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Capítulo 6

作者: Carinho Pro Lixo
Quando Clara foi conduzida ao quarto, trazia uma caixa de madeira apertada contra o peito.

Bastou ver Helena imóvel na cama para suas pernas cederem. Caiu de joelhos, e a caixa quase escapou de seus braços.

— Alteza...

Adriano ergueu os olhos, vermelhos de uma noite sem descanso.

— O que é isso?

Clara abraçou a caixa com mais força.

— A senhora Helena me pediu que levasse estas coisas de volta para a casa dos Montelar.

Quando abriu a tampa, Adriano reconheceu as joias que presenteou Helena ao lo
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  • Sete Anos de Veneno   Capítulo 10

    Quando Isabela foi levada ao Tribunal da Casa Imperial, descobriu que nem o filho em seu ventre lhe garantia clemência.A gravidez acabou não resistindo. Segundo o médico, o medo e a angústia daqueles dias comprometeram a gestação.Em consideração aos serviços prestados pela Casa de Montelar ao Império, o imperador poupou sua vida. Mas Isabela perdeu todos os títulos e foi confinada numa residência afastada da corte, proibida de cruzar seus portões pelo resto dos dias.Matilde, o responsável pela botica e todos os envolvidos na armação da falsa fuga receberam as penas correspondentes a seus crimes. O médico que ocultou a doença de Helena perdeu o cargo e foi condenado ao exílio.Henrique e os dois irmãos ficaram sob os cuidados da família Montelar.No dia da partida, Henrique levava nos braços o pequeno arco, agora consertado. A cada poucos passos, virava a cabeça para trás, como se ainda esperasse ouvir aquela voz alegre chamando seu nome.Mas Helena já não estava ali para chamá-lo.A

  • Sete Anos de Veneno   Capítulo 9

    Antes do enterro de Helena, Clara voltou ao palácio.Trazia um pequeno arco coberto de lodo, que depositou diante de Adriano.— Tiraram do lago, Alteza.A água deixou a madeira inchada, mas ainda era possível distinguir, entalhado em letras tortas, o nome de Henrique.Adriano reconheceu de imediato aqueles traços.Quando eram crianças, Helena vivia gravando desenhos em suas flechas. Às vezes, escrevia o próprio nome. Outras, desenhava coelhos tão desajeitados que ele mal conseguia adivinhar o que eram.Depois do casamento, nunca mais a viu pegar num arco.Agora entendia que Helena não esqueceu como se fazia. Apenas guardou aquele pedacinho de sua antiga alegria para os filhos dele.Adriano foi aos aposentos dela.O quarto parecia vazio até demais.No fundo de um baú, encontrou o chicote de montaria que Helena antes mal largava. O arco e as flechas juntavam poeira havia anos. Quando abriu o armário, deparou com vestidos de cores sóbrias, cortes discretos, tecidos que escondiam qualquer

  • Sete Anos de Veneno   Capítulo 8

    Ao amanhecer, os Montelar chegaram ao palácio.O velho general não vestia o uniforme de gala da corte. Sob a capa, trazia a armadura gasta que o acompanhou durante anos de campanhas na fronteira.Entrou no quarto sem uma palavra. Mas, ao avistar a filha caçula estendida na cama, seus passos cessaram.Sete anos antes, esteve naquele mesmo lugar para entregá-la em casamento.Helena se agarrava ao braço dele, chorando, implorando para não ter de dividir o marido com a própria irmã.Mas o decreto imperial já estava selado.Nem a entrega de metade do poder militar dos Montelar à Coroa bastou para comprar a liberdade que sua menina tanto queria.O general se aproximou da cama. Com os dedos marcados por uma vida inteira de batalhas, afastou uma mecha de cabelo do rosto da filha.Demorou a encontrar a voz.— Seu pai chegou tarde demais, minha menina.Do lado de fora, Adriano aguardava de joelhos.Quando o general saiu acompanhando o caixão, o príncipe se adiantou para ajudar a carregá-lo.Mas

  • Sete Anos de Veneno   Capítulo 7

    O sangue sumiu do rosto de Isabela.— Do que está falando, Alteza?Ela tentou sorrir, mas os lábios mal lhe obedeciam.— Helena é minha irmã de sangue. Como eu poderia fazer mal a ela?— O responsável pela botica e o médico já confessaram tudo.Adriano avançou em sua direção, sem pressa.— Quer que eu mande buscar Matilde também?O pânico atravessou os olhos de Isabela. Por um instante, pareceu perder o rumo das palavras, mas logo recuperou a compostura.— Talvez Matilde tenha agido por conta própria. Ela sempre teve medo de que Helena desse à luz um menino e ameaçasse a posição de Henrique. Mas eu nunca mandei ninguém machucar minha irmã.O som de correntes arrastadas pelo chão veio do corredor.Dois guardas entraram, trazendo Matilde sob custódia.Bastaram dez golpes de vara para que a governanta contasse tudo.Foi Isabela quem ordenou que Helena recebesse o preparado que a impediria de ter filhos. Foi por ordem dela que Matilde ameaçou o médico.Até a carruagem que desviou para aque

  • Sete Anos de Veneno   Capítulo 6

    Quando Clara foi conduzida ao quarto, trazia uma caixa de madeira apertada contra o peito.Bastou ver Helena imóvel na cama para suas pernas cederem. Caiu de joelhos, e a caixa quase escapou de seus braços.— Alteza...Adriano ergueu os olhos, vermelhos de uma noite sem descanso.— O que é isso?Clara abraçou a caixa com mais força.— A senhora Helena me pediu que levasse estas coisas de volta para a casa dos Montelar.Quando abriu a tampa, Adriano reconheceu as joias que presenteou Helena ao longo dos anos. Todas estavam cuidadosamente limpas e acomodadas junto a um livro de registros.Cada presente vinha acompanhado de uma data, da ocasião em que foi oferecido e de seu valor.Helena não deixou nada de fora.Era como se quisesse acertar as contas de sete anos de casamento, até a última moeda.Adriano passou as páginas, uma após a outra. Ao chegar ao fim, procurou entre as joias.— Onde está a presa de lobo?As lágrimas escorriam pelo rosto de Clara.— Ela queimou, Alteza.Instintivame

  • Sete Anos de Veneno   Capítulo 5

    Quando Adriano chegou às cocheiras, encontrou Helena recostada em Nivaris.Uma fina camada de neve cobria seus ombros e seus cabelos. O rosto estava sereno, quase como nos tempos em que ela voltava exausta de um longo galope e adormecia ao lado do velho companheiro.— Helena.Aproximou-se e tocou seu rosto.O frio que encontrou na pele dela o fez recolher a mão num sobressalto.Por um instante, ficou imóvel. Depois, se curvou e a tomou nos braços.— Chamem o médico da corte.O guarda continuava ajoelhado na neve, sem coragem de erguer a cabeça.— Alteza, o médico já a examinou. A senhora Helena...— Eu mandei chamar o médico!O grito cortou a noite.Adriano apertou Helena contra o peito e atravessou as galerias do palácio. A cada passo, sentia com mais clareza o pouco que ela pesava em seus braços.Sete anos antes, também a carregou assim para dentro daquela residência.Na ocasião, Helena se debatia, agarrada ao pescoço dele, furiosa porque ele sabia que ela não queria aquele casamento

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