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Capítulo 2

작가: Biscoitos
Patrícia estava tomada por um profundo desprezo por Heitor. Ela mordeu com força o lábio inferior dele, deixando claro o quanto o odiava.

Heitor imediatamente levantou a cabeça, sentindo a dor. Seus longos e elegantes dedos passaram pelos lábios, limpando o sangue que escorria. Ele a olhou com um misto de surpresa e incompreensão, sem entender a razão daquele ataque repentino.

— Eu... — Começou Patrícia, mas não conseguiu terminar. Seus lábios foram novamente selados pelos de Heitor.

Patrícia tentou resistir, colocando as mãos contra o peito dele, tentando afastar a pressão de seu corpo. No entanto, quando ela olhou para o rosto dele, tão próximo, tão absurdamente bonito, seu coração começou a bater descontroladamente, como se estivesse fervendo.

Naquele momento, Patrícia se lembrou de três anos atrás, quando ela viu Heitor pela primeira vez. Ele usava um casaco de caxemira preto, ainda mais bonito do que nas fotos, com uma aura de frieza que o tornava inatingível. Seus olhos eram simplesmente perfeitos, com cílios longos e negros que projetavam uma sombra suave em seu olhar.

Havia algo melancólico naqueles olhos, como se escondessem segredos profundos e dolorosos.

Patrícia havia passado três anos correndo atrás dele, tentando desesperadamente entrar em seu mundo. Mas não conseguiu.

Ela estava cansada. Exausta. Ela não queria mais insistir. Patrícia, com um misto de dor e decisão, reuniu toda a coragem que restava e empurrou o homem que estava sobre ela, afastando-o com firmeza.

— O que foi? — Questionou Heitor, arqueando levemente as sobrancelhas, sem entender a resistência dela.

Os olhos frios de Heitor pousaram sobre o rosto de Patrícia, carregados de uma intensidade que parecia esmagá-la. Ela mal conseguia respirar sob o peso daquele olhar.

Depois de dois segundos de silêncio, Patrícia levantou a mão e tocou suavemente o rosto dele, acariciando sua pele. Então, com uma voz firme, ela finalmente disse:

— Heitor, vamos nos divorciar.

Heitor, que já tinha os três primeiros botões da camisa desabotoados e parecia imerso em desejo, congelou ao ouvir aquelas palavras. Sua expressão imediatamente mudou. O desejo desapareceu, substituído por uma frieza cortante.

Ele se afastou, sentando-se na beira da cama e criando uma distância quase palpável entre os dois.

— O que você viu? — Perguntou Heitor, de costas para ela, com a voz baixa e controlada.

Patrícia olhou para o ombro dele e viu uma marca escura: um batom que pertencia àquela mulher. Seu coração se apertou dolorosamente. Ela respirou fundo e admitiu:

— Eu vi suas mensagens com ela. Vocês têm um filho?

— Sim. — Respondeu Heitor, sem hesitar. — Nós temos um filho.

O coração de Patrícia foi perfurado como se uma faca afiada tivesse atravessado seu peito. Ela havia tentado se enganar, acreditar que talvez fosse apenas um mal-entendido. Mas ouvir Heitor confessar com tanta facilidade destruiu qualquer possibilidade de dúvida.

Ele nem sequer tentou se explicar. Nem uma única palavra.

Patrícia respirou fundo, puxando o ar úmido que parecia pesar em seus pulmões.

— Sendo assim, vamos nos divorciar. Nosso casamento nunca passou de uma aliança de negócios. Nunca houve sentimentos envolvidos...

— Eu sei que não há sentimentos entre nós. — Interrompeu Heitor, com frieza. — Por isso você pode aceitar ela.

Os olhos de Patrícia se arregalaram, cheios de incredulidade.

— Ela não representa uma ameaça para você. E você sempre será a Sra. Mendes. — Continuou Heitor, com uma voz tão calma quanto cruel.

— Você tem noção do que está dizendo, Heitor?

Pela primeira vez, a sempre dócil Patrícia perdeu a paciência.

Patrícia não tinha dúvida de que Heitor estava sugerindo que ela dividisse o marido com aquela amante?

Isso era inaceitável.

Ainda mais porque, ao permitir isso, a criança que ainda estava na barriga da outra mulher teria direitos sobre o patrimônio dela. Ela não podia se rebaixar a esse ponto.

