FAZER LOGINLorena viajou a trabalho e passou alguns dias sem voltar para a casa da Família Reis. No começo, Sílvia achou que era porque o casal tinha brigado, então Lorena estava evitando voltar.Nos dois primeiros dias, ela ainda ficou se acalmando, achando que não devia ser nada demais. Mas já estava quase dando uma semana, e Sílvia não aguentou mais.Ela ligou para Lorena primeiro. A conversa foi toda normal.Depois, à noite, quando Eliezer voltou, e aproveitando que o marido estava no escritório, ela foi falar com o filho para entender o que estava acontecendo.— Eu estou me segurando faz dias. A Lorena não volta faz uma semana. Até onde vocês foram nessa briga? Vocês não vão mais ficar juntos?Eliezer não via Lorena fazia dias. Quando ficava sem ter o que fazer, ia atrás de Inês. Estava até de bom humor, então não reagiu como no começo.— Se a gente não fosse ficar junto, a gente tinha voltado para cá para preparar casamento?— Mas por que, sempre que vocês brigam, ela some e vai viajar a tr
Lorena, claro, não deixou Leandro fazer o que bem entendesse. Ele era do tipo que se aproveitava no instante em que via uma brecha, e não soltava a chance.Ela agora só queria descansar direito.Depois que Leandro foi embora, Lorena tomou banho e se deitou na cama. O celular ficou no silencioso. As ligações de Eliezer passaram batido, e ela, claro, nem pretendia responder mensagem.Porque ela ainda guardava lembranças. Ainda tinha apego.E isso não era a mesma coisa que ser machucada e, mesmo assim, ficar ali sem ir embora.Porque, não importa o que Eliezer fizesse, Lorena não ia ser realmente ferida. O que ela queria eram aqueles tempos de antes. Por isso, nesses dias em que voltou para a casa dele, ela de fato conseguiu o que queria.Mas o que Eliezer fez passou do limite. Mexeu com o humor dela e, ao mesmo tempo, consumiu rápido o sentimento que ela tinha juntado ao longo do tempo.Lorena ia escolher ir embora.Na verdade, ela já tinha se preparado para isso fazia tempo. Então, quan
Leandro usou a própria beleza para seduzir. A cabeça dela não acompanhou, ela perdeu a vantagem, e Leandro entrou na sala dela sem dificuldade.Enquanto colocava a água, Lorena ficou reclamando em silêncio.Ela encheu um copo para si, tomou vários goles, e só depois serviu Leandro.Leandro estava observando o lugar.— Faz tempo que eu não venho aqui. Você mudou bastante coisa, está com muita personalidade. Você foi em exposição de novo?Leandro comentou sobre um quadro ousado e moderno:— Esse estilo é muito marcante. Esse artista ainda tem exposição? Quando você me leva para ver?Lorena ainda lembrava da cara de desprezo de Eliezer quando ele veio à casa dela pela primeira vez.Eliezer gostava de algo suave, sem ataque, queria alguém comportada, e ainda queria obrigar ela a mudar.Ter gostos diferentes era normal. Mas usar isso para alimentar a própria necessidade de controle e obrigar o outro a mudar era desumano.Lorena comprava o que gostava, sem ligar para o olhar dos outros. Mesm
A mente de Eliezer travou por um instante. Lorena não tinha voltado para casa?No caminho de volta, ele só queria ver a cena de Lorena pedindo as pazes e admitindo o erro.Mas o que tinha ali era só uma casa vazia e escura!A raiva subiu na hora, ele quase explodiu, com vontade de quebrar alguma coisa, porque Lorena sempre conseguia sair do que ele esperava!Ele puxou o ar várias vezes, mas não conseguia conter a raiva.Com os pais em casa, Eliezer não ousou fazer muito barulho. Ele foi até a cama, pegou um travesseiro e começou a bater com força no colchão, uma vez atrás da outra. Bateu mais de dez vezes e só então descarregou um pouco.Aí ele ligou para Lorena, mas não completava. Ligou a segunda e a terceira vez, e continuava sem completar. Eliezer arremessou o celular na cama e voltou a bater na cama com o travesseiro, sem parar.Os olhos dele quase ficaram vermelhos de raiva.Eliezer decidiu dar a Lorena um dia. Se amanhã ela não voltasse, ele iria atrás dela pessoalmente!...Lor
