LOGINCapítulo 2
Justin Parker Mal desci do táxi procurando um lugar onde pudesse tomar café em paz, e já vi alguns flashes. Se fossem fãs, tudo bem. Eu sempre paro, tiro fotos, cumprimento, converso quando posso. Mas paparazzi? A história é completamente diferente. Eles distorcem absolutamente tudo o que faço. Uma foto fora de contexto vira uma manchete, um sorriso vira um romance, uma simples conversa vira um escândalo. Isso me tira do sério, e não posso mais aparecer em escândalos ou Mark me mata. Apurei os passos e, quando avistei uma porta de madeira e vidros coloridos, pensei que aquele parecia um lugar improvável para me encontrarem. Quando vi a placa de aberto, entrei rapidamente, fechando a porta atrás de mim com uma força até exagerada. Encostei-me nela, recuperando o fôlego da corrida, e observei o lugar. Era tranquilo. Muito tranquilo. Quando meus olhos encontraram a garota atrás do caixa, já esperei pelo grito, pelo pedido de foto ou pela reação que eu já conhecia tão bem. Mas não aconteceu nada. — Está tudo bem? Posso ajudar em algo? Ela não me reconheceu? Por um lado, aquilo era um alívio. Por outro... Era interessante. Olhei para ela por alguns segundos. Loira, olhos azuis intensos, emoldurados por óculos de aros redondos e escuros. Ela era muito bonita. Uma beleza diferente. Não usava roupas chamativas, nem parecia ter se esforçado para impressionar ninguém. Não usava nenhuma maquiagem, e também nem precisava. Ela simplesmente tinha alguma coisa nela que prendia o olhar. E por várias vezes eu percebi que estava olhando para ela mais do que deveria... Passei a manhã tomando café e lendo um livro, algo totalmente incomum para mim. Eu, Justin Parker, em um dia comum, estaria bebendo mesmo às dez da manhã, cercado por algumas mulheres que queriam alguma coisa de mim. Ingressos VIP. Acesso. Fama. Uma foto ao meu lado. Ou simplesmente aparecer na mídia. Mas hoje não. Hoje eu tive apenas uma manhã comum. Pela primeira vez em muito tempo, não precisei olhar para o relógio. Na verdade, nem percebi a hora passar. Estranhamente, meus olhos pareciam ser puxados para ela. A garota que não fazia ideia de quem eu era. E eu nem sequer sabia o nome dela. Quando ela finalmente veio até minha mesa, senti uma expectativa absurda por uma pergunta tão simples. — Nós precisamos fechar. Quer comprar um exemplar ou talvez voltar outro dia? Levantei os olhos para ela. Ela me encarava com curiosidade, esperando minha resposta. — Desculpa, nem vi a hora passar. Acho que posso sair agora. Vocês abrem todos os dias? Devo ter parecido um fugitivo com aquelas palavras. O que estava acontecendo comigo? — De segunda a sábado. Aos sábados, até às treze horas. Olhei para ela, esperando sua reação. — Eu já queria voltar amanhã... O rosto dela ficou vermelho. E aquilo me arrancou um sorriso. Eu gostava daquele efeito. Falei enquanto me levantava, aproximando-me um pouco mais. — Eu fico esta semana na cidade e, como aqui tem o melhor café, terei que voltar mais vezes. — É uma ótima escolha... Ela tentou parecer indiferente. Não conseguiu. E eu não sei por que gostei tanto de perceber isso. — Justin. Meu nome é Justin. E você é? Não disse meu sobrenome. Talvez fosse bom conversar com alguém que não soubesse quem eu era. — Megan. Megan Collins. Ela apontou para a placa com o nome da livraria. Sorri de imediato. — Conheci a proprietária. Gostei. — Conhecer é uma palavra forte, mas é quase isso. Aproximei-me mais. Perto demais. Eu sabia. Ela também. Por um instante, meus olhos desceram até os lábios dela antes de voltarem para seus olhos. Não era algo que eu costumava fazer sem intenção. Meu corpo parecia desejar aquela proximidade antes mesmo que minha cabeça tivesse decidido se deveria permitir. — Megan, eu estou indo ou precisa de mim ainda? O barista interrompeu. Ela se afastou