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Seduzida pelo Agente que Caça meu Pai
Seduzida pelo Agente que Caça meu Pai
Author: Any L.

A filha do Fantasma

Author: Any L.
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-10 08:43:45

Sophia

O relógio marcava pouco depois das oito da manhã quando finalmente deixei o Massachusetts General Hospital.

Depois de quase vinte horas entre corredores, prontuários, cirurgias e café que havia esfriado duas vezes antes que eu conseguisse terminá-lo, tudo o que eu queria era chegar em casa.

Boston ainda despertava do outro lado da janela do carro. As ruas começavam a ficar mais movimentadas enquanto eu dirigia meu pequeno carro preto em silêncio.

Eu gostava daquele momento.

Ninguém precisava de nada de mim.

Nenhum paciente,nenhum diretor,nenhuma reunião, e Nenhuma decisão.

Por alguns minutos, eu podia ser apenas Sophia.

Quando estacionei na garagem de casa, desliguei o motor e permaneci alguns segundos com as mãos sobre o volante.

Eu estava exausta.

Peguei a bolsa, saí do carro e entrei.

— Bom dia, abelhinha.

Fechei os olhos por um instante ao ouvir a voz conhecida.

— Bom dia, mãe.

Margareth estava na cozinha, como sempre impecável. Usava um vestido simples e elegante, os cabelos cuidadosamente arrumados e seu inseparável colar de pérolas.

Jacob estava sentado à mesa com uma xícara de café diante dele.

Assim que me viu, franziu a testa.

— Você comeu?

Soltei um suspiro.

— Bom dia para você também, Jacob.

— Isso não responde à pergunta.

— Comi no hospital.

Margareth olhou para mim.

Tentei sustentar a expressão séria por alguns segundos.

Não consegui.

— Tá. Talvez não tenha sido exatamente uma refeição.

Jacob balançou a cabeça.

— Eu sabia.

Margareth já se levantava.

— Vai tomar banho. Deixei uma roupa limpa separada no seu quarto.

Sorri.

Era sempre assim.

Não importava quantos anos eu tivesse, quantos diplomas acumulasse ou quantas pessoas dependessem das minhas decisões.

Para Margareth, eu continuaria sendo a sua abelhinha.

— Obrigada, mãe.

Subi as escadas devagar.

No quarto, encontrei a roupa dobrada sobre a cama, exatamente como Margareth prometera. Deixei a bolsa em uma cadeira, tirei os sapatos e fui direto para o banheiro.

Pouco depois, a banheira estava cheia.

Entrei na água quente e deixei a cabeça repousar por alguns minutos.

Finalmente, silêncio.

Fechei os olhos.

Pensei no plantão.

No paciente que havia estabilizado.

Na família que esperava notícias.

Nas decisões que precisaria tomar quando voltasse ao hospital.

Era estranho.

Eu passava a maior parte da vida tentando manter outras pessoas vivas e, ainda assim, às vezes esquecia completamente de cuidar de mim mesma.

Quando saí do banho, vesti a roupa que Margareth havia deixado e prendi os cabelos de maneira simples.

Ao descer novamente, encontrei Jacob ainda à mesa.

— Senta — ele ordenou.

— Estou cansada.

— Justamente por isso.

Ri e puxei uma cadeira.

Margareth colocou um copo de suco diante de mim e um prato com algumas coisas para comer.

— Você vai comer tudo.

— Mãe...

— Tudo.

Peguei o copo.

— Sim, senhora.

Jacob sorriu satisfeito.

Por alguns minutos, nós três conversamos sobre coisas pequenas.

O hospital.

A casa.

Os cachorros.

Uma reunião da Fundação que eu teria na semana seguinte.

Nada importante.

Nada que pudesse mudar o mundo.

E talvez fosse justamente por isso que eu gostasse tanto daqueles momentos.

Até perceber que a televisão estava ligada.

O som do noticiário preenchia a cozinha.

— ...as autoridades continuam sem informações sobre a identidade do criminoso conhecido internacionalmente como Fantasma...

Minha mão parou no meio do movimento.

O copo permaneceu diante dos meus lábios.

Margareth percebeu.

Jacob também.

Na televisão, imagens de agentes do FBI apareciam enquanto o repórter explicava que mais um crime havia sido associado ao homem que as autoridades perseguiam havia anos.

O Fantasma.

Eu conhecia aquele nome muito antes de compreender seu significado.

Antes de saber o peso que aquela palavra teria em minha vida.

Antes de entender que, para o mundo, ele era um dos homens mais perigosos do planeta.

Para mim, porém, aquele homem tinha outro nome.

Pai.

Baixei lentamente o copo.

— Você está bem? — Margareth perguntou.

Demorei um segundo para responder.

— Estou.

Era mentira.

Mas era uma mentira que eu havia aprendido a contar muito bem.

Margareth não insistiu.

Nunca insistia quando percebia que eu precisava de silêncio.

O noticiário continuou.

Terminei o suco, mas já não sentia o mesmo gosto.

Levantei-me.

— Vou descansar um pouco.

— Claro, abelhinha.

Subi novamente.

No corredor, porém, ouvi Margareth me chamar.

— Sophia?

Virei-me.

Margareth estava parada no primeiro degrau.

— Quase esqueci.

— O quê?

— Chegou uma coisa para você.

Fiquei imóvel.

— Uma coisa?

Margareth assentiu.

— Deixaram no lugar de sempre.

Meu coração bateu mais forte.

Não perguntei quem havia enviado.

Não precisava.

Voltei para o quarto, mas não entrei.

Meus olhos se desviaram para o escritório no final do corredor.

O lugar onde eu guardava documentos importantes.

O lugar onde quase ninguém entrava.

Caminhei até lá.

Fechei a porta.

E, pela primeira vez naquela manhã, deixei a expressão tranquila desaparecer completamente.

Atrás de um quadro havia um pequeno compartimento que fazia parte de um segredo que eu carregava havia anos.

Retirei o quadro da parede.

Abri o compartimento.

E encontrei um envelope pardo.

Meu coração apertou.

Eu reconheceria aquele envelope em qualquer lugar.

Segurei-o entre os dedos por alguns segundos.

Ainda não o abri.

Porque, de repente, tive certeza de uma coisa:

Se aquele envelope havia chegado até mim, meu pai queria me ver.

E sempre que Sebastian queria me ver, havia um motivo.

Respirei fundo.

Então abri o envelope.

E encontrei dentro dele algo que eu não esperava receber.

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