Leandro escondeu a emoção. Ele não queria deixar o clima pesado, nem levar o próprio mau humor para Lorena, porque um clima travado não resolvia problema nenhum.E não era nada tão grande assim. Afinal, quem nunca esbarrou em uma ou duas coisas chatas?Então, por fora, Leandro parecia relaxado, como se nem tivesse se abalado. Mas isso não queria dizer que ele não ligava.Ele só estava guardando.Leandro guardou tudo por dentro, e o que saiu da boca dele foi bem-humorado:— Eliezer nem tenta me dar um pouco de desafio. Um sujeito com o caráter desse jeito e ainda achou que ia disputar comigo? Eu nem precisei fazer nada, já ganhei.O humor de Leandro puxou Lorena junto, e ela nem achou constrangedor ele ter ouvido.— Você é muito para cima.— Sou. Eu sou otimista. Meus amigos falam que ficar comigo é leve, é gostoso. — Leandro perguntou. — E você?Lorena ia responder.Leandro, sem vergonha, cortou:— Mas você tem que avaliar com objetividade e justiça. Depois de ouvir aquelas besteiras a
Lorena quase não se segurou, soltou uma risada, ficou ao mesmo tempo com raiva e achando graça.A raiva de Eliezer ainda não tinha passado, mas, assim que Leandro apareceu, ele acabou rindo, a emoção dele ficou toda desconexa!Lorena cutucou Leandro com o cotovelo.Leandro soltou na hora. Ela virou a cabeça e avaliou ele de cima a baixo.Só de alguém ser bonito, já dá esse tipo de valor emocional. E, se ainda sabe se vestir, fica agradável de olhar. Basta olhar mais um pouco que o humor melhora. Era por isso que ver um cara bonito deixava a gente mais feliz.A raiva de Lorena se dissolveu rápido. Ela tinha acabado de levar um ataque psicológico de Eliezer e, de repente, viu alguém do lado dela. O humor dela melhorou na hora.Lorena perguntou:— Como você soube que eu estava aqui?Leandro respondeu:— Perguntei para sua assistente a sua agenda.Lorena falou, bem confiante:— Isso não é possível, a não ser que ela tenha me traído. Eu estou de péssimo humor, então fala a verdade e explica
A casa de Lorena ficava na Rua do Sul, bem no centro da Cidade H.Ao longo da calçada, plátanos altos balançavam com a brisa, deixando a luz do sol dançar entre as folhas. Alguns feixes tortos batiam direto no rosto de Henrique.A pele dele era de um branco frio. Tinha um metro e oitenta e oito, omb
— Desce. — Disse Henrique.Luana se sentou na cama num pulo e correu até a janela, olhando lá pra baixo, mas não viu nada.— Você veio pra Cidade G?Henrique soltou uma risada fria:— Vim, sim. Pra comemorar nosso aniversário de casamento com você.— Ah, então hoje é nosso aniversário? Henrique, com
David passou a semana de bom humor, primeiro, resolveram o problema do banco de dados, e agora ainda tinham reunião com uma das maiores empresas de capital de risco.Apesar de ter encontrado o Lucas, depois da postura firme da Luana, David nem se preocupou tanto.Miguel apareceu pra provocar, mas se
Luana deu um passo pra trás por reflexo.Henrique veio pra cima com força, agarrou o pulso dela e gritou, a voz cheia de fúria:— Luana, porra, eu sou o quê pra você? Um brinquedo? Você se apaixonou e quis casar, agora diz que não ama mais e me chuta fora? Quem te deu esse direito? Como você tem cor







