Mag-log inMatteo Montana tem tudo o que o dinheiro pode comprar, é um CEO bilionário, poderoso e temido. Mas, por trás da imagem impecável, esconde um homem ferido, que afoga suas dores no álcool e nas drogas e fez da violência uma forma de lidar com os próprios fantasmas. Lolita Fernandes conhece a vida por outro caminho. Depois de um acidente trágico que tirou a vida de seus pais e deixou sequelas permanentes em uma de suas pernas, fazendo com que ela fosse alvo de preconceito, ela precisou recomeçar. Com coragem e determinação, vende bolos no pote pelas ruas para sustentar a casa e construir, à sua maneira, um futuro melhor. De mundos totalmente opostos, Matteo e Lolita jamais deveriam se encontrar, mas, quando seus caminhos se cruzam de um modo não convencional, a doçura dela desafia a amargura dele e sentimentos inesperados começam a nascer. Será que Lolita conseguirá enxergar o homem escondido sob a raiva e a dor ? E Matteo será capaz de enfrentar seus vícios, seus preconceitos e o próprio passado, e se entregar mais uma vez ao amor? Entre feridas e recomeços, os dois descobrirão se o amor pode abrir caminho onde antes só havia dor.
view moreA fumaça esbranquiçada e espessa do narguilé preenchia meu quarto como um véu sufocante, e eu sentia um prazer doentio nisso, como se cada tragada fosse uma forma de anestesiar a alma. Observava as chamas insinuantes dançando sensualmente na minha frente, como uma mulher promíscua que se oferece sem pudor. Aliás, me pergunto se por acaso existe alguma mulher que não seja promíscua. A dúvida me corroía, mas logo a imagem nítida de Katy atravessou minha mente, seus cabelos loiros esvoaçantes, seu corpo curvilíneo que noite após noite eu havia amado, e aquele sorriso traiçoeiro que me cativou, transformando-me num tolo. Maldita, mil vezes maldita, como eu a odeio profundamente, como eu queria ter sido eu seu carrasco.
Me acomodei debaixo dos confortáveis lençóis, o cheiro de menta e tabaco servindo como uma canção de ninar, me transportando para a terra dos sonhos, mas os sonhos não eram refúgio, eram prisões. O sol majestoso brilhava no céu como se dissesse: “Mais um dia inicia, a vida continua.” Irritado, fechei as cortinas. Dentro de mim não havia lugar para luz, depois de um banho quente, entrei no meu Porsche vermelho e me dirigi ao tatame, onde treinaria para minha próxima luta, marcada para o próximo fim de semana. — Achei que não fosse vir mais, Matteo. — E por acaso já falhei com meus compromissos, Amauri? — Parece que alguém não dormiu bem... Amauri não era apenas meu treinador, era como um pai para mim. Acreditou no meu potencial, me apoiou quando mais precisei, conhecia-me como conhecia a si mesmo. Começamos os treinamentos, mas hoje eu não estava rendendo. Estava perdido em pensamentos, afogado em lembranças. — Soca com mais força, Matteo. Você parece que está acariciando o saco de pancadas. Pense que ele é o seu pior inimigo. Fechei os olhos e, em vez de ver o saco de pancadas, visualizei meu pai ali parado, sorrindo cínico para mim. O ódio correu como veneno por minhas veias. Logo comecei a socar com toda minha força, como se minha vida dependesse disso. Cada golpe era uma catarse, cada impacto uma tentativa de matar o fantasma que me perseguia. — Matteo?? Matteo! Fitei atônito Amauri, que me olhava como se eu houvesse enlouquecido. — Você parecia um louco desvairado. — Vamos continuar o treinamento ou não? O saco de pancadas foi substituído por Gabriel, companheiro de profissão e grande amigo. Soquei com gosto. Era melhor treinar com alguém que revidava do que com um objeto inanimado. Isso fazia a adrenalina percorrer cada fibra do meu corpo, lembrando-me que eu ainda