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Capítulo 5

작가: Washing Wheat
— Você está só pele e osso, e ainda inventa essa história de dieta. — Resmungou Samuel.

Aquela preocupação repentina vinda dele causou um aperto agonizante no meu peito, uma mistura de dor e saudade que quase me sufocou. No entanto, engoli a emoção o mais rápido que pude e abri um sorriso contido.

— O Heitor gosta de mulheres mais magras. — Respondi.

Heitor Costa era o suposto amante que Renata havia inventado para mim no passado. Desde o dia em que Samuel foi embora do país, furioso com a minha falsa traição, nós nunca mais tínhamos nos visto.

Agora, ao ouvir o nome de outro homem sair da minha boca, o rosto dele se contorceu em uma expressão sombria de raiva contida.

Sentada ao lado dele, Vanda percebeu o clima pesado e tratou de intervir, abrindo um sorriso compreensivo na minha direção.

— Não leve a mal, Sabrina. O Samuel é médico, então ele perde a paciência quando vê alguém fazendo dietas malucas. Quando morávamos fora, ele vivia brigando comigo porque eu cismava em emagrecer. — Ela virou o rosto para o noivo, buscando a confirmação com um olhar afetuoso. — Não é verdade, meu amor?

Ele, por sua vez, ignorou a pergunta da mulher. Levantou-se de supetão, empurrando a cadeira com força para trás, e declarou entredentes:

— Vou ao banheiro.

Sem lançar um único olhar para mim ou para Vanda, ele deu as costas e sumiu pelo corredor. Fiquei acompanhando a figura dele se afastar, sentindo aquele mesmo nó na garganta voltar a apertar.

Será que estraguei tudo de novo? Destruí a paz da nova vida dele, atrapalhei o seu novo amor?

A culpa começou a me corroer por dentro. Antes que eu pudesse lidar com aqueles sentimentos, Vanda, que estava sentada do outro lado da mesa, pegou um copo de água quente e atirou o líquido com toda a força direto no meu rosto.

— Sua sonsa descarada, você acha que sou idiota? — Ela sibilou, deixando a máscara de simpatia cair por terra. — Fica aí se fazendo de coitada o tempo todo, tentando seduzir o meu noivo na cara dura!

A minha pele ardia com a temperatura da água, mas eu apenas fechei as mãos em punhos, cravando as unhas nas palmas para suportar a humilhação em silêncio. Abaixei o olhar e murmurei, carregando o peso da minha própria culpa:

— Sinto muito. Se eu fiz algo que causou um mal-entendido, peço desculpas.

Em resposta, Vanda soltou uma risada de escárnio. Ela se levantou da cadeira, caminhou a passos firmes até mim e acertou um tapa estalado no meu rosto.

— Você acha mesmo que fingir ser uma aleijada vai fazer o Samuel voltar correndo para os seus braços? — Ela cuspiu as palavras, cheia de ódio. — Preste muita atenção, porque o Samuel vai ser meu para o resto da vida. Não pense que, só por ser o primeiro amor dele, você tem alguma chance de roubá-lo de mim.

A minha bochecha latejava, adormecida pela força do golpe. Eu até poderia suportar a água no rosto sem reclamar, afinal, no fundo eu sabia que era egoísmo da minha parte ainda ansiar pela ternura dele. Porém, agressão física já era passar dos limites, e o meu instinto de defesa falou mais alto. Sem pensar duas vezes, levantei as mãos e a empurrei para longe.

— Se você se atrever a encostar a mão em mim de novo, Vanda, eu chamo a polícia, — Avisei com a voz trêmula.

Assim que terminei de falar, para o meu espanto, ela se jogou no chão de forma teatral. Em questão de segundos, começou a se contorcer e a gritar a plenos pulmões, chamando a atenção do restaurante inteiro:

— Ai, a minha barriga! Socorro, por favor! Essa mulher está agredindo uma grávida!

Fiquei paralisada, olhando da figura caída no chão para as minhas próprias mãos, sem conseguir acreditar no teatro que estava acontecendo. Eu lutava contra uma doença havia oito longos anos. Meu corpo estava tão frágil que o simples ato de vestir uma roupa me deixava exausta, e às vezes eu mal conseguia segurar um copo de água sem tremer. Era impossível que eu tivesse força para derrubar alguém daquele jeito. O meu empurrão tinha sido apenas um reflexo instintivo para evitar apanhar mais. E, mesmo assim, lá estava ela, fazendo o maior escândalo.

Enquanto eu tentava processar aquela cena absurda, sem saber como reagir, Samuel despontou na entrada do salão. Ao ver a noiva caída, o pânico tomou conta do rosto dele. Ele correu desesperado em nossa direção e se ajoelhou ao lado dela.

— Vanda! Vanda, o que aconteceu com você?

No mesmo instante, ela desabou em um choro escandaloso, agarrando a gola da camisa dele com os dedos brancos de tanta força.

— Samuel, me ajuda! Salva o nosso bebê! A Sabrina tentou me matar! — Soluçava ela, fazendo o seu melhor papel de vítima. — Foi só você virar as costas para ela começar a me humilhar. Ela disse que você era o lixo que ela tinha jogado fora, mas que bastava estalar os dedos para você voltar rastejando para os pés dela. Eu não aguentei ouvir isso... Acabei perdendo a cabeça e joguei um copo de água nela. Mas aí ela ficou furiosa! Começou a me xingar de tudo quanto é nome, me chamou de vadia dissimulada e disse que eu adorava catar os restos que ela deixava para trás!

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