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O convite

last update Veröffentlichungsdatum: 10.09.2026 09:21:21

Sophia

Retirei o conteúdo do envelope devagar.

A primeira coisa que encontrei foram duas passagens aéreas.

Boston.

Seul.

Meus olhos permaneceram sobre o destino por alguns segundos.

Depois vieram os documentos da hospedagem, uma confirmação de reserva no The Shilla e a programação de uma conferência médica que aconteceria dali a quinze dias.

Franzi a testa.

A conferência era real.

E aquilo tornava tudo mais fácil.

Eu poderia viajar oficialmente por motivos profissionais, participar do evento, representar o hospital e ainda resolver assuntos relacionados à Fundação.

Ninguém precisaria saber de todo o resto.

Por último, encontrei o cartão preto.

Segurei-o entre os dedos, mas não o utilizei.

Nunca utilizava aquele dinheiro para a minha própria vida.

Não porque não pudesse.

Porque não queria.

Havia coisas que o dinheiro podia comprar.

E havia coisas que nenhum dinheiro do mundo seria capaz de limpar.

Coloquei o cartão sobre a mesa e voltei os olhos para o envelope.

Havia um pequeno papel dobrado no fundo.

Peguei-o e abri.

A mensagem era curta.

Sem explicações.

Sem despedidas.

Apenas algumas palavras.

Li uma vez.

Depois, novamente.

Meu rosto permaneceu impassível.

Por dentro, porém, alguma coisa havia mudado.

Dobrei o papel e o guardei novamente no envelope.

Não precisava de mais informações.

Eu sabia o que aquela mensagem significava.

Fiquei alguns minutos sentada diante da mesa, olhando para as passagens.

Seul.

Fazia algum tempo que eu não precisava fazer aquela escolha.

Ir ou não ir.

Responder ou ignorar.

Abrir aquela porta ou continuar fingindo que ela não existia.

Passei a mão pelos cabelos e soltei o ar lentamente.

— Droga...

Levantei-me, guardei as passagens dentro de uma pasta e fechei a gaveta.

Quando saí do escritório, encontrei Margareth no corredor.

Ela olhou para mim e imediatamente percebeu que alguma coisa havia acontecido.

— Era o que eu estou pensando?

Parei diante dela.

Entre nós, não era necessário explicar tudo.

— Era.

Margareth assentiu.

— Você vai?

Demorei a responder.

— Ainda não sei.

Ela não insistiu. Apenas tocou meu braço.

— Então pense com calma.

Sorri de leve.

— Você sempre fala isso como se eu soubesse pensar com calma.

— E não sabe?

— Nunca.

Margareth riu.

— Eu criei você. Sei muito bem.

Descemos as escadas juntas.

Jacob continuava na cozinha, agora terminando o café. Assim que me viu, levantou os olhos.

— O que chegou?

Puxei uma cadeira e me sentei.

— Uma viagem.

Jacob ergueu os olhos.

— Trabalho?

Peguei o copo de suco que havia deixado pela metade.

— Mais ou menos.

Ele me observou por alguns segundos.

Não perguntou mais nada.

Era uma das coisas que eu mais amava nos dois.

Eles sabiam quando uma pergunta não deveria ser feita.

Tomei um gole do suco.

O gosto estava diferente.

Ou talvez fosse apenas a minha cabeça.

Quinze dias.

Era o tempo que eu tinha para decidir.

Olhei pela janela da cozinha.

Do lado de fora, Boston seguia seu ritmo habitual.

Carros passando.

Pessoas caminhando.

A cidade vivendo sem saber que, dentro daquela casa, uma decisão silenciosa estava sendo tomada.

Pensei na conferência.

No hospital.

Na Fundação.

Nas minhas amigas.

Na quantidade de compromissos que teria que reorganizar.

E então pensei no verdadeiro motivo daquela viagem.

Meu estômago apertou.

Não era medo.

Ou talvez fosse.

Eu nunca soube dar um nome exato ao que sentia quando aquela parte da minha vida voltava a bater à porta.

Eu apenas sabia que não podia ignorá-la para sempre.

Depois de alguns minutos, levantei-me.

— Eu vou.

Jacob me encarou.

— Tem certeza?

Assenti.

— Tenho.

Não tinha.

Mas precisava ir.

Subi novamente para o quarto e peguei o celular.

Abri o grupo das amigas.

Digitei algumas palavras.

Apaguei.

Escrevi novamente.

Apaguei outra vez.

Como explicaria uma viagem para Seul sem explicar a verdadeira razão?

Talvez dissesse que a conferência seria importante para minha carreira.

Talvez envolvesse a Fundação.

Talvez as duas coisas.

Eu conhecia bem minhas amigas.

Elas fariam perguntas.

Muitas.

Principalmente Chloe.

Um pequeno sorriso apareceu no meu rosto.

Pelo menos isso continuava normal.

Deixei o celular sobre a cama e caminhei até o closet.

Ainda precisava organizar a viagem.

Mas, antes de começar a separar as roupas, voltei os olhos para a gaveta onde havia guardado o envelope.

Por alguns segundos, permaneci imóvel.

Havia partes da minha vida que ninguém conhecia.

Partes que eu mesma ainda não compreendia completamente.

E aquela viagem me obrigaria a encarar uma delas.

Abri a gaveta, peguei as passagens e as segurei novamente.

Seul estava a quinze dias de distância.

Eu ainda não sabia o que encontraria quando chegasse lá.

Mas sabia que, depois daquela viagem, algumas coisas poderiam mudar para sempre.

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