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Capítulo 7

Author: Estrelas em Ascensão
Sandro segurava a pequena microcâmera entre os dedos, sentindo um abalo interno devastador. Em questão de segundos, a sua mente se esvaziou por completo, dominada pelo pânico.

"Uma câmera? Como é possível ter uma câmera escondida no meu escritório?", pensou ele, sentindo o suor frio escorrer pela nuca. "Se esse aparelho está aqui, isso significa que tudo o que eu e a Daniela fizemos..."

O terror absoluto ameaçou sufocá-lo, mas ele se forçou a respirar fundo, lutando para recuperar o controle. O mais urgente agora era descobrir quem havia plantado aquele dispositivo.

Como era de se esperar, a sua primeira suspeita recaiu sobre Olívia. No entanto, ao analisar a situação com mais calma, percebeu que a esposa talvez não tivesse nada a ver com aquilo. Ele não podia se desesperar antes da hora. Se Olívia soubesse da traição, era impossível que continuasse agindo com tanta passividade.

Como havia feito dias atrás, Sandro tentou convencer a si mesmo de que a esposa ainda o amava. Se ela tivesse visto qualquer coisa, o ciúme a faria armar um escândalo. Após recompor a postura, ele pegou o celular e enviou uma mensagem curta para ela.

[Venha até o meu escritório um instante.]

Olívia estava prestes a sair para o seu ateliê quando o aparelho vibrou. Ao ler o pedido do marido, ela mudou de direção e caminhou a passos tranquilos até o escritório.

Assim que cruzou a porta, encontrou Sandro parado ao lado da estante de livros, segurando um pequeno objeto redondo e escuro. Ela entendeu a situação de imediato. Sem demonstrar qualquer sobressalto, aproximou-se dele com uma expressão serena.

— Queria falar comigo? — Perguntou ela.

— Foi você quem instalou isso aqui? — Disparou Sandro, erguendo a microcâmera na altura dos olhos dela.

Quando Olívia escondeu aquele aparelho, já havia antecipado o momento em que ele o descobriria. Por isso, a sua reação foi de uma calma inabalável.

— Não. O que é isso? — Retrucou ela, franzindo a testa numa confusão fingida.

— É uma câmera de espionagem. Tem certeza absoluta de que não foi você quem a colocou aqui?

— E por qual motivo eu instalaria uma câmera no seu escritório? Por acaso você esconde algum segredo neste escritório?

A pergunta incisiva atingiu o empresário em cheio. Sentindo o peso da culpa, ele desviou o olhar, incapaz de sustentar a mentira.

— Se não foi você, então quem poderia ter sido? — Murmurou ele, com a voz vacilante.

— Será que não foi algum concorrente seu? Se alguém está tentando roubar informações confidenciais da sua empresa, duvido muito que tenha colocado escutas apenas na nossa casa.

A sugestão de Olívia foi calculada para desviar o foco, e a isca funcionou com perfeição. Sem perder tempo, Sandro pegou o telefone e ligou para o seu assistente.

— Faça uma varredura completa na minha sala agora mesmo e descubra se há algum equipamento de monitoramento escondido. — Ordenou ele, com o rosto sombrio.

Olívia manteve a postura impassível. Ela só havia direcionado a conversa por aquele caminho porque tinha preparado o terreno com antecedência. Pouco tempo depois, o assistente retornou a ligação com a resposta.

— Senhor Sandro, acabamos de encontrar duas microcâmeras escondidas no seu escritório na empresa!

Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Sandro, logo substituído por uma fúria avassaladora. O alívio vinha da certeza de que Olívia era inocente; a raiva, da audácia dos seus rivais comerciais em invadir a sua privacidade daquela forma.

Agora tudo fazia sentido. A queda brusca das ações nos últimos dias só podia ser resultado do vazamento de segredos corporativos que ele havia discutido ao telefone naqueles dois ambientes.

O mistério que o atormentava estava resolvido, e Olívia conseguiu sair ilesa da situação. Apesar disso, o susto deixou Sandro inquieto pelo resto do dia. A descoberta daquele aparelho soou como um alarme na sua cabeça, e o aviso venenoso de Daniela ecoava sem parar: "Não superestime o amor que ela sente por você."

A arrogância que sempre o acompanhou começou a dar lugar a uma preocupação silenciosa.

"E se a Olívia descobrir a verdade? O que vai acontecer se ela não suportar a traição?", ele se questionava, assombrado pela incerteza.

...

Enquanto o marido se afogava em paranoias, Olívia dedicava toda a sua energia ao torneio de perfumaria. O seu projeto principal, batizado de "Terra Desolada", dependia de um ingrediente crucial, a essência de rosa negra. Como o extrato estava em falta, ela passou horas testando diversas matérias-primas alternativas, mas nenhuma delas conseguiu reproduzir a fragrância exata que ela desejava.

Ela estava no meio de um bloqueio criativo, frustrada com os frascos sobre a mesa, quando o celular tocou, anunciando uma chamada de vídeo.

Ao ver o nome de Inês Vieira brilhar na tela, Olívia atendeu de imediato. O rosto de uma mulher com longos cabelos ondulados, olhos amendoados e um sorriso travesso preencheu o visor.

— Oi, minha linda! O que você está aprontando? — Cumprimentou Inês, cheia de energia.

