LOGINQuando seu pai anuncia uma disputa pela presidência do império hoteleiro da família, Camila Valença exige uma oportunidade para competir contra os irmãos. Mas existe uma condição: ela precisa se casar, e abandonar a vida de farras, bebidas e mulheres. Mas não tem problema. Ela já tem uma noiva. Só há um detalhe: a noiva ainda não existe, e ela tem apenas algumas horas para apresentá-la. Bom, não existia até ela conhecer uma loira.
View MoreCamila Valença tinha um problema. Na verdade, tinha vários. O primeiro estava dormindo em sua cama. O segundo era o relógio digital sobre a mesinha de cabeceira, que marcava nove horas e quarenta e três minutos. E o terceiro era seu pai. Mais especificamente, a reunião de diretoria que ele havia convocado para às dez da manhã daquela segunda-feira.
— Merda! — ela saltou da cama, arrastando os lençóis de seda consigo, fazendo a mulher que dormia ao seu lado, acordar. — Volta pra cama, amor. — Você precisa ir. — disse Camila, caçando o celular entre as almofadas espalhadas pelo chão do quarto. — Você tem certeza que quer que eu vá? — a mulher afastou um pouco os lençóis, revelando o corpo nu, num convite tentador. Camila olhou pra ela, depois para o relógio e novamente para a mulher nua em sua cama. Por um segundo perigoso, considerou seriamente a possibilidade. — Não me tente, princesa. — negou e voltou a procurar o celular — Hoje não, por favor. — ela finalmente encontrou o aparelho perdido dentro de um de seus sapatos e franziu o cenho — É... você, realmente, precisa ir. A morena sentou-se na cama, puxando o lençol contra os seios, e Camila suspirou fundo, fazendo um gesto com as mãos, pensando na desculpa que daria daquela vez. — Sabe o que é, meu amor, o problema não é você, sou... — ela calou-se quando sentiu uma almofadada atingir em cheio seu rosto, fazendo-a fechar os olhos. — É você, eu sei! — esbravejou contra Camila, e levantou — Na verdade, sou eu por acreditar nas suas mentiras. — catou suas roupas e as vestiu com pressa — As pessoas têm razão quando dizem que você é uma cafajeste. — acusou e saiu, batendo a porta com força. Camila soltou uma lufada de ar, e seguiu para o banheiro... Meia hora depois, ela atravessou o saguão privativo de um dos hotéis Valença onde morava, caminhando apressadamente em direção à garagem, e destravou o alarme. Entrou em seu Porsche 911 preto, jogou a bolsa sobre o banco do passageiro e ligou o motor, pisando fundo no acelerador. Precisava chegar à empresa. Urgentemente. O problema era que, aparentemente, a cidade toda havia decidido sair de casa exatamente no mesmo horário que ela. Quando parou no sinal vermelho, Camila aproveitou para abaixar o espelho do quebra-sol, e examinou o próprio reflexo. Os cabelos estavam magníficos. A maquiagem impecável. O batom... Ela aproximou o rosto do pequeno espelho, pressionou delicadamente os lábios e conferiu os cantos da boca. Perfeito. Camila sorriu para o próprio reflexo. Era bonita. Não, bonita era pouco. Camila Valença era uma mulher escandalosamente linda. Dona de uma pele bronzeada, curvas generosas, longos cabelos ruivos que caíam em cachos selvagens e olhos cor de mel que pareciam estar constantemente planejando alguma indecência. E o pior de tudo? Ela tinha plena consciência de sua beleza e charme e sabia como usar perfeitamente cada uma daquelas qualidades a seu favor. De repente, sentiu um impacto na traseira do carro, o que fez seu corpo projetar levemente pra frente. Ela olhou pelo retrovisor e bufou, levantando o espelho. — Só pode ser brincadeira... Ela destravou a porta e saiu do Porsche exibindo seus inseparáveis Louboutin de sola vermelha. Vestia uma calça de alfaiataria preta de cintura alta, perfeitamente ajustada às suas curvas, e uma blusa de seda branca, cujos primeiros botões permaneciam estrategicamente abertos, equilibrando elegância e uma provocação que parecia fazer parte de sua personalidade. Camila alisou rapidamente a calça, jogou os longos cachos ruivos para trás dos ombros e caminhou em direção à traseira do veículo, os saltos estalando contra o asfalto. Ela abaixou o olhar para o para-choque e viu um pequeno arranhão na pintura escura. Pequeno. Quase nada. Mas estava ali. No seu querido Porsche. Camila torceu os lábios, deslizando a ponta da língua pela bochecha e