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3.1

last update publish date: 2026-10-15 17:05:04

Foi uma risada curta, baixa, quase um latido, mas era genuína — e o som dela fez algo estranho no peito de Aurora, algo que ela recusou-se a nomear.

— Então continue avaliando — disse ele, desabotoando o cinto. — Mas faça isso de dentro da banheira. A água vai esfriar.

Aurora hesitou por apenas um segundo antes de alcançar as costas e desabotoar o sutiã. Ela o deixou cair no chão ao lado do vestido e, sem olhar para Dante, deslizou a calcinha pelas pernas e pisou fora dela. As meias ela deixou — não conseguia se forçar a tirá-las com ele olhando, e de alguma forma aquela pequena barreira de seda a fazia sentir-se menos exposta.

Ela entrou na banheira.

A água estava quente, quase escaldante, e o choque térmico contra sua pele fria arrancou-lhe um suspiro involuntário. O vapor subiu ao seu redor, envolvendo-a como um abraço, e por um instante Aurora fechou os olhos e permitiu-se relaxar. O cheiro de lavanda encheu seus pulmões, e ela sentiu os músculos das costas — tensos desde a manhã, desde antes da cerimônia, desde que encontrara Enzo no quarto escuro — começarem a ceder lentamente.

Ouviu o som de Dante entrando na água atrás dela.

A banheira era grande o suficiente para que eles não se tocassem, mas Aurora sentiu a presença dele como se fosse um campo de força, ocupando cada centímetro de espaço ao seu redor. A água se moveu, ondulando contra sua pele, e ela abriu os olhos para encontrar Dante sentado a um braço de distância, recostado contra a borda de pedra, os braços estendidos ao longo das laterais, os olhos fixos nela.

— Você vai me encarar a noite inteira? — perguntou ela, repetindo a pergunta que fizera no quarto.

— Provavelmente — respondeu ele, sem qualquer vergonha. — Você é interessante de se olhar.

— Isso é um elogio ou uma ameaça?

— Depende do que você fizer com isso.

Aurora desviou o olhar, observando as bolhas de sabão flutuando na superfície da água. O silêncio entre eles se estendeu por longos segundos, preenchido apenas pelo som distante do vento e pelo crepitar das velas. Ela sentia o peso da pergunta que precisava fazer, mas temia a resposta. Temia mais ainda o que aquela resposta poderia significar para o resto de sua vida.

— Dante.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— O nome do seu marido. Está aprendendo.

— Vou fazer uma pergunta — disse Aurora, ignorando a provocação. — E quero a verdade. Não importa o que seja.

— Eu nunca minto, Aurora. Minto para inimigos. Para esposas, sou brutalmente honesto.

— Você vai me forçar a fazer sexo com você?

A pergunta pairou no ar entre eles, pesada como chumbo.

Dante a encarou por um longo momento. Seus olhos cinzentos eram ilegíveis, duas tempestades contidas atrás de um vidro fosco. E então, lentamente, algo mudou em seu rosto. Seus lábios se curvaram, e ele riu.

Não foi uma risada curta como antes. Foi uma gargalhada baixa e profunda, que ecoou pelas paredes de mármore do banheiro e fez a água vibrar ao redor deles. Dante Salvatore riu como se Aurora tivesse contado a piada mais absurda que ele já ouvira em toda a vida, e o som era tão inesperado, tão desconcertante, que ela sentiu o rosto arder de vergonha e raiva.

— Do que você está rindo? — exigiu ela, e sua voz saiu mais aguda do que pretendia.

Dante parou de rir, mas o sorriso permaneceu — aquele sorriso torto, cruel, que fazia o sangue de Aurora ferver.

— Você realmente acha que eu preciso forçar alguém a dormir comigo? — perguntou ele, inclinando a cabeça. — Que eu precisei arrastar mulheres para a cama a vida inteira?

— Você é um mafioso. Violência é o seu negócio.

— Violência é o meu negócio, sim. Mas sexo não é violência, Aurora. Pelo menos não do jeito que você está insinuando. — Ele se inclinou para frente, a água ondulando ao redor de seu peito, e seus olhos nunca deixaram os dela. — Você quer saber a verdade? A verdade é que eu nunca precisei forçar uma mulher na minha vida. Nem uma. As mulheres imploram para se deitar comigo.

— Isso é arrogância.

— Isso é fato. — Ele ergueu a mão e começou a contar nos dedos, um por um, com uma calma que era mais insultuosa do que qualquer grito. — Filhas de diplomatas. Esposas de empresários. Herdeiras de famílias rivais. Atrizes, modelos, advogadas. Todas elas sabem quem eu sou, todas elas sabem o que eu faço, e ainda assim... — Ele fez uma pausa, e seu sorriso se alargou. — ...ainda assim, elas vêm. Elas sempre vêm. E você vai fazer o mesmo.

Aurora sentiu o sangue subir ao rosto.

— Eu nunca vou implorar para você.

— Você vai. — Dante recostou-se novamente, a água subindo ao redor de seus ombros. — Não hoje. Não amanhã. Talvez nem este ano. Mas um dia, você vai olhar para mim e vai querer. Vai querer tanto que vai esquecer que me odeia. Vai querer tanto que vai implorar. E quando isso acontecer... — Ele inclinou a cabeça, e a chama de uma vela próxima dançou em suas íris cinzentas. — ...eu vou me lembrar deste momento. E vou rir.

— Você é um bastardo.

— Sou. Mas sou o seu bastardo.

Aurora mergulhou a cabeça na água para não ter que responder.

O calor a envolveu, abafando o som do mundo, e por alguns segundos ela ficou submersa, os olhos fechados, os cabelos flutuando ao redor de seu rosto como algas. Quando emergiu, ofegante, Dante estava mais perto. Não muito — talvez meio braço de distância — mas perto o suficiente para que ela pudesse ver as gotas de água escorrendo por seu peito, o vapor subindo de sua pele, a intensidade com que ele a observava.

— Se você não vai me forçar — disse Aurora, limpando a água dos olhos —, o que vai fazer? Vai me trancar no quarto e esperar que eu mude de ideia?

— Não. Vou fazer exatamente o que combinei com o seu pai. Vou manter a aliança entre as famílias. Vou proteger você dos inimigos que querem sua morte. E vou esperar.

— Esperar pelo quê?

— Pelo momento em que você vai perceber que me quer tanto quanto eu quero você.

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