estava vivo. — Bom, pessoal, por hoje é só pronunciou Amauri. Antes de alcançar meu Porsche, Gabriel me interceptou. — O que você quer, Gabriel? — Já faz um tempo que não nos falamos, Matteo. Gostaria de sairmos como antes, tomarmos um drink como velhos amigos que somos... Abri a porta do Porsche e Gabriel se acomodou ao meu lado. — Para onde? — Um drink cairia muito bem agora. O bar estava mergulhado em penumbra, iluminado por lâmpadas amareladas que pendiam do teto como velhas sentinelas, o cheiro de álcool misturado ao suor humano impregnava o ar. Risadas estridentes ecoavam, zombando da minha miséria. Virei o quinto copo de whisky, que desceu amargo pela garganta, o álcool, juntamente com o tabaco, havia se tornado minhas companheiras inseparáveis. — Você não parece bem, Matteo... Sabia perfeitamente aonde Gabriel queria chegar, mas mascarei um largo sorriso nos lábios, que mais parecia a risada do Joker, estava ciente que parecia ainda mais maluco do que o habitual. — Nunca estive melhor, velho amigo. Gabriel me olhava com preocupação genuína, mas eu não queria sua piedade. Ele não entendia que dentro de mim havia um campo de batalha constante. Katy, meu pai, minhas derrotas, meus medos. Tudo se misturava em um coquetel venenoso que eu engolia sem hesitar. — Você precisa se cuidar, Matteo. Essa luta não é só no tatame, é dentro de você. As palavras dele ecoaram como um sermão, eu odiava sermões mas, no fundo, sabia que ele tinha razão. O whisky queimava, mas não apagava o fogo que ardia em mim. O tabaco me envolvia, mas não sufocava os gritos internos. Eu estava vivo, mas não sabia se queria continuar assim. O barulho ao redor parecia distante. As pessoas riam, se divertiam, mas para mim tudo era apenas ruído. Gabriel falava, mas sua voz se perdia. Eu o observava, tentando decifrar se sua preocupação era genuína ou apenas curiosidade. Talvez fosse o último resquício de amizade verdadeira que me restava. De repente, lembrei-me de Amauri. Sua voz firme, seu olhar paternal. Ele acreditava em mim, mas eu não acreditava em nada, nem em mim mesmo. O treino era apenas uma desculpa para extravasar a raiva, a luta no próximo fim de semana seria apenas mais uma batalha externa, enquanto a guerra interna continuava sem trégua. — Matteo, você ainda tem escolha. Não precisa se perder nesse caminho. Gabriel insistia, eu sorri, um sorriso lento e cruel. — Escolha? Minha escolha já foi feita há muito tempo. O silêncio pairou entre nós, o bar continuava vivo, mas dentro de mim reinava a escuridão. O Porsche me esperava lá fora, vermelho como o sangue que corria em minhas veias. Eu sabia que a noite não terminaria ali,o whisky não seria suficiente, o tabaco não seria suficiente, nada seria suficiente. Enquanto dirigia pelas ruas iluminadas por postes solitários, senti o peso da solidão. Katy era um pesadelo constante ,meu pai era apenas um fantasma, Amauri era um guia que eu não sabia se queria seguir, e Gabriel... Gabriel era apenas um lembrete de que eu ainda não estava completamente sozinho. Mas até quando? O motor rugia, e eu acelerava como se quisesse fugir de mim mesmo mas não havia fuga. A fumaça, o álcool, o suor, o sangue, tudo fazia parte de mim, e eu era Matteo, o lutador, o traído, o filho rejeitado, o amigo perdido, eu era um homem em guerra, e a guerra não tinha fim. .Aquelas palavras ecoaram pelo quarto como um tiro no meu peito. Por um instante, não consegui reagir. O ar pareceu desaparecer, e minhas pernas fraquejaram sob o peso de uma verdade que eu não estava preparada para ouvir. Ainda há poucos minutos, eu acreditava que estávamos começando a construir uma vida juntos. Agora, cada uma das minhas certezas desmoronava diante dele.