ergueu a cabeça, preparada para discutir com quem quer que tivesse cometido aquela atrocidade com seu brinquedinho da semana. Mas então, a porta do outro carro se abriu e uma mulher desceu. Longos cabelos loiros, perfeitamente lisos e brilhantes. Uma silhueta de curvas perfeitas, valorizada por um conjunto de alfaiataria preto, que contrastava com sua pele clara igual seda. E olhos azuis que, ao encontrarem os dela, exibiram uma expressão visivelmente contrariada. Camila piscou. A indignação desapareceu. Assim. Num passe de mágica. O olhar percorreu discretamente a mulher à sua frente, e um sorriso lento, absolutamente malicioso, começou a nascer em seus lábios. Meu Deus. Aquela mulher era linda. Linda de uma maneira quase ofensiva. — Me desculpe. — a loira começou, aproximando-se — Acabei me distraindo por um instante. Você está bem? — perguntou e Camila abriu seu sorriso mais encantador. — Agora estou, princesa. — ela inclinou a cabeça, examinando-a com evidente interesse — E você? Se machucou? — Não. Eu estou bem. — respondeu, olhando para o para-choque do Porsche — Podemos resolver pelo seguro. — Isso? — apontou para o arranhado e apoiou a mão na traseira — Não foi nada, querida. Não se preocupe. — Mas eu faço questão de pagar. — Então, se está tão empenhada em pagar por algo tão bobo, por que não me paga um café? — levantou minimamente as sobrancelhas, ainda exibindo o sorriso. Aquele sorriso. O exato sorriso letal que já havia convencido inúmeras mulheres, garçons, seguranças e até policiais de trânsito a reconsiderarem suas decisões. A loira demorou um segundo para compreender e estreitou os olhos quando compreendeu. — Você está flertando comigo? — Sim. A loira pareceu finalmente examinar o rosto da ruiva com mais atenção e então, soltou um suspiro exasperado. — Desculpa! Mas você não faz o meu tipo. — disparou. Camila levou a mão ao peito, os lábios levemente entreabertos e arfou, teatralmente ofendida. Mas o sorriso que se formou em seus lábios denunciava exatamente o contrário. Ela deslizou a língua pelo interior da bochecha, como se estivesse saboreando aquela resposta atrevida, e ergueu minimamente as sobrancelhas. Por um instante, a surpresa brilhou em seus olhos cor de mel, seguida por um deslumbramento quase irresistível. Um fora. E o mais absurdo era que aquela loira conseguira ficar ainda mais bonita enquanto a rejeitava. — Nossa... — murmurou Camila, e soltou uma risadinha encantada — Você costuma partir corações assim ou hoje eu tive o privilégio de ter uma atenção especial? A expressão da loira mudou. Mas não para admiração. Muito pelo contrário. Ela soltou um resmungo, virando o rosto para o lado e sorriu, incrédula. — Eu entro em contato com você! — disse a loira por fim e fez menção em voltar para o carro, mas parou ao ouvir novamente a voz de Camila. — Quem me garante que não vai fugir sem me pagar? A loira soltou um som em desdém, e o sorriso continuou nos lábios avermelhados de Camila. — Não precisa se preocupar. Eu sei onde te encontrar, senhorita Valença. — ela disparou e virou as costas. Camila acompanhou a loira com o olhar, sem fazer o menor esforço para disfarçar a admiração pelas curvas generosas que se movimentavam sob o tecido elegante do conjunto. Meu Deus. Até de costas aquela mulher era um espetáculo. Camila permaneceu parada, observando o veículo se afastar, e seus olhos cor de mel desceram brevemente até a placa. — KHL-4827. — sussurrou, gravando a sequência na memória. Mas a buzina estridente interrompeu seus pensamentos — Já vai, criatura! Que falta de paciência! — reclamou, voltando para o Porsche. Ela se acomodou atrás do volante, fechou a porta e um sorriso lento, malicioso e absolutamente encantado curvou seus lábios, enquanto deslizava a ponta da língua pelos dentes, lembrando-se dos olhos azuis, da boca bonita e, principalmente, da maneira como a loira havia lhe dito, sem a menor cerimônia, que ela não fazia seu tipo. Logo ela. Uma mulher que ocupava o topo das listas de solteiras mais desejadas da cidade, que arrancava suspiros por onde passava e cujo sorriso era praticamente uma arma de destruição em massa contra corações desavisados. E aquela loira simplesmente havia dito que ela não fazia seu tipo? Meu Deus. Aquilo era quase uma afronta à sua reputação. Mas o pior de tudo era