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Sua Liberdade, Minha Despedida
Sua Liberdade, Minha Despedida
Author: Porca Glamourosa

Capítulo 1

Author: Porca Glamourosa
— Divorciou?

Assim que saí do tribunal, minha mãe veio ao meu encontro.

— Divorciei.

— Ele ainda não apareceu?

— Não.

— E ele sabe?

Balancei a cabeça.

— O tribunal publicou a notificação há sessenta dias, mas ninguém conseguiu entrar em contato com ele. Acho que ele nem teve tempo de vê-la.

— Por causa da Tatiane Alves? — Minha mãe falou com a voz embargada.

— Sim. Na época, ela estava passando por uma cirurgia e corria risco de vida.

Minha mãe enxugou as lágrimas no canto dos olhos.

— Então ela está melhorando?

— Talvez.

— Manuela, você não o ama?

— Em três anos de casamento, ele se encarregou de todas as refeições dela, todos os dias, sem falhar uma única vez. Mãe, talvez exista um lugar para mim no coração dele, mas também existe um lugar para ela.

A expressão da minha mãe ficou ainda mais sofrida, mas ela não disse mais nada.

Nós nos conhecemos no hospital, cinco anos atrás. Naquela época, ele já era o cirurgião torácico mais famoso da cidade. Eu, por outro lado, era sua paciente.

Todos os dias, às oito da manhã, ele conduzia a equipe médica durante a visita aos leitos. Ele nunca parecia notar minha presença. Ainda assim, todas as vezes, ele deixava uma bala para mim.

Ele dizia que o remédio era um pouco amargo e que um doce ajudava a torná-lo mais fácil de suportar. No dia em que recebi alta, já recuperada, Francisco foi sozinho fazer a visita.

Ele disse:

— Você está bem agora. Não precisa mais voltar aqui.

Não consegui esconder a decepção no olhar. Mas o que ele disse em seguida me deixou paralisada.

— Agora que você não é mais minha paciente, posso tentar conquistar você?

Naquela época, todo o hospital sabia que Francisco gostava de mim.

Durante o mês em que fiquei internada, ele trocou todos os plantões que conseguiu só para poder me ver mais vezes. Além disso, muitas vezes, emendava plantões noturnos e diurnos apenas para me perguntar:

— Como você está se sentindo hoje?

As portas do elevador se abriram, me arrancando das lembranças.

Quando cheguei em casa, a tela do meu celular se acendeu. Para minha surpresa, era Francisco.

Uma foto. Uma passagem aérea de Nova Vitória para Santa Aurora.

O voo era no dia seguinte. Um segundo depois, chegou outra mensagem.

[Amor, logo estarei de volta!]

Fiquei parada na porta, encarando aquelas palavras por um longo tempo.

No ano passado, tive uma apendicite aguda. Quando fui levada ao hospital, também mandei uma mensagem parecida para ele.

A diferença era que a minha terminava com uma pergunta.

[Amor, você pode voltar?]

Naquele dia, meu celular permaneceu em silêncio. Depois, eu o vi em um vlog de Tatiane.

Ele parecia tenso. Quando a câmera se afastou, vi Francisco alisando cuidadosamente o creme sobre o bolo.

Na cobertura, estava escrito:

[Para Tatiane: muita saúde e uma vida sem preocupações.]

Três anos. Justamente no dia em que decidi desistir dele, Francisco disse que voltaria para casa.

Abri a porta, me abaixei para trocar de sapatos e deixei o olhar percorrer a casa. Por toda parte, havia apenas vestígios da minha presença.

Os chinelos masculinos na sapateira continuavam intactos, sem terem sido usados uma única vez.

No varal da varanda, só havia roupas minhas.

Havia poucas coisas que pertenciam a ele. Mas não havia nada que pertencesse a nós dois.

Abri o vídeo fixado no perfil de Tatiane, que também era o mais curtido.

Era a casa onde os dois viviam em Nova Vitória. Sob a sapateira, dois pares de chinelos estavam perfeitamente alinhados, um rosa e outro azul. A sola do par azul já estava até um pouco gasta.

Na varanda, as roupas dos dois secavam lado a lado, como as de um casal.

A câmera então desceu, revelando uma profusão de flores coloridas.

Tatiane apareceu diante da câmera, com um sorriso radiante, apresentando uma por uma. Havia rosas, margaridinhas, onze-horas e buganvílias. Todas cultivadas por Francisco para ela. Sem nenhum motivo especial. Ele só queria vê-la mais feliz.

No nosso segundo ano de namoro, eu também comecei a cultivar flores na varanda, mas ele sempre se esquecia de regá-las.

Eu disse:

— Francisco, você não pode cuidar delas com um pouco mais de atenção?

Ele respondeu assim:

— São só flores.

Só. Essa palavra parecia existir apenas para mim.

No fim, eu era a única pessoa com quem ele nunca se importava de verdade.

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