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Continua Capítulo Quatorze

last update Data de publicação: 2022-02-13 19:50:32

Parte 2

_ E demora? - ele perguntou.

_ Não. Depois de amanhã entro em contato com vocês. Vão ler cada termo e se tiverem dúvidas eu explico. Se for necessário retirar ou acrescentar algo, fazemos na hora.

_ Ok, então vamos aguardar - Vitor levantou e apertou a mão dele _ Obrigado pela ajuda.

_ Esse é meu trabalho.

Eles se despediram e saíram de mãos dadas. Na calçada Vitor comentou:

_ Tenho certeza de que ele pensa que sou gay.

_ O que? - ela riu.

_ Não viu a cara dele ao ler sobre não ter sexo entre nós? - mexeu a cabeça _ É claro que pensou que sou gay.

_ Que boagem, é só um contrato de amigos, não tem nada a ver.

_ Você que pensa - abriu a porta do carro _ E vamos logo pegar minha caminhonete lá no estacionamento.

_ Seus olhos estão melhor?

_ Ainda incomodam, mas já posso ver direito e preciso do carro.

Eles foram até onde o carro ficou e Vitor voltou dirigindo atrás dela. Cada um em seu carro pensando na situação atual e no outro.

Muitas reflexões.

*******

Quando chegaram na fazenda encontraram todos reunidos na sala, menos as crianças que estavam em algum lugar brincando.

Receberam os cumprimentos do irmão e da nova cunhada. Apesar dos olhares, ela não se sentiu reprimida agora que tinha Vitor ao seu lado.

_ Tem algo mais a contar - ela disse.

_ E o que é? - Joel ergueu a sobrancelha.

_ Nós vamos mudar daqui - revelou.

_ Mudar? - os dois irmãos falaram por igual.

_ Por acaso você a engravidou? - Joel olhou feio para Vitor _ Eu confiava em você.

_ Não é nada disso, Joel - ela se encostou em Vitor _ Apenas a gente quer ter nosso lugar. O Vitor tem um terreno e já tem uma casa, então vamos mudar.

_ Ah, claro - gesticulou rindo _ Eu não disse que era ele quem estava pondo ideias na cabecinha dela.

_ Eu não fiz nada disso - Vitor disse sério _ E você deveria valorizar mais o que sua irmã quer.

_ E desde quando você sabe o que ela quer? Desde quando estão tendo esse casinho?

_ Não é um casinho - Vitor respondeu chateado _ Vamos casar.

_ É verdade, até o fim do ano - Briana disse.

_ Então não tem pressa, podem continuar aqui até o casamento.

_ Não, Joel, nós vamos sair antes. Já estamos vendo isso - Juliana disse aborrecida com ele.

_ A casa é enorme, podem ficar aqui com a gente, qual o problema disso? - cruzou os braços.

_ Também quero saber - Jessé se juntou a ele.

_ A casa é excelente, eu sei disso, mas eu quero meu lugar próprio... Com meu marido - completou.

Os irmãos se olharam. Essa era uma palavra que eles nunca a tinha ouvido falar.

_ Tem certeza disso? - Joel perguntou _ Aqui terá sua família.

_ Eu vou ser a família dela - Vitor falou.

_ Por que eu acho que tem um filho aí? - cruzou os braços de novo , inclinando a cabeça _ Diga a verdade, Ju, não vamos brigar com você.

_ A verdade... A verdade é que eu... Nós, estamos apaixonados e queremos casar e ter nosso cantinho, só isso.

Vitor apertou a cintura dela. Sentiu que estava trêmula e nervosa de novo.

_ Se é assim... Eu não gosto da ideia de você sair daqui - deu de ombro _ Mas já que agora vai ter quem cuide de você, tudo bem, eu deixo.

_ Você deixa? - deu uma risada _ Não preciso que cuidem de mim, Joel. Não percebe que isso é ridículo de sua parte? Sou maior de idade, posso ir e vir quando quiser, para onde quiser. Vocês não mandam em mim faz tempo - apontou para eles _ Eu nunca me meti na vida de vocês e nem digo o que fazem de errado.

_ Isso não é bem verdade - Jessé riu.

_ Ah, cala a boca - gesticulou _ Briana está mais descansada agora, não está?

_ Estou sim - ela sorriu _ E quero mudar mais outras coisinhas também.

_ Viu só? Por que você também não aproveita seu casamento recente e presta mais atenção em sua mulher ao invés de mim?

_ Querida... - Vitor tentou ajudar a diminuir seu nervosismo _ Isso é só cuidado...

_ Não! chega de falar que é cuidado - se soltou dele _ Eu vou me mudar sim, vou me casar sim e não é você quem deixa.

_ É bom você começar a se preparar - Joel disse a Vitor _ Pelo jeito minha irmã está cheia de ideias novas e não aceita ajuda. Não servimos mais, agora que tem um homem ao lado?

_ Idiota - falou alto _ Não tem nada a ver com isso e sim comigo mesma, com o que eu quero e sei que aqui não posso ter.

_ E o que seria? - perguntou irritado _ Não pense que vamos deixar que meta a mão na herança e saia por aí gastando com seu novo brinquedo.

_ Ei, eu estou aqui - Vitor disse.

_ Vitor não é meu novo brinquedo - se irritou mais _ E se quer saber...

_ Juliana - Vitor arregalou os olhos _ Não...

_ O que é? Fale! - Joel gritou _ O que fez?

Ela respirou fundo. Sua vontade era abrir o jogo e expor tudo, mas Vitor apertou sua mão e a puxou para fora antes que falasse mais e se arrependesse.

_ Ei! - puxou a mão _ Vou voltar lá e dizer umas verdades na cara deles e...

_ Ju... Não fale mais - ela a abraçou apertado para que não fugisse _ Toda vez que abre a boca quando está com raiva a confusão aumenta.

Era verdade, ele tinha razão.

_ Viu o que eu disse? Eles me tratam como se eu fosse uma menina ainda. Isso não é justo.

_ Sei que não é - alisou seu cabelo _ Mas isso vai passar depois, vai ver. Eles vão ver seus planos irem em frente e vão ter que admitir que você tem um talento enorme e é capaz de fazer qualquer coisa.

Ela o olhou e sorriu. Era engraçado como era ele quem a deixava calma.

_ Pelo menos você serve para algo - brincou com o botão de sua camisa _ Me acalma.

_ Ah, só pra isso? - riu.

_ Também - alisou seu peito _ Vitor, eles não vão me deixar mexer no meu dinheiro.

_ Vão sim, dê um tempo para eles.

_ Acha mesmo?

_ Acho sim. Eles te amam, bobinha. Só não querem que um estranho carregue você pra longe.

_ Assim espero. Não quero ter que entrar em uma briga na justiça por isso. Seria péssimo.

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