FAZER LOGINMando ou não mando essa droga de mensagem?
Depois que ele saiu, o Sr. José me pressionou por trinta minutos cravados — só não foi mais porque o Marcos me ajudou. Dói o estômago de lembrar."O que aprontou?" — Ele me analisou e ficou olhando para o meu pé."Não fiz nada, sr." — Remexí a perna, inquieta com o olhar dele."O que o Sr. Benício queria?" — Gelei por um instante, pensando no que responder."É… é o relatório fiscal da transportadora." — FoMando ou não mando essa droga de mensagem?Depois que ele saiu, o Sr. José me pressionou por trinta minutos cravados — só não foi mais porque o Marcos me ajudou. Dói o estômago de lembrar."O que aprontou?" — Ele me analisou e ficou olhando para o meu pé."Não fiz nada, sr." — Remexí a perna, inquieta com o olhar dele."O que o Sr. Benício queria?" — Gelei por um instante, pensando no que responder."É… é o relatório fiscal da transportadora." — Foi tudo o que consegui pensar no momento."Só isso?" — Olhei para o Marcos, suplicando ajuda, e ele me salvou."Deve querer ver os registros do parceiro; soube por alto que mudou algumas coisas do acordo, pode ser para conferir."Os dois embarcaram em uma conversa sobre os termos que foram mudados, e eu respirei aliviada.Suspiro mais uma vez só de lembrar. Percebo o quanto estaria encrencada se ele descesse aqui novamente; resignada, resolvo mandar a droga da
Porra de doutor, onde já se viu dar em cima da mulher dos outros.E na minha cara ainda, filho de uma égua.Acabei de deixar a Lua em casa, e minha vontade não é de ir embora, e sim de voltar ao hospital e quebrar a cara daquele infeliz.— Dario, fique de olho nela. — Entro no meu carro, que acaba de chegar; a sorte é que ando com um segurança também, e o Dario não precisou se revelar.Não espero a resposta dele, dou um sinal para o rapaz guiar o carro. A noite estava boa, e achei que ela iria ganhar esse round novamente — mulher que adora um não. Ainda bem que fiquei muito satisfeito em saber que não me acha feio; já estava preocupado com isso.Vê-la nervosa com a minha presença, tentando a todo custo se concentrar no filme, foi ótimo, mas tudo caiu por terra quando a vi torcer o pé. Fiquei louco de preocupação — não a deixaria sozinha nem a pau. Agradeci muito quando ela, mesmo contrariada, me deixou ajudá-la."Obrigada, Beníci
O que ele está fazendo aqui?Sigo meu caminho até a fileira do meio; ele está sentado do outro lado do corredor, entre as primeiras fileiras. Assim que me vê, abre aquele sorriso sem vergonha e cheio de propostas indecentes.Ignoro e me sento bem no meio da fileira. Ainda tem uns dez minutos para o filme começar — espero que essa sala encha, só para não termos contato. Estou caindo em contradição, eu sei; não sou fã de tumulto, mas, entre ele e várias pessoas, estou mais segura com isso aqui cheio.Os minutos passam se arrastando, e nada de mais pessoas entrarem; no telão, os anúncios já começaram. Minhas mãos estão suando, droga.A contagem regressiva para o filme começa, e seremos somente nós dois na sala. Como pode meu azar ser tão grande assim, cara.— Filme muito curioso esse, não é, Lua? — Ele chegou sem que eu notasse; estava tão focada na tela e no meu nervosismo.— Não acho, Sr. Benício. — Olho para ele pelo canto do olh
Essa semana começa mais uma vez tranquila — glórias. Acabei de sair para almoçar; hoje vou à bilheteria do cinema buscar uma entrada para o filme Exit 8, um dos lançamentos que mais me atraiu. É um suspense sobre uma estação de trem japonesa, baseado em um jogo de encontrar anomalias — daqueles filmes em que você não pode nem piscar, ou perderá detalhes importantes. Adoro.Entro no fluxo do trânsito, e não demora muito para chegar. Esse é um dos shoppings mais visitados da cidade; não sou fã, mas é o mais perto de mim.— Boa tarde, quero saber os horários do filme Exit 8, por favor.— Boa tarde, temos hoje às 20h e, nos fins de semana, à meia-noite também.— Quero para hoje, às 20h mesmo.— Somente um assento?— Isso.A atendente me olha de cima a baixo, mas confirma e começa a digitar. Sempre que faço algo sozinha isso acontece — deve ser a estranheza de ver pessoas fazendo sozinhas o que a maioria faz em companhia.
Observo-a sair do refeitório, deixando a amiga sem saber como reagir, e tomo mais um gole da água.— O que aconteceu com a bochecha dela, pode me dizer, Lara? — Ela se endireita na cadeira antes de responder.— A Lua estava me ajudando, e caiu cola quente no rosto dela. — Aperto a garrafa na mão, guardando o palavrão para mim.— Ela passou algo para aliviar?— Não, só água. — O que ela pensa, assim não vai melhorar.— Senhor, a Lua é peculiar nessas questões, por assim dizer. — Carlos é quem me responde. Viro na direção dele, pedindo que explique melhor.— A Lua é um tanto desastrada, ela bate, quebra ou derruba as coisas. — A amiga dela é quem responde agora.Olho de um para o outro, vendo que, mesmo com personalidades totalmente diferentes, completam as frases e os pensamentos um do outro.Volto a comer sem mais perguntas; não quero levantar suspeitas sobre meu interesse na minha Lua — a mulherzinha tinhosa, v
Sexta-feira, ouviu um amém?Amém, Deus, último dia da semana. Lara está pilhada pelo dia de hoje, mas sei que tudo vai dar certo, ela é muito competente nos planejamentos. Prometi a ela que ajudaria, se fosse preciso, e que iria sem reclamar ou me esconder.Promessa horrível, eu sei, mas fiz, né.Amizade ou sacrifício misterioso.“Já disse que vou, sim, mulher, para de surtar” — respondo ao novo surto dela.“Vou te buscar aí daqui a uma hora” — não tenho dúvidas disso.Nem respondo mais; foram mais de vinte mensagens desde a hora que chegamos, e nem falta muito para o almoço.Olho a tela do computador e fico parada um tempo, relembrando segunda-feira. Um calor sobe pelo meu corpo — homem gostoso.“Não, obrigada.”Corro para a minha sala e me escondo aqui, nem desço para almoçar, peço a Lara que me traga um lanche. Depois de quarenta minutos, ela sobe, mas a despisto quando questiona se fiquei conversando com o chefe depois que ela saiu; nego e digo que corri para cá, e ela vai embora.







