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Capítulo Quatorze

last update Data de publicação: 2022-02-13 19:48:20

Parte 1

Juliana nunca pensou que estaria em um carro indo se casar. E logo cedo, em uma manhã de ventos fortes.

Passaram a noite quase toda conversando sobre os termos da convivência deles como um casal. Foram até o início da madrugada, até que chegaram a um acordo final que ficaria bom para ambos.

Como o irmão Joel chegaria cedo, eles também resolveram sair cedo. Vitor conhecia um escrivão e falou com ele sobre fazer o casamento.

Quando chegaram ao cartório foram os primeiros a serem atendidos, mas não foi bem como pensaram que seria.

_ Não posso fazer o casamento assim, às pressas - mostrou um formulário _ Pensei que já tinham feito esta etapa.

_ Não fizemos nada - Vitor disse.

_ Bem, sinto muito. Vocês vão ter que esperar uma semana para se casarem.

_ Uma semana? - ela se espantou _ Por que?

_ Até que é bem rápido - ele riu de leve _ Vão ter que preencher todas as informações dos formulários, assinar e depois eu dou entrada.

_ Mas nós queremos casar agora - se inclinou sobre o balcão.

_ Percebi - riu de novo _ Mas preciso enviar as informações para a central e aguardar que me retornem e isso leva em média três dias.

_ Você disse uma semana - Vitor falou.

_ Sim, porque assim evita deixar os noivos ansiosos, assim como vocês agora. Preencham tudo e eu envio ainda hoje de manhã e peço que me retornem o mais rápido possível.

Não tinham muito o que fazer a não ser aceitar a burocracia. De qualquer forma poderiam adiantar uma parte. Pegaram os papéis e sentaram em outro local.

_ Não sabia que casar tinha essa burocracia - ela disse _ Foi assim com você?

_ Bom, eu não sei direito - bateu o pé rápido no chão _ Na verdade deixei que Marta fizesse tudo, então quando disse que podíamos ir ao cartório, eu fui.

_ Nossa, que romântico você.

_ E você não fica atrás. O que vamos dizer aos seus irmãos?

_ Por agora nada. Vamos esperar que ele nos ligue de volta, casamos e aí sim a gente conta.

_ E sobre onde morar?

_ Vamos evitar essa conversa. A gente pode arrumar a casa sem eles saberem e a propriedade já vai ser nossa também.

_ Não sei porque, mas tenho a impressão de que vou morrer em breve - ele disse.

_ É bem possível - riu também.

Sabiam que quando a família soubesse de suas intenções reais isso traria um grande incômodo.

Mas eles já estavam decididos e o engraçado era que estavam unidos na loucura.

Na fazenda...

Briana tentava explicar porque a cunhada não estava em casa para receber o irmão, mas não sabia dizer onde ela estava.

_ Ela não sabia que nós chegaríamos cedo?

Joel queria muito falar com a irmã.

_ É que ela tinha algumas coisas pra fazer.

_ E onde estão os dois noivinhos?

_ Não sabemos - Jessé respondeu _ Eles saíram muito cedo. Vi quando a caminhonete de Vitor passou pelo portão, ainda estava clareando.

_ E por que inferno saíram tão cedo assim? Aí tem coisa Jessé - reclamou _ Você não fica de olho nela?_ Se tem algo que a Juliana não quer, é que a gente fique de olho nela - bateu na coxa _ Nem imagina como está diferente, cheia de ideias.

_ Imagino - foi sarcástico _ Com certeza ideias novas vindas do noivo.

_ Não deve ter sido assim - Analice disse _ Vai ver vocês não sabiam, só isso.

_ Amorzinho, Juliana sempre foi cheia de ideias, mas todas malucas - Joel riu.

_ Não deveriam falar assim dela - Briana se ressentiu _ A Ju tem uma cabeça ótima e suas ideias são boas. Precisam mudar seu modo de vê-la. Ela já é adulta faz tempo.