Olívia apertou os olhos, reconhecendo o cenário ao fundo da imagem.

— Você voltou para o país? — Perguntou, surpresa.

Inês era a sua melhor amiga e trabalhava como editora sênior numa revista de moda. Devido a um projeto recente, ela havia sido transferida para a filial internacional por um período de seis meses.

— Vim só para uma reunião de emergência e volto amanhã de manhã. Você tem algum compromisso para hoje à noite? Vamos nos encontrar! — Sugeriu a amiga.

Inês já sabia de toda a confusão envolvendo a traição de Sandro. Mesmo com a agenda lotada, ela fazia questão de arrumar um tempo para apoiar Olívia.

— Claro, vamos sim. Nos encontramos no nosso lugar de sempre. — Concordou Olívia.

Já fazia dois meses que não via a amiga, e a saudade apertava o peito.

Às sete horas da noite em ponto, Olívia chegou ao Néctar Cocktail Bar. O ambiente sofisticado era o refúgio favorito das duas no passado, e ambas compartilhavam a mesma paixão pelo mojito servido ali. A bebida tinha um sabor suave e adocicado, com camadas complexas que deixavam um gosto marcante no paladar.

Assim que se acomodou num dos sofás reservados, ela pediu duas taças do coquetel e enviou uma mensagem de texto.

[Já cheguei. Vai demorar muito?]

Enquanto bebericava o seu drink, ela aguardou por uma resposta que não veio. Quando a primeira taça chegou ao fim e o silêncio no celular continuou, a preocupação tomou conta. Olívia decidiu ligar direto para ela. O telefone chamou várias vezes até que Inês atendeu, sussurrando do outro lado da linha.

— Amiga, me perdoa, eu ainda estou presa na reunião. Acho que o nosso editor-chefe perdeu o juízo de vez. Ele quer que eu pegue um voo de volta para a filial ainda hoje à noite. Não faço ideia do que aconteceu por lá, mas não vou conseguir te encontrar. Fica para a próxima, tá bom?

Olívia soltou um suspiro, aliviada por não ser nada grave.

— Sem problemas, a gente marca outro dia. Como você não respondia, fiquei com medo de que algo ruim tivesse acontecido.

Inês sentiu um aperto no coração. Justo no momento em que Olívia mais precisava de um ombro amigo, ela não podia estar presente. O silêncio prolongado na linha entregou a culpa da amiga, e Olívia percebeu na hora.

— Fica tranquila, eu estou bem. — Garantiu ela, com a voz doce. — Vai cuidar do seu trabalho antes que o seu chefe comece a gritar com você.

Após encerrar a chamada, Olívia puxou a segunda taça de mojito e bebeu tudo sozinha. Embora o coquetel não fosse forte, a mistura do álcool a deixou um pouco tonta. Sem a companhia de Inês, não havia motivo para continuar ali. Ela pegou a bolsa sobre o sofá e se levantou para ir embora.

No entanto, ao atravessar o salão principal, as suas pernas falharam. A visão ficou turva de súbito, e o chão pareceu girar. Olívia se apoiou no balcão do bar com uma das mãos e balançou a cabeça, tentando afastar a vertigem. Havia algo muito errado. Ela já havia tomado dois mojitos antes e nunca se sentira tão fraca e desorientada.

Avistando uma banqueta vazia ali perto, ela se sentou, decidida a descansar um pouco antes de chamar um carro. Apoiou a testa sobre os braços cruzados no balcão, acreditando que o mal-estar passaria em alguns minutos. Mas o cansaço foi avassalador, e o mundo ao seu redor apagou por completo.

Quando Olívia recuperou a consciência, percebeu que estava deitada numa cama espaçosa, dentro de uma suíte de hotel desconhecida. O seu corpo parecia pesar uma tonelada, como se estivesse sob o efeito de um feitiço paralisante. Ela tentou mover os braços, mas os músculos não obedeciam aos comandos do cérebro.

Enquanto o pânico tomava conta da sua mente, a porta do banheiro se abriu. Um homem corpulento caminhou na sua direção, segurando um brinquedo erótico que vibrava nas mãos dele. À medida que ele se aproximava, a luz revelou um rosto marcado por uma expressão repulsiva e maliciosa.

— Quem é você? O que você quer comigo? Onde nós estamos? — Exigiu Olívia, forçando a voz a sair firme, apesar do terror que a consumia.

O homem ignorou as perguntas, passeando os olhos pelo corpo dela com uma fome nojenta.

— Eu vim aqui para te dar muito prazer, boneca. Um prazer muito melhor do que o desse brinquedinho. Está a fim de experimentar? — Respondeu ele, abrindo um sorriso asqueroso.

— Não se atreva a encostar em mim! Se você me tocar, se considere um homem morto! — Ameaçou ela, com o rosto pálido como cera.

O agressor soltou uma risada rouca e deslizou os dedos ásperos pela pele macia do rosto dela.

— Ter a chance de brincar com um mulherão como você... ah, eu diria que vale a pena morrer por isso.

— Tire as mãos de mim! Sai daqui! — Gritou ela, tentando se afastar.

Os dedos do homem desceram pelo queixo dela, ignorando o desespero da vítima.

— Você diz que não quer agora, mas daqui a pouco vai estar implorando por mais.

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