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De volta ao " lar"( matteo)

last update publish date: 2026-09-25 21:14:50

Assim que me vi na intimidade do meu apartamento, tomei um banho longo e morno, vesti um conjunto folgado de moletom e me afundei no confortável sofá em forma de L.

— Você não quer que eu chame um médico para te examinar?

— Não será necessário. Sinto-me melhor. Mas se me trouxeres um copo de uísque com bastante gelo, serei grato.

— Não acredito que vais beber! Deves tomar um analgésico e descansar.

— Esqueces que sou lutador, não é mesmo? Essa surra não é nada comparada a tantas outras que recebi no ringue — e mesmo assim me levantei. Prepara logo o meu uísque.

E assim Gabriel fez. Enquanto bebia, aquele rosto angelical surgiu na minha mente.

— Estava preocupado contigo, Matteo. Se não tivesses ligado, eu teria chamado a polícia.

— Que exagero.

— Ágata contou à irmã, que me contou o que aconteceu entre vocês dois. Diz-me: o que está havendo?

— Acabei confundindo… imaginei que quem estava nos meus braços era Katy, não Ágata. E bem, podes imaginar o que aconteceu em seguida.

— Nunca vais esquecer aquela mulher, Matteo?

— Já esqueci. Agora o que sinto é ódio.

— E aquela mocinha que te ajudou? Conheces ela?

— Na verdade, não. É uma desconhecida completa, e mesmo assim me socorreu. Só lamento que não tenha aceitado o cheque que lhe ofereci como gratidão.

— Isso prova que ainda existe gente boa no mundo.

— Boa e linda, Gabriel. Aqueles cabelos escuros e sedosos, aqueles olhos que mais pareciam jabuticabas maduras, aqueles lábios com gosto de mel… quando a beijei, senti que jamais conseguiria soltá-la.

— Beijaste-a?

— E como beijei! Ainda sinto a pele dela macia e perfumada junto à minha. Se não estivesse ferido, teria feito amor intensamente com aquela mulher.

— Julguei que não fosse o teu tipo. Sempre gostaste de mulheres como a irmã dela: altas, esguias… Reparaste que ela tem uma dificuldade numa das pernas?

— Machucou-se ao tentar me ajudar a entrar.

— Sério? Pensei que… deixa para lá.

Estendi o copo vazio em sua direção. Ele entendeu o recado e, a contragosto, encheu novamente.

— Já reparei que tens bebido demais, Matteo. E não só bebido — fumado também. Espero que não estejas usando aquelas porcarias outra vez.

— Se te referes ao narguilé e à maconha, não vou mentir: consumo às vezes, à noite, quando perco o sono ou me sinto para baixo.

Gabriel olhou-me decepcionado. Como se fosse o primeiro… mas eu já estava acostumado a decepcionar quem amo.

— Acho melhor ires, Gabriel. Voltas depois. Quero descansar.

— Vou agora mesmo. E espero que ouças o meu conselho: para com essas coisas de uma vez, esquece Katy e refaz a tua vida. Aliás, quando estiveres melhor, procura Ágata. Ela merece um pedido de desculpas.

Quando fiquei sozinho, deixei a mente vagar pelo passado.

— Matteo, querido, tenho uma novidade para te contar.

— Diz, meu amor.

— Estou grávida.

Beijei sua barriga ainda lisa inúmeras vezes, abracei-a com toda a alegria do mundo e sussurrei o quanto a amava.

Tolo. Tolo demais. Era nisso que Katy havia me transformado. Ali estava eu, radiante, achando que ganharia um filho… quando na verdade, o que vinha era um irmão.

Enchi o copo de novo e bebi de um gole só. O gosto amargo arranhou minha garganta. Repeti até que a garrafa estava vazia. Cambaleante, fui até o quarto e caí sobre os lençóis.

Mais tarde, minha mãe e minha irmã vieram me visitar. Ficaram chocadas com o que viram.

— Filho, o que foi? Estás horrível.

— Foste atropelado por um caminhão, maninho?

— Quase isso, Eve. Mas não te preocupes, estou bem.

— Devia estar acostumada a te ver sempre cheio de hematomas — observou minha mãe. — E falando nisso: quando é a próxima luta?

— No próximo fim de semana, mana.

— Não sei por que insistes nesta profissão tão violenta, filho. Poderias assumir os negócios da família.

— Não me interesso pela fábrica, mãe. Sou feliz fazendo o que faço.

— Que tal um café? — perguntou Eve, esperta, vendo a discussão se formar.

— Seria ótimo. Onde está o pó, Matteo?

— Não tem, mãe. Faz tempo que não tomo café.

— Mas o que comes no desjejum?

Levantei a garrafa vazia. Minha mãe me fuzilou com o olhar.

— Tu não tens jeito, Matteo.

Abriu a geladeira e quase caiu para trás.

— Não há nada aqui além de água e bebida! O que tens comido, filho?

— Não sinto muita fome. Às vezes peço uma pizza ou um lanche.

— Isso não pode continuar! Não permitirei que um Montana morra de fome. Vem, Eve, vamos ao supermercado.

— Não precisa, mãe…

Foi o mesmo que falar com as paredes. Já as vi arrastando-se para fora, decididas.

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