Jessé olhou para a esposa. Entendia o que dizia porque desde que tiveram a briga ele teve que repensar como via seu casamento e a própria irmã.

_ Eles devem chegar daqui a pouco.

_ Acho bom, temos que conversar com o Vitor sobre ele ter se engraçado com nossa irmã - Joel abraçou a esposa _ E ainda fazia isso por trás enquanto a gente se preocupava com o casamento.

_ Vocês sabem que ela é maior de idade, não é? - Briana a defendeu _ Juliana sabe o que quer.

_ Claro - Joel riu _ Percebemos.

Briana balançou a cabeça e saiu.

De volta para os dois...

Vitor parou o carro na cefeteria e desceram para comer algo. Saíram tão cedo da fazenda que nem mesmo comeram algo.

_ Sabe que estou me acostumando com a ideia de ser seu marido - ele puxou a cadeira para ela.

_ Não se acostume muito - pegou o cardápio.

_ Por que não? - sentou em frente _ Posso te surpreender, sabia?

_ Já surpreendeu - tocou sua mão _ Não me leve a mal, não é culpa sua. Eu que abri a boca e agora estamos aqui, falando em casar. Eu só queria viver minha vida ao meu modo, entende?

_ Entendo sim - cruzou as mãos _ E olha, fiquei preocupado no começo e até chateado. Talvez uma surra de seu irmão não teria sido tão ruim - riu _ Mas agora já acho bom o que está acontecendo. A gente pode acabar gostando um do outro.

_ Não vai haver sexo - se inclinou _ Tire seu cavalo da chuva - falou baixo.

_ Quer esperar o momento apropriado? - perguntou sorrindo.

_ Não me provoque, Vitor - puxou a mão.

_ Seu irmão já deve estar em casa. Vamos comer e voltar logo.

Ele não disse mais nada para não enchê-la, mas estava até se sentindo leve. No final as coisas estavam se encaminhando. Pra ele estava bem agora.

Como sabia, sua vida não tinha um roteiro.

Ela mexia demais com ele, do nada. Não queria ser só mais um amigo, se sentia sozinho e ela tinha preenchido isso. Não seria tão ruim se ela entendesse isso e até retribuísse.

E tinha algo que ele não fazia. Dizer que jamais faria tal coisa. Já tinha pensado sobre isso e em quantas vezes ele já fora contra algo e depois se pegou fazendo o que era contra porque alguém o convencia.

Não dava para imaginar o quanto sua vida poderia mudar de repente. Nunca era cedo ou tarde demais para pegar outro caminho.

Passaram no escritório de um advogado. Juliana havia pesquisado na internet e pegou o endereço. Não demorou para serem atendidos.

Conversaram com o advogado e explicaram sem muita profundidade sobre o acordo. O homem pegou o papel que levaram e deu uma lida rápida.

_ Vocês têm certeza sobre essa parte onde diz que não haverá sexo? - os olhou desconfiado.

_ Temos sim - ela respondeu logo.

Vitor entendeu a cara do homem. Com certeza era algo que raramente ele via. Duas pessoas que vão se casar e não haverá sexo?

Estranho!

_ Posso redigir um documento onde ambos vão assinar após lererm e tirarem as dúvidas. Isso deixará vocês mais seguros nesse... Relacionamento, que estão começando - balançou o papel _ Não tem nada de errado aqui, a parte sobre divisão de bens e financeira está bem explicada. A questão emocional não ficou bem definida, mas creio que posso corrigir isso.

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    Parte 2_ E demora? - ele perguntou._ Não. Depois de amanhã entro em contato com vocês. Vão ler cada termo e se tiverem dúvidas eu explico. Se for necessário retirar ou acrescentar algo, fazemos na hora._ Ok, então vamos aguardar - Vitor levantou e apertou a mão dele _ Obrigado pela ajuda._ Esse é meu trabalho.Eles se despediram e saíram de mãos dadas. Na calçada Vitor comentou:_ Tenho certeza de que ele pensa que sou gay._ O que? - ela riu.

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