Nesse momento, a voz de Heitor ecoou novamente:

— Eu sei exatamente o que estou dizendo.

Patrícia o encarou, os dentes cerrados de pura indignação:

— Eu nunca vou aceitar uma proposta tão absurda. Eu cansei de ser a Sra. Mendes!

Antes que pudesse perder completamente o controle, Patrícia desceu da cama e saiu do quarto a passos rápidos. Mas, assim que se viu sozinha no corredor, ela não conseguiu mais segurar as lágrimas. Elas caíam sem parar, como uma tempestade.

Quando Patrícia voltou ao quarto, já havia secado as lágrimas e recuperado a compostura. Ela estava fria e decidida. Trouxe consigo um contrato de divórcio que já havia preparado.

Em vez de gritar ou brigar como uma tola, ela decidiu manter sua dignidade.

Se não havia amor, então Patrícia falaria de dinheiro.

Patrícia estendeu o acordo para Heitor:

— Assine este acordo e nos separamos amigavelmente.

Os olhos de Heitor passaram rapidamente pelo documento, mas, no final, fixaram-se nela:

— Você quer metade dos meus bens? Que coragem a sua.

Patrícia já esperava por essa reação. Se entre os dois não havia amor, discutir dinheiro certamente faria a situação se tornar ainda mais caótica.

— Não deveria? — Perguntou Patrícia.

Ela só queria o que era dela por direito.

Heitor, no entanto, lançou-lhe um olhar frio e sarcástico:

— Eu não concordo com este acordo e não vou me divorciar de você. É melhor esquecer essa ideia.

A voz de Heitor era cortante. Ele sabia muito bem que, se Patrícia conseguisse o divórcio, ele perderia parte de seu patrimônio, o que poderia até mesmo prejudicar sua carreira.

— Além disso, você não deve contar nada sobre isso a nenhum amigo ou parente de nenhuma das partes. — Acrescentou Heitor.

— Por quê? — Patrícia achava aquele pedido absurdo.

— Vai gerar um constrangimento enorme, tanto para você quanto para ela.

Patrícia soltou uma risada fria:

— Uma mulher que se presta a ser amante tem medo de constrangimento?

— Isso não tem nada a ver com ela. Foi um erro meu.

O rosto de Heitor demonstrava claramente sua insatisfação com a forma como Patrícia criticava aquela mulher.

A expressão de Patrícia, no entanto, tornou-se gradualmente mais calma:

— Eu pego as ações do Grupo Mendes, entrego o lugar Sra. Mendes para ela, e então você casa com ela. Todo mundo sai feliz, ninguém precisa passar vergonha.

Heitor olhou para Patrícia. Seus olhos azuis fixaram-se nela por um longo tempo. Após alguns segundos, ele finalmente disse:

— O nosso divórcio é impossível. Somos um consórcio de interesses. Você deveria saber disso muito bem.

Patrícia, indignada, respondeu:

— Então vamos ver no que vai dar!

— Não tente prejudicá-la. Ela tem depressão. A mãe dela é uma das principais acionistas da filial internacional do Grupo Mendes. É melhor você ter cuidado. — Disse Heitor, visivelmente insatisfeito.

— Cuidado? — Patrícia riu, incrédula. — Algo que você nunca teve e agora exige de mim?

De repente, Heitor pegou o contrato de divórcio e o rasgou em pedaços, jogando-os no chão. Em seguida, ele abotoou os quatro botões da camisa que estavam abertos, levantou-se e caminhou em direção à porta:

— Vou dormir no quarto de hóspedes.

A porta fechou-se com firmeza, como se fosse um ponto final em uma conversa que não teria mais volta.

Patrícia passou a noite em claro.

Quando o sol nasceu, Patrícia estava completamente exausta, com o rosto abatido pela falta de sono. Mesmo assim, ela se maquiou com perfeição, mantendo a aparência de uma mulher fria e elegante.

Depois, ela pegou o carro e dirigiu até o escritório de advocacia fundado por seu irmão, Ademir Vieira, o AD Escritório de Advocacia.

Ela estava decidida a contratar um advogado para representá-la no processo de divórcio.

Assim que entrou no escritório, Patrícia percebeu que havia uma nova placa de apresentação de advogados.

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