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Capítulo 2.

Author: Kester
last update publish date: 2026-09-21 09:36:53

A chuva torrencial castigava a noite. A água do céu encharcava o vestido fino de Elena, fazendo-o aderir ao seu corpo trêmulo. No entanto, aquele frio não era nada comparado à sensação de gelo que havia congelado seu coração.

Elena continuou caminhando, afastando-se do distrito nobre onde ficava a residência da família Vane. O lugar que, durante cinco anos, ela chamara de lar, mas que jamais a tratara com um mínimo de humanidade.

Dentro da pequena bolsa de tecido que ela apertava contra o peito, havia apenas algumas peças de roupa surradas e um teste de gravidez com duas linhas vermelhas bem nítidas.

Ela estava grávida.

Elena apertou o tecido da bolsa. As lágrimas que havia contido diante de Charlie finalmente escorreram, misturando-se à chuva. Por que aquela criança tinha que chegar justamente quando seu mundo havia desmoronado em ruínas?

— Você acha que eu aceitaria ter um filho de uma assassina?

As palavras cruéis que Charlie dissera um ano atrás voltaram a ecoar em sua mente, quando ele a humilhara diante de todos durante um jantar em família.

Elena pousou a palma trêmula sobre seu ventre ainda plano. De repente, seu instinto protetor de mãe despertou.

— Você é meu filho — sussurrou Elena em meio ao rugido do vento. — Somente meu.

Se Charlie ou Sarah descobrissem sobre aquela gravidez, não a deixariam viver em paz. A ardilosa Sarah certamente se livraria do bebê, enquanto o cruel Charlie poderia tomar a criança dela como outra forma de punição. Elena jurou esconder a existência daquela criança do homem chamado Charlie Vane.

De repente, os faróis de um carro rasgaram a escuridão atrás dela. Um luxuoso sedã preto parou exatamente ao lado de Elena, espirrando água na barra de seu vestido. O coração de Elena disparou. Seria Charlie? Aquele homem queria torturá-la novamente?

A porta do carro se abriu. No entanto, não era Charlie quem desceu.

Uma mulher usando um casaco de pele vermelho-vivo saiu elegantemente do veículo. Seu guarda-costas imediatamente abriu um guarda-chuva preto sobre sua cabeça.

Sarah.

O rosto extremamente parecido com o de Elena a encarou com um sorriso vitorioso. Não havia mais cadeira de rodas. Nem o rosto pálido e sofredor que ela costumava exibir diante de Charlie. Sarah estava de pé, ereta e saudável.

— Que pena — a voz de Sarah soou manhosa, mas carregada de sarcasmo. Ela olhou para a irmã com desprezo. — Ouvi dizer que você já assinou. Uma decisão muito inteligente, querida irmã Elena.

Elena não recuou nem um passo. Endireitou as costas.

— Você já conseguiu Charlie. O que mais quer?

Sarah soltou uma risadinha. Aproximou o rosto do ouvido de Elena e sussurrou friamente:

— Apenas certifique-se de nunca voltar. Charlie odeia você. Mesmo que você morra à beira da estrada esta noite, ele não vai se importar.

Elena cerrou os punhos até as unhas ficarem brancas.

— O acidente de cinco anos atrás... os freios daquele carro... foi você quem fez aquilo, não foi?

O sorriso no rosto de Sarah se alargou, confirmando tudo sem precisar de palavras.

— Quem se importa? — zombou Sarah, antes de se virar para o carro. Antes de fechar a porta, ela olhou para Elena mais uma vez. — Aproveite sua nova vida no lixo, querida irmã.

O luxuoso carro disparou, deixando para trás uma nuvem de fumaça e respingos de água. Elena permaneceu imóvel. No entanto, em vez de chorar, seus olhos agora ardiam com as chamas da vingança. Sua tristeza evaporou, substituída pela determinação de fazer todos pagarem.

— Vamos ver quem vai rir por último — sussurrou Elena, olhando na direção em que o carro de Sarah desaparecera. — Daqui a cinco anos... farei vocês rastejarem.

Com passos firmes, Elena caminhou em direção à estação de trem noturno. Ela deixaria aquela cidade e construiria sua própria vida do zero, por causa do filho que carregava no ventre.

Naquela noite, a pobre Elena desapareceu. O que restou foi uma mulher pronta para desafiar o mundo.

Enquanto isso, no majestoso escritório da mansão Vane, um silêncio sufocante pairava no ar. Charlie estava perto da enorme janela, observando os pingos de chuva. Em sua mão, segurava um copo com um líquido âmbar, mas seus pensamentos vagavam para longe.

Sobre sua mesa de trabalho, os documentos do divórcio assinados por Elena estavam simplesmente largados ali.

O peito de Charlie latejava de uma maneira estranha. Uma sensação de vazio subitamente envolveu sua alma. Ele deveria estar aliviado por estar livre da mulher que considerava um monstro.

No entanto, a lembrança do último olhar de Elena continuava girando em sua mente. Um olhar vazio, sem dor nem amor. Como se Elena tivesse apagado completamente a existência dele da própria vida.

— Você implorará a Deus para voltar no tempo até este dia.

As últimas palavras de Elena ecoaram novamente em sua mente, frias e carregadas de maldição. Charlie bebeu sua bebida até a última gota, tentando afastar o desconforto que sentia no coração.

— Droga — murmurou Charlie. Ele colocou o copo sobre a mesa com força. — Ela é apenas uma assassina. Ela merece isso.

No entanto, no fundo de seu coração, uma pequena dúvida começou a crescer. Uma dúvida que, um dia, se transformaria em uma tempestade capaz de destruir seu mundo. Charlie jamais saberia que, naquela noite, não havia apenas deixado partir a esposa que odiava, mas também afastado a mulher que um dia salvara sua vida e o próprio sangue de seu sangue.

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