ログイン
Samuel fixou o olhar na longa e sombria marca de sangue que se arrastava pelo chão, uma lembrança brutal do que havia acabado de acontecer.— Tudo bem, deixo você em paz. — Disse ele, com a voz carregada de uma exaustão profunda, rompendo o silêncio pesado do ambiente.Pouco tempo depois desse episódio, os dois foram ao cartório para oficializar o divórcio. Ele assumiu todas as dívidas que tinham juntos, permitindo que Vanda fosse embora e recomeçasse a vida longe daquela confusão. Esse gesto de renúncia foi o último traço de bondade que restou em seu coração.A partir daquele dia, a existência de Samuel mergulhou em um caos absoluto, resumindo-se a passar as horas trancado em casa, com um copo de bebida sempre na mão. Renata não suportava ver a degradação do filho e passava os dias implorando, em prantos, para que ele parasse de destruir a própria vida daquela maneira. No entanto, em vez de reagir ou se alterar, ele apenas a encarava com uma apatia assustadora.— Não era isso que voc
— A culpa é toda da Sabrina. — Continuou Renata, sem qualquer pingo de remorso. — Se ela não tivesse seduzido o meu filho desde o início, ele nunca teria ficado tão cego. Ainda bem que ela adoeceu. Eu só precisei jogar com a culpa, dizendo que ela ia arruinar o futuro do rapaz, e a tonta decidiu terminar tudo por conta própria.Renata deu uma risada seca antes de continuar a exaltar a nora.— Mas você foi esperta, Vanda. Fez muito bem em me avisar para que eu entregasse o convite de casamento da Sabrina para ele na hora certa. Sem aquele choque de realidade, o Samuel nunca teria aceitado casar com você. Confia em mim, conheço a cria que tenho. Quando ele passar por aquela porta, jogue toda a culpa nas minhas costas. Chora, faz um drama, usa essa criança que está na sua barriga. Garanto que ele vai abaixar a cabeça e viver em paz ao seu lado. Quanto à Sabrina, deixa isso para lá, a garota já está debaixo da terra.O tom de voz de Renata ficou ainda mais sombrio.— Mas admito que você me
Mas, mesmo que ele perguntasse, era quase certo que Sabrina manteria o silêncio. Afinal, ela sempre carregou aquela doçura na superfície, mas, por dentro, sua determinação era de ferro; uma vez que tomasse uma decisão, era impossível fazê-la recuar.Isso ficou claro na época das provas no ensino médio. Sabrina estava com tantas dores de estômago que mal conseguia sair da cama. Ainda assim, para não prejudicar o desempenho dele nos estudos, fingiu que estava tudo bem e fez questão de acompanhá-lo até a porta da sala de aula. Só depois de garantir que ele faria o exame em segurança é que ela permitiu que seu corpo cedesse, desmaiando no corredor da escola."Mas, mesmo que eu perguntasse, ela não me contaria.", pensou ele, enquanto uma dor aguda tomava conta de seu peito. O tormento se intensificava toda vez que a lembrança do restaurante invadia sua mente. Aquele momento sombrio em que ele a empurrou para o chão.Durante todos esses dias, Samuel fez de tudo para apagar aquela cena. Na no
Na véspera do casamento, com as mãos trêmulas, ele tentou uma última cartada. Para sua surpresa, Sabrina não só não atendeu, como o havia bloqueado nas chamadas e no WhatsApp."O noivo dela é tão importante assim?", pensou, sentindo o gosto amargo da rejeição. "Importante a ponto de ela não querer manter nem a nossa amizade?"No fim das contas, tentou se convencer de que era melhor assim. Pelo menos agora poderia enterrar as esperanças de vez, focar no compromisso com Vanda e se esforçar para ser um bom pai.O dia da cerimônia passou como um borrão acelerado diante de seus olhos. Durante todo o evento, Samuel não parou de procurar o rosto de Sabrina entre os convidados, mas nem ela nem Maria deram as caras. Ao notar que os lugares reservados para a família dela haviam sido ocupados por outros conhecidos, uma dor aguda e insistente voltou a castigar seu peito.A verdadeira tormenta, porém, desabou durante o brinde, quando a festa já se encaminhava para o fim. Assim que ele se aproximou
Samuel não conseguia entender o porquê, mas sempre que se lembrava daquele último olhar de Sabrina, um misto de amor profundo, despedida e até mesmo uma dor agonizante, um pânico incontrolável tomava conta do seu peito. Mesmo quando o médico confirmou que o bebê de Vanda estava fora de perigo, ele não sentiu o menor traço de alegria. Assim que Vanda adormeceu no quarto do hospital, ele correu para ligar para Sabrina, movido por uma urgência que mal conseguia explicar.Afinal, o relacionamento com Vanda não passava de um acidente. Ela era sua colega mais nova na faculdade de medicina no exterior e o havia perseguido por longos oito anos. No sexto ano dessa insistência, Vanda o embriagou de propósito e, vestindo-se e agindo como Sabrina, conseguiu levá-lo para a cama. Quando a lucidez voltou e a verdade veio à tona, Samuel pediu desculpas, mas foi categórico ao afirmar que não nutria nenhum sentimento por ela e que jamais conseguiria amá-la. Por mais que Sabrina tivesse se afastado e dei
— Me descontrolei e dei um tapa nela, mas em seguida ela veio para cima de mim e me empurrou com toda a raiva do mundo! — Vanda continuava choramingando, aninhando-se nos braços do noivo. — Você sabe como a minha saúde é frágil agora que estou grávida. Meu corpo não aguenta nenhum tipo de choque!Ouvir aquela enxurrada de mentiras me deixou pregada no chão, em estado de choque. Meus lábios tremiam tanto que precisei de algumas tentativas antes de conseguir formular uma frase em minha defesa.— Samuel, por favor, me escuta... As coisas não aconteceram assim. Eu juro que não fiz isso.Porém, ele não queria saber da minha versão. A raiva o cegou por inteiro, e ele explodiu em um rugido ensurdecedor que ecoou pelo salão:— Como você consegue ser tão perversa, Sabrina? Oito anos atrás, você não teve a decência de ser fiel e me traiu com outro cara. Agora, logo quando estou prestes a me casar, você de repente decide que me quer de volta e tem a coragem de agredir a minha noiva? Você achou qu







