LOGINKaty Nunes O sol forte batia direto na janela do quarto quando me mudei para o pé da cama. Olhei para o diamante no meu anelar com um aperto no peito, sabendo que a hora de esconder o nosso segredo tinha chegado. Tirei a aliança de noivado devagar e a guardei no bolso mais fundo da minha bolsa, trancando o zíper. No lugar, mantive apenas o anel de compromisso simples que o Ian já tinha me dado meses atrás e que todo mundo na agência já estava cansado de ver no meu dedo.Coloquei um biquíni escuro, puxei um short jeans bem confortável e uma camisa de linho leve por cima, dobrando as mangas até o cotovelo. Prendi o cabelo num coque meio solto, peguei meus óculos de sol e desci.Na cozinha, o cheiro de passar café fresco já dominava a casa toda. Ana estava encostada na bancada com um copo de suco na mão, enquanto o Julien tentava equilibrar duas fatias de mamão num prato, rindo da própria desgraça.— Olha só quem resolveu dar as caras — debochou Julien, assim que o Ian e eu pisamos
Katy Nunes Abri os olhos devagar quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto, filtrados pela cortina fina de linho. A brisa suave da manhã trazia aquele cheiro característico de mar misturado com a madeira do quarto de praia, acompanhada pelo som ritmado das ondas quebrando no horizonte.Tentei me mexer, mas senti um peso firme e confortável cruzando a minha cintura. O braço forte de Ian me mantinha colada ao seu peito macio e quente. Fiquei imóvel por alguns segundos, apenas aproveitando a sensação térmica do corpo dele contra o meu.Estiquei a mão esquerda devagar sobre o lençol branco e ergui o rosto para olhar meu anelar. O diamante capturou a luz do sol da manhã, disparando pequenos reflexos cintilantes pelo quarto. Um sorriso bobo e incontrolável se formou nos meus lábios. Não tinha sido um sonho da madrugada. Eu estava noiva do homem que, há até pouco tempo, parecia um CEO inalcançável nos corredores espelhados da Vanguard Media.— Gostou tanto assim do anel ou est
Ian Parker A sensação de ter a Katy nos meus braços depois que ela disse sim trazia uma certeza que eu não tinha há anos. Deslizar aquele anel no dedo dela não foi um impulso. Foi a única coisa certa que fiz na vida. Ela já era minha muito antes de hoje, mas agora não tinha mais volta.Entramos no carro e fiz o caminho de volta do vilarejo para a praia sem pressa. A estrada estava calma, iluminada apenas pelos faróis do SUV. De vez em quando, eu tirava a mão direita do volante e buscava a mão da Katy no console central. Ela olhava para os nossos dedos entrelaçados e encarava o brilho do diamante com um sorriso discreto que me fazia querer acelerar ainda mais para chegar em casa.Estacionei na garagem e descemos. O silêncio na propriedade era absoluto. Julien e Ana cumpriram a palavra e ainda não tinham voltado do bar de jazz, deixando o caminho totalmente livre.— Você tem noção de que acabou com a minha postura de chefe durão, noiva? — murmurei perto do ouvido dela enquanto tran
Katy Nunes O resto do jantar no bistrô transcorreu com uma leveza acolhedora. A brisa do mar, o vinho gelado e as risadas pareciam afastar qualquer resquício da rotina pesada do Rio. Mas, quando o garçom trouxe a conta, Julien limpou a garganta com um sorriso conspiratório no rosto.— Bom, pessoal... eu e a Ana estávamos conversando e decidimos dar uma esticada — anunciou Julien, trocando um olhar cúmplice com ela. — Descobri que tem um barzinho com jazz ao vivo em uma praia vizinha. Queremos aproveitar a noite a dois.— Vocês não vêm com a gente para a casa? — perguntei, surpresa.— Nem pensar! — riu Ana, ajustando o casaco leve sobre os ombros. — Nós pegamos um táxi para lá e depois voltamos. Vocês dois deveriam aproveitar para caminhar pela orla. A noite está linda demais para ir direto para a cama.Antes que eu pudesse protestar, os dois se despediram entre abraços e saíram animados rumo à rua principal. Fiquei olhando para a direção onde sumiram, ainda tentando assimilar a
Valentina Fernandes O som do ar-condicionado no meu apartamento parecia um zumbido irritante, daqueles que entram na cabeça e não deixam ninguém pensar. Eu andava de um lado para o outro na sala, sentindo aquela queimação familiar no peito. A raiva.A pessoa que me colocou na Vanguard Media não estava pagando minhas contas para eu ficar assistindo uma mosca morta do financeiro andar pela agência como se fosse dona do lugar. A Katy Nunes não podia ser tão esperta. Não era possível que ela estivesse conseguindo a atenção do Ian — um homem que eu vinha tentando cercar há meses sem sucesso.Sentei no sofá com violência e peguei o celular, rolando a tela com força. Meu dedo parou no milissegundo em que o nome da Katy piscou no topo das atualizações de stories.— Vejamos o que a santinha está aprontando... — mormorei, tocando na tela.A imagem carregou. Uma taça de vinho fino perto da borda de uma mesa de madeira, luzes quentes e o mar escuro ao fundo. Sem rostos, sem alarde. Mas ali,
Katy Nunes No quarto, preparei-me com todo o cuidado para aquela noite especial. Vesti um vestido off-white longo e leve em tecido plissado, com um decote profundo em V preso no pescoço por uma amarração charmosa, recortes delicados na cintura unidos por um anel rústico e uma fenda fluida na saia. Coloquei um colar com pingente dourado de estrela-do-mar em camadas, brincos de concha dourados e braceletes delicados no pulso. Ajeitei o cabelo em ondas macias caindo pelas costas e calcei sandálias de salto médio em tom marrom-café com tiras finas nos pés. Para finalizar, peguei minha bolsa de palha trançada com detalhe de estrela-do-mar na alça e óculos escuros de armação tartaruga para o início da noite. Quando abri a porta e saí para a sala principal, encontrei Ian encostado na mesa de centro, mexendo no celular. Ele usava uma camisa de linho clara com as mangas dobradas até os cotovelos e calça jeans. Ao ouvir meus passos no piso de madeira, ele ergueu os olhos. O olhar dele desc