que ela havia adorado cada segundo. — Meu Deus... Que mulher! — murmurou, mordendo o lábio inferior — Que mulher. Agora, Camila Valença tinha mais dois problemas para acrescentar à coleção. O primeiro era um Porsche arranhado. O segundo, a absoluta certeza de que queria um novo encontro com aquela loira misteriosa.Helena havia dito não. Duas vezes. E, mesmo assim, continuou olhando para a pasta preta que Camila havia deixado sobre sua mesa por longos minutos. Era inacreditável. A ruiva descarada aparecera em seu escritório, fizera uma proposta absurda de casamento e ainda tivera a audácia de estabelecer um prazo para que tomasse uma decisão. Ela deveria simplesmente ignorar. Era o que qualquer pessoa em seu perfeito juízo faria. O problema era que, naquele momento, seu juízo perfeito não estava exatamente colaborando. Agora, estava diante de Beatriz e Melissa, sentada numa mesa discreta de um restaurante próximo à sede do Grupo Valença. Precisava desesperadamente ouvir a opinião de pessoas que ainda possuíssem algum juízo. Aparentemente, escolhera mal. Muito mal. Fazia meia hora que ouvia as duas discutirem, e começava a se sentir como aquelas pessoas dos desenhos animados, com um anjinho do bem e outro do mal empoleirados sobre os ombros. Beatriz, naturalmente, representava o bom se
Helena permaneceu estática por longos segundos. Então, piscou. Ela olhou para o nome na porta, como se quisesse confirmar que havia entrado na sala correta, e depois voltou a encarar a intrusa de cachos vermelhos acobreados em sua sala. — Você?! — finalmente balbuciou, e Camila abriu um belo sorriso. — Eu! Helena fechou os olhos e massageou as pálpebras. Será que ela havia jogado pedra na cruz? Talvez estivesse apenas tendo uma alucinação.Horrível por sinal.Mas era perfeitamente possível. Afinal, estava com privação de sono, estresse crônico, falta de alimentação. E uma combinação dessas certamente podia provocar delírios terríveis ao cérebro humano. Ela abriu os olhos novamente. Mas a ruiva continuava ali, com as pernas esticadas, cruzadas, enquanto tinha os pés com seus sapatos de sola vermelha apoiados sobre a madeira. Infelizmente. — Eu já pedi pra resolverem sobre o seguro. — disse Helena, o tom de voz perigosamente baixo e Camila inclinou a cabeça para o lado, com
Helena Stevens estava oficialmente vivendo os piores dias de seus vinte e oito anos. Tudo estava desmoronando como um efeito dominó. E, quando ela pensou que as coisas não poderiam ficar piores, aquela manhã de segunda-feira fez questão de provar o contrário. Oito anos. Oito anos de relacionamento. Um pedido de casamento à luz de velas no restaurante italiano onde ela e Gustavo Monteiro se conheceram Foi tão perfeito que parecia cena de filme. Tão perfeito que Helena, sempre tão racional e no controle de tudo, se permitira chorar de emoção e aceitar sem piscar. Desde então, a vida de Helena havia virado uma maratona de preparativos para o grande dia dali a exatos dois meses. Tudo isso para encontrar Gustavo com outra mulher completamente nua na cama, e descobrir que o infeliz mantinha um relacionamento sério com ela há mais de um ano. Um ano Helena ainda conseguia ouvir a voz dele dizendo: "Não é o que você está pensando, amor." Não. Claro que não. Aparentemen
Às dez e cinquenta e sete, Camila atravessou as portas de vidro do edifício da sede do Grupo Valença. Ela detestava aquele lugar. Não pela arquitetura. A arquitetura era magnífica. O problema eram as pessoas trabalhando. Aquilo lhe causava uma sensação quase alérgica de responsabilidade. Ela caminhou pelo saguão com a segurança de quem era a proprietária do lugar. Tecnicamente, um dia seria. Mas por enquanto, contentava-se apenas em gastar o dinheiro de quem era. — Bom dia, Srta Valença! — cumprimentou a recepcionista. — Bom dia! — Seu pai já está esperando na sala do conselho. — avisou, e Camila suspirou. — Claro que está. — ela deu dois passos, parou e voltou. Apoiou os cotovelos no balcão e exibiu um sorrisinho de lado — Como é seu nome, meu anjo? — Lívia, Srta. — Lindo. Combina com você. — ela ergueu as sobrancelhas sugestivamente, o que fez a moça corar na hora. — Obrigada, Srta. — Camila! — Camila piscou para a recepcionista — A gente se vê, Lívia. Segu
Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.
reviews