FAZER LOGINO escritório de Thomas ficava no oitavo andar de um prédio moderno no centro de Londres, com janelas que davam para o rio Tâmisa e uma vista que fazia qualquer um se sentir pequeno diante da imensidão da cidade. Eu nunca tinha estado ali antes, mas sabia que era o lugar certo. Thomas era um dos meus melhores amigos da época da faculdade, quando eu ainda estudava gastronomia e ele cursava direito. A gente tinha se afastado depois da formatura, cada um seguindo o seu caminho, mas quando precisei de ajuda, ele foi a primeira pessoa em quem pensei.A secretária me recebeu com um sorriso educado e me indicou a sala dele. Entrei, e Thomas estava de pé atrás da mesa, com o mesmo sorriso de sempre, os cabelos escuros um pouco mais curtos, o terno impecável, mas os olhos ainda os mesmos, atentos e calorosos.— Miguel Abernati. — ele disse, abrindo os braços. — Há quanto tempo.— Thomas. — respondi, abraçando-o. — Obrigado por me receber.— Sempre. Senta. O que está acontecendo? Sua mensagem fo
A noite já tinha caído sobre Paris quando ouvi o som da chave girando na fechadura, e eu estava no quarto de Luna, segurando a mamadeira enquanto ela sugava devagar, os olhos pesados de sono, os dedinhos enroscados no meu dedo mindinho como se não quisessem me soltar.Eu esperava Miguel havia horas. Ele tinha saído dizendo que precisava ir atrás do Geoffroy, que precisava de respostas, e eu o deixei ir, mesmo com o coração apertado, mesmo com aquele medo que nunca me abandonava completamente. Fiquei com Luna no colo, tentando me distrair, tentando não pensar no pior, mas a cada minuto que passava sem notícias dele, a preocupação crescia dentro de mim como uma maré que não podia ser contida.Quando a porta se abriu, eu me levantei, colocando Luna no berço com cuidado, e fui até a sala. Miguel estava parado no meio do cômodo, os olhos fixos no nada, o rosto pálido, as mãos ainda segurando as chaves do carro como se tivesse esquecido que elas estavam ali.— Miguel? — eu chamei, a voz bai
A porta se fechou atrás de mim com um clique suave, e eu fiquei parado na sala pequena e simples de Geoffroy, os olhos percorrendo o ambiente enquanto ele me indicava uma cadeira velha, de madeira escura, ao lado de uma mesa coberta por uma toalha bordada.— Sente-se, senhor Miguel. — ele disse, a voz baixa, mas firme.Sentei-me, os olhos fixos nele, esperando.Ele também se sentou, à minha frente, e por um longo momento ficamos em silêncio, como se estivéssemos nos preparando para uma conversa que ia mudar tudo. Lá fora, o som distante do trânsito de Paris preenchia o silêncio, e a luz da tarde, fraca e cinzenta, entrava pela janela pequena, iluminando o rosto envelhecido do homem que tinha servido a minha família por mais de vinte anos.— O que está acontecendo, Geoffroy? — eu perguntei, finalmente, a voz mais baixa do que eu gostaria. — Por que meus pais estão me evitando? Por que você não me deixou falar com meu pai?Ele suspirou, um suspiro longo e pesado, como se estivesse carre
A viagem de volta para Paris foi longa, e eu passei a maior parte do tempo com os olhos fixos na janela do avião, a mente ainda presa ao rancho, à varanda onde Marco tinha levantado o copo por mim, às palavras que ele tinha dito antes de nos despedirmos, ao abraço de Alice, ao cheiro de casa que eu nunca tinha conhecido antes.Rosa dormia ao meu lado, a cabeça apoiada no meu ombro, e Luna estava no colo dela, os dois rostos relaxados, as respirações lentas e profundas. Eu olhava para elas e sentia uma gratidão tão grande que parecia que meu peito ia explodir.Quando chegamos a Paris, a cidade estava fria e cinzenta, como se também estivesse sentindo o peso da despedida. O apartamento parecia menor depois do rancho, mais silencioso, e eu senti uma pontada de saudade daquele lugar que eu tinha aprendido a chamar de casa.Naquela noite, enquanto Rosa dava banho em Luna, eu peguei o telefone e disquei o número do meu pai. Os dedos tremiam ligeiramente, e eu não sabia exatamente o que espe
O último dia no rancho amanheceu com o sol se espalhando pelos campos como um manto dourado, pintando o céu com tons de laranja e rosa que pareciam ter sido feitos especialmente para aquele momento, e eu acordei com o coração apertado, sentindo o peso da despedida que se aproximava como uma sombra que eu não conseguia afastar, como se cada segundo daquele dia fosse precioso demais para ser desperdiçado, como se o tempo estivesse correndo mais rápido do que eu gostaria.Fiquei deitada por um longo momento, os olhos fixos no teto do quarto onde eu tinha crescido, ouvindo o som dos pássaros lá fora e o farfalhar das folhas das árvores que balançavam com o vento. Miguel ainda dormia ao meu lado, a respiração lenta e profunda, o braço pesado sobre a minha cintura, e eu me virei para olhá-lo, sentindo o coração se encher de amor. Ele parecia tão calmo, tão em paz, como se aquele lugar tivesse curado algo dentro dele também.Luna estava no berço ao lado, os olhos abertos, os bracinhos se mov
A noite depois do jantar foi uma das mais tranquilas que eu já tinha vivido no rancho, e eu fiquei na varanda por um longo tempo, os olhos fixos no céu estrelado do Texas, sentindo o peso daquelas palavras ainda ecoando na minha cabeça como uma música que não queria parar de tocar, como um eco que se repetia a cada batida do meu coração."Pelo homem que está tentando ser digno dela."Eu nunca imaginei que ouviria algo assim da boca de Marco Hill. O homem que, no primeiro dia, me olhou como se eu fosse uma ameaça, que me testou no celeiro, que me fez cair do cavalo na frente de todos, que me questionou sobre cada detalhe do meu passado, que me fez sentir pequeno e insignificante. E agora, ali, na frente de toda a família, ele tinha levantado o copo por mim.Eu sabia que ainda não era uma aceitação completa. Sabia que ainda havia muito a provar, muitos testes pela frente, muitas conversas que ainda precisavam acontecer. Mas era um começo. E, por enquanto, era o suficiente. Era mais do q