rapidamente, como se tivesse levado um choque. Aquilo me fez sorrir por dentro. — Não, já vou fechar tudo. Pode ir. Boa folga e até segunda. — Até, chefinha. Aproveitei a deixa. Eu precisava ir. Tinha um almoço com meu empresário e já estava atrasado. — Bom, melhor eu ir também. Não quero te atrapalhar mais. Segunda eu volto. — Parece que gostou do livro... ou talvez do café. Ela deixou a frase no ar. Tive que completar. — Ou do atendimento... Coloquei uma nota de cinquenta dólares sobre a mesa, sem tirar os olhos dela. — Espera, vou pegar seu troco. — Não precisa. Já tomei seu tempo demais. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, saí dali. Rápido demais. Muito mais rápido do que seria necessário. Assim que a porta se fechou atrás de mim, respirei fundo. O problema não era o café. Muito menos o livro. Era ela. Megan Collins definitivamente não era o tipo de mulher com quem eu costumava me envolver. E talvez esse fosse exatamente o problema. Ela parecia inocente demais para o meu mundo. Doce demais. Intocada demais. Eu conhecia mulheres que sabiam exatamente o que queriam quando se aproximavam de mim. Megan não parecia saber sequer o efeito que causava. E isso era perigosamente atraente. Passei a língua pelos lábios, lembrando da forma como ela corou quando disse que eu poderia voltar. Eu queria voltar. Isso estava claro. Só ainda não sabia se queria voltar pelo café, pelo livro... Ou pela mulher que me olhava como se eu fosse apenas um homem comum. Pela primeira vez em muito tempo, eu queria descobrir até onde aquela curiosidade poderia me levar. Só havia uma coisa que eu precisava manter em mente: Eu tinha regras. E mulheres como Megan eram exatamente o tipo de mulher que um homem como eu deveria manter longe...Capítulo 7Justin ParkerSaí de lá cheio de problemas e mensagens no celular. Repórteres tentando marcar entrevistas, oferecendo dinheiro para ter, em primeira mão, a identidade da loira misteriosa.E, apesar de tudo estar desmoronando ao meu redor, estranhamente o que realmente estava me incomodando era o fato de Megan ter me expulsado.Ela realmente não me conhecia?Talvez fosse melhor assim.Eu já sabia que estava errado. Ela não era uma mulher para mim. Quanto mais cedo eu aceitasse isso, melhor seria.Quando cheguei à cobertura, Rodgens já estava me esperando.— Justin, que bom que chegou. Estou com mais de duzentos e-mails para responder sobre a mulher misteriosa. O que fazemos?— Ela não é importante. Abafe essa história, Rodgens.— Mas, Justin, você brigou em frente ao bar. Você realmente acha que esses abutres vão te deixar em paz? Eles vão procurar até encontrar ela.— Então não deixe isso acontecer. Ela não é desse meio. Não vou deixar que ela entre nessa sinuca.Ele ficou
Capítulo 5Megan CollinsDepois daquele dia de merda, veio o convite das meninas para irmos a um barzinho.Eu nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que saí para algum lugar assim.Mas quer saber?Eu vou.Talvez estivesse na hora de parar de viver apenas entre livros, casa e trabalho.Tomei um banho, fiz uma maquiagem leve e escolhi um vestido preto, uma meia-calça grossa e uma bota de cano alto, coloquei um sobretudo por cima estava ótimo assim.Quando terminei, fui para a sacada do meu quarto esperar o táxi.Foi então que um carro escuro parou em frente à livraria.Ficou ali.Parado.Aquilo era estranho para aquele horário.Observei por alguns segundos, mas logo desviei o olhar.Minha cabeça já estava perturbada demais para me preocupar com isso.Quando o táxi virou a esquina, desci rapidamente.Assim que abri a porta da livraria para sair, tive aquela sensação incômoda de estar sendo observada.Olhei para trás.Nada.Talvez fosse apenas impressão minha.Entrei no táxi e p
