LOGINQuando Patrícia terminou de ouvir, ela ficou comovida. Ela não tinha imaginado que ele nunca tinha cogitado a ideia de "manter o filho e descartar a mãe". Afinal, ela mesma nem sabia se conseguiria engravidar um dia. Se Heitor tentasse convencê-la a aceitar aquela criança, ela teria desabado. E não era só pela origem imunda daquele bebê, mas também por causa da mãe venenosa que ele teria.Patrícia tinha se antecipado e falado em divórcio justamente porque ela morria de medo de esse ser o desfecho.Ela então se virou, abraçou Heitor e encostou o rosto no peito dele, concordando com um movimento de cabeça.Heitor levou a mão ao rosto dela. Os dedos dele eram longos, capazes de cobrir com facilidade todo o contorno da face dela. Ele traçou lentamente a linha dos lábios de Patrícia com a ponta dos dedos, depois se inclinou e a beijou de leve, como se estivesse cuidando de algo frágil. Em seguida, ele murmurou, num tom baixo que parecia um carinho:— Dorme, amor. Eu te amo.No dia seguinte,
Heitor também só tinha descoberto a verdade depois de mandar investigar.— Pelo que eu apurei, ela realmente cuidou com todo zelo do filho que ela carregava com o Ivo. Ela fez a gestação avançar ao máximo, o bebê acabou nascendo até mais pesado do que a média. Só que ela escondeu dos médicos que já tinha feito um aborto antes. A parede do canal de parto ficou muito fina. Na hora do nascimento, houve uma complicação grave, ela sofreu uma hemorragia enorme, os médicos não conseguiram salvar a vida dela e o bebê ainda aspirou sangue e morreu asfixiado.Quando ele concluiu a investigação, Heitor percebeu que Marcelo tinha sido extremamente cuidadoso em tudo que envolvia a internação de Tábata naquele hospital. Todo o procedimento tinha sido conduzido de forma tão limpa que não existia nenhuma pista que pudesse levar a terceiros. Quem olhasse de fora só conseguiria pensar que aquele fim tinha sido consequência das próprias escolhas dela.Depois da morte de Tábata e do filho, a parte das açõ
Heitor comentou:[Você é bem mais venenoso do que eu imaginava.]Logo em seguida, ele digitou de novo:[Mas eu não quero dar dinheiro para ela. Eu vou testar outras saídas primeiro. Ah, e sobre aquilo… valeu.]Marcelo percebeu na hora do que ele estava falando.[Relaxa, não precisa agradecer.]...Quando Heitor não estava em casa, Patrícia sempre ia dormir por volta das dez.Mesmo com Heitor em casa, por causa do problema com Avni, ele quase não aparecia na frente de Patrícia. Ele evitava cruzar com ela o tempo todo.Naquela noite, Patrícia foi dormir exatamente como no dia anterior.Depois de algum tempo, ela sentiu, nas costas, uma parede quente, sólida, que parecia envolver o corpo inteiro dela. Ela respirou fundo e sentiu um cheiro que já conhecia. Era o cheiro do corpo de um homem, misturado com um perfume discreto, muito particular.Patrícia adorava aquele cheiro. Ela sempre sentia um conforto estranho, uma sensação de segurança.Heitor percebeu que ela tinha despertado e se apre
Logo, Avni conseguiu sair daquele estado de puro medo. Embora Heitor, naquele momento, não quisesse aceitar a criança, ela simplesmente não acreditava que ele seria capaz de abandonar o único filho de sangue que ele teria no mundo.Ela sabia de várias histórias de milionários que, no fim das contas, acabavam amolecendo, levando a mulher grávida para casa ou, no mínimo, pagando uma boa quantia para garantir o futuro do bebê. E, na cabeça de Avni, bastava a criança nascer. Um bebê tão fofo, tão inocente, com certeza acabaria mudando a cabeça de Heitor.Avni respirou fundo, se recompôs e respondeu a Heitor:— Esse filho é meu, ele está no meu corpo. Você não tem nenhum direito de decidir se ele vive ou morre. Nem como pai você tem esse poder. Eu jamais vou abandonar essa criança. Agora ele é mais importante do que a minha própria vida. Se você ainda tiver um pingo de consciência, você devia convencer aquela vadia a aceitar a realidade junto com você e me transferir vinte milhões para eu b