— Como é? murmurei, chocada, incapaz de assimilar a crueldade da afirmação.Matteo não desviou os olhos. A expressão, antes marcada por uma ternura que eu julgara sincera, endureceu até se tornar quase irreconhecível. Ele parecia decidido a me fazer entender, mas não a se preocupar com o modo como aquelas palavras me atingiam.— Eu não quero filhos, Lolita. Fui bem claro?Levei alguns segundos para responder. A garganta se fechou, e precisei engolir em seco antes de tentar falar. Eu sabia que aquele assunto era importante. Sabia que deveríamos conversar sobre ele com calma, como duas pessoas que planejavam dividir a
Deitada ao lado de Matteo, apoiei o rosto em seu peito nu, firme e marcado pelo perfume que eu tanto amava. Era uma sensação acolhedora e inexplicável estar ali, envolvida por seus braços, sentindo o pulsar constante de seu coração. O início do nosso casamento não fora nada parecido com o que eu desenhara em meus sonhos de infância. Tantas tempestades haviam desabado sobre nós em tão pouco tempo, tantas feridas do passado dele haviam vindo à tona... Mas, quando estávamos assim, no silêncio do nosso quarto, todas as sombras pareciam evaporar.Nesses momentos, a minha razão fugia completamente de mim. Eu me entregava a uma onda de afeto tão avassaladora que, às vezes, sentia um medo genuíno desse sentimento. Era um amor profundo, visceral, que me mantinha cativa e vulnerável a qualquer gesto ou palavra dele.— Te amo muito, Matteo… sussurrei com a voz embargada de carinho, rompendo a quietude do quarto.Matteo, que até então parecia distraído encarando o teto com o olhar perdido em p
Terminado o banho, percebi que Matteo precisava de um momento de isolamento para se recompor. Sequei minhas mãos, dei-lhe um beijo terno na testa e saí do banheiro, fechando a porta para lhe dar toda a privacidade necessária para se secar e se vestir com calma.Caminhei até a cozinha, disposta a cuidar da saúde fragilizada do meu marido. Preparei uma sopa leve e nutritiva, com legumes frescos e um caldo suave, ideal para um estômago agredido pelo excesso de álcool. Acomodei a tigela fumegante em uma bandeja charmosa, acrescentei um copo de água fresca e rumei de volta para o quarto.Ao cruzar a porta, encontrei Matteo em pé ao lado da cama. Ele terminava de secar os cabelos escuros com uma toalha felpuda. Meu olhar maroto, no entanto, desviou-se inevitavelmente para a calça de moletom cinza que ele vestira. Ela estava caída perigosamente baixa em sua cintura, revelando a linha marcada do seu quadril e a entrada do seu abdômen definido. Sentindo minhas bochechas esquentarem novamente
Matteo dormiu ininterruptamente durante todo o dia. O sol cruzou o céu, a tarde caiu e a noite voltou a tomar conta da cidade enquanto eu permanecia ao seu lado, trocando compressas frias sobre sua testa e velando seu sono agitado. Já estava desesperada, cogitando seriamente a ideia de chamar um médico para examiná-lo, quando ele finalmente deu sinais de despertar. Entretanto, sua primeira reação ao abrir os olhos não foi falar comigo. Tomado por uma náusea súbita e violenta, Matteo saltou da cama cambaleando, correu em direção ao banheiro e ajoelhou-se diante do vaso sanitário. Durante quase meia hora, o som angustiante de seus espasmos e vômitos ecoou pelo cômodo.Aproximei-me devagar, parando na batente da porta e observando a cena com o coração apertado.— Matteo... Você está bem? perguntei, a voz doce repleta de cuidado.Não obtive nenhuma resposta verbal, apenas o som arfante de sua respiração descontrolada. Tomei coragem e entrei no ambiente. Matteo estava sentado diretamente


















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