

Mais duas picapes chegaram. As portas se abriram quando os olhos de todos ali foram atraídos ao mesmo tempo. Saíram ao mesmo tempo, como se tivessem ensaiado, as seis garotas. Era prazeroso ficar olhando para elas. O andar era desfile, no mato baixo ou na terra que seja, os passos eram firmes e seguros. Estavam de botas, umas de saias soltas e longas, outras de saias curtas e apertadas, os faróis iluminavam o contorno perfeito da silhueta. As que usavam vestidos eram de tecido muito leves e esvoaçantes, o vento deixava tudo mais elegante. Cabelos soltos e maquiagem mais suave. Foram para o meio dançar e a maioria dos jovens foram com elas como um imã que os atraiu.

— Jéssica! Jéssica! Acorda… — era sacudida por LM.

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