ANMELDENSem receios, ou preocupações. São de arrependimentos e erros que as lembranças são feitas.
_ Adele — Tudo bem, o chamarei de Eduardo. — Deu de ombros cansada. Ele a ignorou e entrou no banheiro, enquanto isso ela terminava de pranchar seus cabelos os deixando mais lisos, logo os põem em um Nero para tomar banho. Quando entrou em seu quarto de novo, seu esposo já estava arrumado em um terno Armani preto. Sua barba está feita evidenciando sua covinha charmosa no queixo e seus cabelos estão penteados para trás. Está lindo. Pensou ela escondendo sua reação olhando para o nada. — O que está fazendo? Por que não tomou banho ainda? — Indagou estressado. O jeito inocente dela está o irritando por ter certeza que é pura encenação. — Farei isso agora, me arrumo rápido. — O problema é seu. — olhou no relógio — Você vestirá esse vestido que coloquei na cama, nem pense em me desobedecer. — Para onde vai? — Perguntou quando o viu pegando a chave do carro. — Já estou indo. — E eu? — Pegue um táxi. — Rebateu grosso. Eduardo saiu e deixou uma Evelin zangada. Tudo isso a mágoa e enraivece. Sem querer pensar muito, tomou um banho, se maquiou no espelho do banheiro. Tudo que sabe de maquiagem ela viu nos tutoriais no YouTube. Por último foi até o vestido. Ela nunca usou nada do tipo, mas arriscaria. É um vestido de alça, vermelho-escuro, com um decote em V, profundo, mas o que chama mais atenção é a fenda lateral direita, que mostra sua coxa torneada. Após soltar seus cabelos e colocá-los atrás da orelha, saiu. Chamou um táxi e pagou com seu próprio dinheiro. Quando chegou à mansão da família Schramm avistou seu esposo parado na porta, em um lugar estratégico para ninguém vê-lo. Mas, ela, que é bem curiosa, acabou o encontrando. Quando seus olhos bateram nela, por alguns segundos ela vislumbrou surpresa e contentamento. Sorriu sem jeito. — Lembre-se, não faça besteira, ou os seus irão sofrer! — Ameaçou puxando-a. Evelin parou de sorrir envergonhada. Por uma fração de tempo, ao ver seu olhar para ela, esqueceu a real situação em que vivia. Eles entraram na casa do avô do seu esposo sendo recebidos por vários olhares, porém o que se sobressai é o olhar de admiração. Ele escutava os burburinhos de como sua esposa é linda, o seu peito encheu-se de contentamento, mesmo que não demonstrasse a ela. — Olha, nosso mais novo casal! — O patriarca da família Schramm proferiu chamando a atenção de todos. Ele mesmo puxou a salva de palmas para eles. — Não é para tanto, vovô. — Eduardo rebateu abraçando o homem que mais respeita nessa vida. — Claro que sim, afinal meu único neto homem se casou e em breve me dará muitos netos. — Terminou beijando o dorso da mão de Evelin. Ela sorria por fora, mas gritava por dentro. Ela jamais daria um filho a um homem que não a ama, que quer apenas o seu mal. — É um prazer finalmente conhecê-lo, senhor Schramm! — Exclamou com um sorriso amigável. Ela pediu licença e foi ao banheiro, após respirar muitas vezes saiu com um sorriso ensaiado. No meio do caminho alguém tomou sua frente. — Oi, de novo! — Saldou o desconhecido. Ele foi uma das pautas de brigas de seu casamento. — Oi! — Sorriu cortês. — Que tal uma dança? — sugeriu esticando as mãos, mas ela exitou — Vamos, não será a primeira vez. Evelin pensou, depois aceitou. Não sabe qual influência o homem à sua frente tem com seu esposo. Eles se posicionaram ao lado dos outros casais, e uma balada romântica era entoada pela banda ao vivo. Do outro lado da sala, Eduardo conversava com seu avô discretamente. — É melhor começarmos a providenciar essa criança, quanto mais cedo melhor. — Terminou, frio. — Não seja repulsivo, moleque. Espero que não esteja maltratando a menina. — olhou seu neto seriamente — Espere pelo menos sua esposa terminar os estudos, faltam dois meses, se não me engano. — Como achar melhor, vovô… — Se calou ao avistar sua esposa dançando com Alex, um dos homens que mais detesta na face da terra. Embora seja o meio-irmão de Bruna, eles nunca se deram bem, por serem rivais nos negócios. A raiva o cegou ao notar Evelin de sorrisos para ele, deslizando na pista de dança como uma verdadeira dançarina. Ele não sabia que ela dançava tão bem. Efetivamente, ele não sabe muita coisa sobre ela, nem que conhecia Alex, basta prestar atenção e perceber a intimidade de ambos. Seu ódio dobrou de tamanho quando notou o vestido que usava. A fenda em sua coxa é muito reveladora, se arrependeu amargamente de tê-lo escolhido. — Sua esposa tem uma beleza singular! — Ouviu seu avô elogiando-a. A palavra singular lhe arremeteu ao passado, mas não lembra sobre o que é, não cogita descobrir no momento. A algo mais urgente que precisa elucidar."Escrever a história de Evelin e da família Schramm foi, para mim, um exercício de paciência e fé. Muitas vezes, ao narrar os dias de internação, o medo do parto ou a incerteza do amanhã, percebi que esta não é apenas uma história sobre quíntuplos. É uma história sobre a capacidade humana de resistir.A vida, em sua forma mais crua, muitas vezes nos impõe provações que parecem maiores do que nossas forças. São diagnósticos difíceis, silêncios em corredores de hospital e o peso de um futuro que não podemos controlar. No entanto, se há uma lição que Evelin nos deixa, é que a dificuldade não é o ponto final, mas o cenário onde o milagre é preparado.Acreditar que o final pode ser diferente — que ele pode ser extraordinário — exige uma coragem silenciosa. Enfrentar as tempestades da vida não significa não ter medo, mas sim caminhar apesar dele, segurando as mãos de quem amamos e mantendo os olhos fixos na luz que brilha além das nuvens.Se você, leitor, atravessa hoje o seu próprio deserto