— Eu passei por tudo quanto é sofrimento para conseguir engravidar de você, não foi nada fácil ter esse bebê. Ele também é seu filho, mas, acima de tudo, ele é a prova do amor que eu sinto por você. Ele é precioso. Ele não é um bastardo. — Avni retrucou.Avni tinha depositado esperança demais naquela criança. Depois que ela tinha sido abandonada pelo pai, visto a família ir à falência e entendido que a mãe jamais teria forças para sustentá‑la em nada, ela tinha jogado todo o resto de afeto e expectativa naquele pequeno ser que crescia dentro dela.Por isso, mesmo sendo só um embrião, aquele bebê já carregava um peso enorme no coração dela. Ela não conseguia aceitar ouvir a palavra bastardo ligada a ele.Heitor não se comoveu nem um pouco com o choro dela. Ele falou, seco:— Precioso? Ele? Como? Com uma mãe ex‑presidiária e uma família quebrada, atolada em dívidas, você acha mesmo que ele vai ter algum "valor" para o mundo? Eu já falei com meu advogado. Eu vou entrar com um processo par
Quando o celular tocou, Avni estava deitada no sofá, descansando.Ao lado dela, Helena tinha deixado uma bandeja com frutas caríssimas, todas lavadas e cortadas: um abacaxi cor‑de‑rosa de 699 e uma caixinha de cerejas importadas de 1.699.Avni, naquele momento, não tinha praticamente nenhuma fonte de renda, mas tudo o que ela comia, bebia ou usava tinha que ser do mais caro, do mais luxuoso. Em menos de quinze dias desde que tinha saído da cadeia, ela já tinha torrado dezenas de milhares. Se ela continuasse gastando naquele ritmo, o bebê nem teria nascido e ela já teria queimado todas as economias.Só que Avni não se preocupava. Ela acreditava que, assim que Heitor soubesse de tudo, principalmente quando ele tivesse certeza absoluta de que aquela criança era mesmo dele, ele acabaria voltando atrás e mudando completamente de atitude com ela.Afinal, Avni já tinha visto, com os próprios olhos, como Roberto tinha rebaixado Patrícia a nada só porque ela não podia ter filhos. E por que ele
Heitor ficou sem palavras diante da resposta direta de Patrícia.Patrícia repetiu com firmeza:— Até quando você vai ficar no banheiro?Heitor piscou, tentando aliviar a tensão, e respondeu:— Eu admito que fui impulsivo, mas agora estou sem jeito de sair. O que eu faço?Patrícia franziu o cenho, im
Burns ficou visivelmente empolgado:— Que joia incrível! Dá até vontade de chorar de emoção.Burns tentou colocar o anel em seu dedo, mas percebeu que o tamanho não era o certo.Heitor pegou o anel em seguida e também tentou colocá-lo. Não era do tamanho dele.Ele lançou um olhar carregado de ressen
— Patrícia! Por favor, vamos fazer amor! — Heitor sussurrava entre os beijos. Apesar do tom agressivo de seus olhos, sua voz era macia, quase suplicante. — Patrícia, eu... eu estou tão desconfortável…Ele pressionava os quadris contra a cintura dela, e o corpo de Patrícia foi invadido por um calor a
Enquanto Patrícia ainda estava atordoada, Heitor caminhou até onde ela estava sentada. Para sua surpresa, ele se ajoelhou diante dela, inclinando a cabeça e descansando-a em suas pernas:— Patrícia, por favor, não me deixe.Patrícia abaixou os olhos para encará-lo:— É você quem vive me deixando...







