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Capítulo 3

Author: Shirley
Ryder ainda me segurava, forçando meu olhar a encontrar o dele.

— Se você quer morrer, tudo bem. Mas não arraste a família Conti com você.

Sua voz saiu baixa, mas o medo tremia por trás das palavras.

— Falsificar o selo dos Vettori e dizer o nome do Padrinho em público. Emilia, quer condenar todos nós?

Os Soldatos, que até então se divertiam com o espetáculo, empalideceram na hora.

Qualquer um neste mundo sabia o preço de se passar por alguém da família Vettori.

Era uma passagem só de ida pro fundo do Hudson, selada num tonel de concreto.

Alguns dos mais covardes até recuaram um passo, me olhando como se eu fosse uma praga.

— Porra, Emilia, você ficou maluca? A gente suou sangue pra conseguir esse trabalho hoje! — Um deles me apontou, o dedo tremendo.

— Chefe, ela tá provocando os Vettori com essa bijuteria barata! Quer fazer parecer que os Conti estão desafiando eles!

— É vingança! Não acredito que ela teve coragem de bolar um plano tão sujo.

Ryder me empurrou com força, limpando a mão no paletó como se meu toque tivesse contaminado ele.

— Louca do caralho.

— Três anos na rua e não aprendeu nada, né?

Levantei o queixo. A mandíbula latejava, mas meu olhar permaneceu firme, imóvel como um lago congelado, fixo nele.

Talvez nunca tivesse me visto assim. Ficou paralisado, as palavras travadas na garganta.

Um dos capangas — infiltrado por Carmela — viu a chance de agradar e soltou, com um sorriso torto:

— Chefe, não se deixe enganar. Essa mulher tá cheia de rancor. Quer acabar com sua aliança com os Rossi.

— É ciúmes puro. Se ela tá na merda, quer arrastar todo mundo com ela.

Ryder pareceu achar a explicação razoável.

Talvez a palavra "ciúmes" tivesse massageado o ego miserável dele.

Ficou em silêncio por alguns segundos, depois puxou um maço grosso de dinheiro do paletó e enfiou na minha mão como se eu fosse uma pedinte.

— Tá bom. Pelos velhos tempos, vou te ajudar só mais essa vez.

— Aqui tem vinte mil dólares. Vai pra cidade, arruma um hotel decente, toma um banho e compra roupas de gente. Você precisa esconder esse visual lamentável.

Sacudiu o paletó com indiferença.

— Fica tranquila. Hoje eu sou Capo de vários distritos. Isso aí é troco de pinga pra mim.

Olhei pro dinheiro nas mãos. Quase ri.

Na Sicília, Zayn me deu um cartão preto com limite infinito como mesada.

Vinte mil?

Não dava nem pra cobrir o preço de um pincel artístico que ele me presenteou sem pensar.

Mas Ryder achava que esse era o momento que eu sonhava. O instante em que eu me ajoelharia, chorando de gratidão, vendendo minha dignidade por um punhado de notas.

Com um rompante de força, arranquei meu pulso da mão dele.

O maço de dinheiro bateu no asfalto com um estalo seco, as notas se espalhando, levadas pelo vento.

— Não é necessário, senhor Conti. — Minha voz saiu fria como gelo.

— Não aceito esmola de estranho. É suja.
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