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Capítulo 279 — Contas com o Passado e Calmaria na Rede

Author: Aldinha B.
last update publish date: 2026-10-25 21:51:15

​Rafael Ventura

​Depois de dar a volta completa a cavalo pela Fazenda Ventura e inspecionar as novas divisas da Fazenda Palmeiras, desmontei perto do curral, entreguei as rédeas do cavalo ao peão e caminhei a passos firmes em direção à sede. A tarde ia tombando, tingindo o céu da serra com tons de laranja forte e roxo escuro. Mas a cor do horizonte não era nada comparada ao peso que começava a se acumular na minha cabeça.

​Assim que entrei na casa principal, passei direto pela sala de estar e
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    ​Rafael Ventura ​Depois de dar a volta completa a cavalo pela Fazenda Ventura e inspecionar as novas divisas da Fazenda Palmeiras, desmontei perto do curral, entreguei as rédeas do cavalo ao peão e caminhei a passos firmes em direção à sede. A tarde ia tombando, tingindo o céu da serra com tons de laranja forte e roxo escuro. Mas a cor do horizonte não era nada comparada ao peso que começava a se acumular na minha cabeça. ​Assim que entrei na casa principal, passei direto pela sala de estar e fui direto para o meu escritório particular. Tranquei a porta de madeira maciça atrás de mim, acendi apenas a luminária de mesa de cobre e sentei-me na cadeira de couro estofado. ​Abri a gaveta trancada da escrivaninha, tirei de lá um velho caderno de anotações e peguei o telefone fixo pesado. Disquei um número direto, privativo, de um contato antigo que eu guardava a sete chaves: o delegado aposentado e atual investigador particular Bruno Antunes. Um homem frio, discreto, especialista em dese

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    ​Rafael Ventura ​Durante todo o tempo em que estive sentado à mesa da cafeteria da dona Marta no centro de Belo Horizonte, negociando o lote de soja da próxima safra com o comprador de São Paulo, a minha cabeça não conseguia se desligar por completo. As conversas sobre cotações na bolsa, prazos de entrega em portos e contratos de exportação fluíam com a precisão comercial de sempre, mas a sombra daquela aparição repentina da Melissa continuava martelando no fundo da minha mente. ​Aquele vestido rosa claro, a maquiagem suave, o tom de voz manso e submisso... Nada daquilo combinava com a Melissa que eu conheci durante anos. Aquela mulher não dava um passo sem um segundo interesse bem calculado por trás. Eu sabia que ela estava aprontando alguma coisa, jogando uma teia de aranha invisível para tentar cavar algum tipo de espaço ou gerar alguma confusão. Mas ela podia usar a máscara que quisesse; para mim, cobra que troca de pele continua sendo peçonhenta. ​Fechei o contrato de venda de

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    Melissa Mendonça Abri os olhos devagar, sentindo a claridade suave da manhã invadir o meu quarto pelas frestas da cortina. Estiquei a mão pelo colchão macio e percebi que o lado onde o Eduardo tinha se deitado na noite anterior já estava frio. Ele já não estava na cama. Melhor assim. A presença truculenta e azeda dele pela manhã era a última coisa de que eu precisava hoje. ​Sentei-me na cama, ajeitando o meu pijama de cetim, e sorri de canto de boca. Hoje era o dia. O dia em que eu daria continuidade ao meu plano meticulosamente desenhado para reconquistar a confiança do Rafael Ventura. Eu precisava fazer aquele homem voltar a me olhar com outros olhos — não mais como a vilã vingativa ou a ex-noiva histérica, mas como a mulher refinada, madura e suave que ele tanto valorizava. ​Levantei-me e fui direto para a minha suíte Master. Precisava de um banho verdadeiramente relaxante para alinhar meus pensamentos e deixar a pele impecável. ​Liguei a torneira de monocomando da grande b

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    Rafael Ventura— Inferno... — rosnei entre os dentes, sentindo o maxilar travar com tanta força que os meus ossos da mandíbula estalaram.Toda santa vez era a mesma coisa. Quando eu achava que finalmente estava respirando aliviado, que a justiça tinha dado uma trégua e que o cerco contra o maldito do Eduardo Soares estava se fechando, aquele desgraçado vinha com outra covardia. Eu tinha plena certeza absoluta de que havia o dedo sujo do Soares por trás daquele estrago no curral. Era o estilo clássico dele: atacar pelos fundos, covardemente, atingindo o que era indefeso quando não conseguia vencer no fórum ou na base da conversa fiada.Se eu fosse à delegacia municipal dar queixa formal, o que adiantaria? O delegado Martins não moveria uma palha. Aquele infeliz estava comprado além de dever favores até a alma para a corja da família Soares. Se eu chegasse lá com as provas da sabotagem, o Martins com certeza reviraria os olhos, daria um sorriso amarelo e diria que era perseguição minha

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    ​Eduardo Soares​Dois meses. Foram dois meses infernais, trancado dentro do meu próprio quarto na Fazenda Soares, me recuperando do estrago que aquele caipira desgraçado fez no meu corpo. Dois meses suportando o calor sufocante das faixas nas minhas costelas fraturadas, a dor latejante no nariz reconstruído e o amargor diário de olhar no espelho e ver as marcas da humilhação. Mas a dor física não era nada comparada ao veneno que corroía o meu peito por dentro.​Assim que os médicos finalmente me liberaram para viagens curtas e o meu motorista colocou o carro na estrada rumo a Belo Horizonte, a primeira coisa que fiz foi exigir um relatório completo dos meus advogados sobre o andamento dos meus negócios e o embargo das propriedades da região.​E foi aí que o meu mundo ruiu de vez.​A notícia caiu sobre a minha cabeça como um golpe de machado: o Rafael Ventura tinha fechado a compra da Fazenda Palmeiras. As terras do velho Juscelino Medeiros — os dois mil e duzentos hectares mais férte

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