Aurora abriu a boca para responder, mas as palavras morreram em sua garganta. Havia algo na forma como ele disse aquilo — uma certeza tão absoluta, tão inabalável, que ela não conseguiu encontrar argumento. Dante não estava blefando. Ele acreditava no que dizia com a mesma convicção com que respirava.— Agora — disse ele, mudando de tom abruptamente, como se a conversa tivesse sido encerrada —, vire-se. De costas para mim.— Por quê?— Porque você tem cicatrizes nas costas. Eu vi quando tirei seu vestido. E vou cuidar delas.Aurora o encarou, incrédula.— Você vai cuidar das minhas cicatrizes?— Sim. Vire-se.Ela hesitou, mas havia algo na voz dele que não admitia recusa. Lentamente, virou-se na água, de costas para Dante, os braços cruzados sobre o peito. Através do vapor, ela podia ver o reflexo de ambos no mármore polido do chão — duas figuras borradas, unidas pela água fumegante.Ouviu o som de Dante se movendo atrás dela. Depois, o barulho de um frasco sendo aberto, e o cheiro de
Last Updated : 2026-10-15 Read more