Capítulo 4Justin ParkerMegan está em busca de um príncipe encantado.Literalmente.Algo que eu nunca seria.E talvez esse tenha sido o verdadeiro motivo de eu ter ido embora daquela livraria daquele jeito.Vir até aqui hoje foi um erro.Deixei o dinheiro sobre a mesa e saí antes que pudesse fazer alguma coisa ainda mais estúpida.Meu motorista estava do outro lado da rua, esperando.— Parker, direto para o restaurante?— Sim. Já estou atrasado.Entrei no carro e me joguei no banco traseiro.Fechei os olhos.Foi um erro.Porque meus pensamentos voltaram imediatamente para ela.Para aquele sorriso tímido.Para o jeito como ficava corada quando eu a pegava desprevenida.Para a maneira como desviava os olhos sempre que nossos olhares se encontravam por tempo demais.Megan não fazia ideia do efeito que estava causando em mim.E eu não podia permitir que descobrisse.Não podia pensar nela.Muito menos desejar ela.Ela não fazia parte do meu mundo.E o meu mundo era sujo demais para alguém
Capítulo 3Megan CollinsFiquei olhando para ele por alguns segundos.Ele abriu um sorriso que simplesmente me tirou o fôlego.— Sim, claro. Temos vários exemplares.Falei quase no automático, sem saber exatamente como responder.Ele estava flertando comigo?Ou será que eu estava vendo coisas onde não existia absolutamente nada?Meu Deus, eu sabia que passar tanto tempo presa no meu próprio mundo de imaginação, sem sair para nada, um dia acabaria causando algum problema.E aparentemente o problema tinha um sorriso bonito, olhos perigosamente encantadores e estava parado na minha frente.— Me acompanha em um café?Olhei ao redor.A livraria estava relativamente tranquila, e então olhei para o relógio no meu pulso.— Acho que está na hora de uma paradinha mesmo.Ele sorriu e segui com ele até a mesa do fundo.A mesma onde ele havia sentado da outra vez.— Vou de chocolate quente hoje.Ele disse enquanto olhava o cardápio.— Vou pegar para nós. Quer comer alguma coisa?— Um sanduíche. Po
Capítulo 2Justin ParkerMal desci do táxi procurando um lugar onde pudesse tomar café em paz, e já vi alguns flashes.Se fossem fãs, tudo bem. Eu sempre paro, tiro fotos, cumprimento, converso quando posso.Mas paparazzi?A história é completamente diferente.Eles distorcem absolutamente tudo o que faço. Uma foto fora de contexto vira uma manchete, um sorriso vira um romance, uma simples conversa vira um escândalo.Isso me tira do sério, e não posso mais aparecer em escândalos ou Mark me mata.Apurei os passos e, quando avistei uma porta de madeira e vidros coloridos, pensei que aquele parecia um lugar improvável para me encontrarem.Quando vi a placa de aberto, entrei rapidamente, fechando a porta atrás de mim com uma força até exagerada.Encostei-me nela, recuperando o fôlego da corrida, e observei o lugar.Era tranquilo.Muito tranquilo.Quando meus olhos encontraram a garota atrás do caixa, já esperei pelo grito, pelo pedido de foto ou pela reação que eu já conhecia tão bem.Mas
Capítulo 1Megan CollinsO fato de morar literalmente no trabalho é uma das minhas maiores alegrias diárias. É só descer as escadas, destrancar a porta da frente e virar a plaquinha.Hoje ainda dei uma olhada lá fora. O inverno este ano não está tão rigoroso, mesmo assim, a rua está vazia. As manhãs de sábado normalmente são calmas. Hoje não seria diferente.Fui até a cafeteria, preparei um chocolate quente, cumprimentei Leon, que já estava na ativa desde as seis, e voltei para trás do balcão.Abri meu exemplar de Como Eu Era Antes de Você, que estou lendo, no mínimo, pela décima vez, e continuei a leitura.Era quase dez da manhã quando o sino da porta tocou, seguido pelo som forte da porta se fechando.Olhei na direção da entrada.Um homem alto, usando uma jaqueta de couro e um boné que parecia mais um disfarce do que um simples acessório, respirava fundo. Parecia cansado.Estava correndo?De quem?— Está tudo bem? Posso ajudar em algo?Ele me olhou por algum tempo, como se esperasse