Evelin observava da varanda, um sorriso de gratidão iluminando seu rosto. Lá embaixo, a logística era uma coreografia de pura energia.— Arthur e Bernardo, não subam aí! — a voz do marido de Evelin ecoou, misturando autoridade e riso, enquanto ele corria atrás dos dois meninos que, com a agilidade típica dos três anos, tentavam escalar um banco de mármore.Perto dali, as meninas formavam seu próprio universo. Alice, a mais audaciosa, liderava as irmãs em uma caçada às borboletas, enquanto Beatriz e Clara sentavam-se calmamente no gramado, cercadas por bonecas, em um contraste sereno com a agitação dos irmãos.No centro de tudo, sentado em sua imponente cadeira de balanço sob a sombra da grande figueira, o vovô Thomas assistia à cena. Ele, que por décadas foi o pilar rígido da família, agora era refém voluntário de seus cinco bisnetos.— Venha cá, pequena Clara — chamou o patriarca com a voz embargada. A menina correu para o seu colo, e ele a abraçou com a reverência de quem segura o f
A porta da ala de repouso absoluto se fechou com um estalo seco, deixando para trás o zumbido incessante do corredor do hospital. Para Evelin, aquele som marcou o início de sua última e mais longa jornada antes de conhecer os rostos que carregava. Internar-se não era apenas uma recomendação médica; era o confinamento necessário para proteger o milagre.O quarto era um santuário de tecnologia e silêncio. No entanto, do lado de fora, a calmaria era inexistente. A mídia, ávida pela raridade de uma gestação de quíntuplos, montava guarda na calçada do hospital. Flashes espocavam sempre que um familiar cruzava a recepção, transformando a vida privada de Evelin em um espetáculo acompanhado por milhares de seguidores em tempo real.A grande expectativa, que alimentava tanto as preces da família quanto as manchetes dos jornais, era o mistério dos sexos. Até então, a posição dos bebês nos ultrassons anteriores permitira apenas vislumbres incertos. Mas hoje, o doutor Arnaldo especialista de grav
Quatro meses haviam se passado desde que Evelin fora resgatada, mas para o seu corpo, o tempo parecia correr em outra velocidade. Naquela manhã, ao se olhar no espelho da suíte na mansão Schramm, ela acariciou a curva proeminente de seu ventre. Para uma gestação única, aquela seria uma barriga de seis ou sete meses; para ela, era o abrigo pesado e pulsante de cinco vidas que cresciam vigorosamente.— Eles estão agitados hoje — sussurrou para o reflexo, sentindo as leves "bolhas" de movimento lá dentro.Eduardo entrou no quarto, vestindo um terno azul-marinho impecável, e seus olhos brilharam ao ver a esposa. Ele se aproximou, ajoelhando-se para beijar o ventre dela antes de beijar seus lábios.— Hoje é um dia especial, minha Pocahontas. A doutora Manu disse que você pode ter um "dia de folga" do repouso absoluto, desde que seja cuidadosa. Tenho uma surpresa para você no jardim de inverno.Evelin franziu o cenho, curiosa. Com a ajuda de Eduardo, ela vestiu um vestido de seda off-white,
O corredor da ala de obstetrícia do Hospital Teresa de Lisieux mergulhou em um silêncio reconfortante, um contraste brutal com o caos do resgate. Eduardo permanecia sentado, a cabeça entre as mãos, as roupas ainda marcadas pela poeira e pelo sangue seco de Evelin. Ele se recusava a sair dali para se trocar; sua alma estava presa naquela sala de cirurgia. — Eduardo? — A voz da Dra. Manu soou suave, mas carregada de exaustão. Ele saltou da poltrona, o coração na garganta. No mesmo instante, Louis e o Sr. Thomas entraram no corredor, ambos espelhando a mesma face de preocupação. — Como eles estão, Manu? Pelo amor de Deus, diga que ela está bem! — A Evelin está estabilizada, mas o quadro foi crítico — explicou Manu, conduzindo-os para uma área reservada. — O estresse extremo e o trauma causaram um pico de pré-eclâmpsia. A pressão subiu a níveis perigosos e tivemos um início de descolamento de placenta no bebê número três. Eduardo sentiu o mundo girar. O "bebê número três", o menor de
Sônia observou os policiais algemarem Alexandre Simioni, que começava a retomar os sentidos. Ela não sentia pena; sentia o peso do dever cumprido, mas sabia que aquela história tinha raízes muito mais profundas do que o delírio de um homem obcecado.— Vasculhem tudo! — ordenou Sônia à sua equipe. — Quero cada papel, cada dispositivo eletrônico que estava naquele carro.Enquanto Eduardo se recusava a soltar a mão de Evelin dentro da ambulância, os agentes encontraram uma maleta de metal blindada escondida no fundo falso do porta-malas. Sônia se aproximou e, após o perito forçar a abertura, seus olhos se arregalaram com o que viu.— Eduardo, você precisa ver isso — Sônia chamou, aproximando-se da ambulância com uma pasta em mãos. — O Alex não estava apenas agindo por conta própria.Eduardo, que acariciava o rosto pálido de Evelin, levantou o olhar.— O que é isso, delegada?— Provas concretas dos homicídios que encomendou e de pessoas corruptas na política ligadas ao crime organizado —







