LOGINKaty Nunes
O restinho da tarde de segunda-feira na agência passou em um piscar de olhos. Assim que saí da sala da Márcia com as instruções de Ian Parker, reuni Fernando para colocar tudo em ordem. Meu secretário ruivo não perdeu tempo: acionou a equipe de governança para a limpeza pesada da sala ao lado e entrou em contato com o Recursos Humanos para abrir o processo seletivo de secretária executiva com urgência. Com as ordens encaminhadas, concentrei-me no resto das minhas planilhas financeiras até o final do expediente. Assim que cruzei a porta de casa, o cansaço acumulado desabou sobre mim. Minhas pernas pediam descanso e minha mente precisava desesperadamente desligar. Estacionei o carro, subi para o meu apartamento e joguei os sapatos de salto no canto do quarto sem o menor cuidado. Fui direto para o banheiro. Liguei a torneira da banheira de imersão e voltei à cozinha para buscar uma garrafa de vinho e uma taça. Não estava com paciência para formalidades: servi uma dose generosa e bebi ali mesmo, em pé, sentindo o líquido gelado descer rasgando pela garganta enquanto a água morna preenchia o espaço de porcelana. Tirando a roupa de trabalho, joguei tudo sobre a cadeira, prendi o cabelo negro em um laço no topo da cabeça e mergulhei na água. Com o corpo submerso e a taça na mão, deixei meus pensamentos vagarem livremente até Ian Parker. Agora que eu sabia seu nome, seu sobrenome e o aroma do seu perfume amadeirado, a imagem dele parecia viva demais na minha memória. Lembrar daquele olhar azul e da voz grave pronunciando meu nome despertou um fogo conhecido e profundo no meu ventre — um calor que há muito tempo eu não experimentava. Deslizei a mão pela água até o meio das minhas pernas, contornando o clitóris com a ponta dos dedos. O prazer começou a subir em uma onda deliciosa. Com calma, fui explorando meu próprio corpo na água morna até enfiar dois dedos dentro de mim. O ritmo acelerava conforme a imagem dos olhos dele fixos em mim me dominava. Quando senti que estava prestes a explodir, adicionei mais um dedo e aumentei a velocidade, entregando-me completamente à sensação. O clímax veio com uma intensidade avassaladora, fazendo-me arfar na borda da banheira. Ainda tentando recuperar o fôlego, a ficha caiu e a vergonha bateu forte: “Putz, Katy... você acabou de se masturbar pensando no seu novo sócio”, pensei, afundando a cabeça na água para tentar esquecer o absurdo da situação. “Como é que eu vou olhar na cara dele amanhã?” Saí da banheira, fui pelada até o quarto buscar uma toalha e vesti um pijama leve de seda azul. Poucos minutos depois, uma fome de leão me atingiu. Abri a geladeira e dei de cara com o vazio absoluto. — Puta que pariu, eu preciso de um mercado com urgência — murmurei para mim mesma, notando que o relógio já marcava duas horas da manhã. Sem paciência para trocar de roupa, joguei um roupão por cima do pijama e desci as escadas com a chave da casa da minha mãe. Entrei de fininho no apartamento dela e fiz a verdadeira “limpa” nos armários e na geladeira: peguei fatias de bolo, suco e duas caixas de chocolate. Ao sair pelo corredor de serviço com os braços cheios de comida, uma voz vinda da escuridão perto da escada de emergência quase me fez saltar da pele: — Hey, moça... isso são modos de andar pelos corredores a esta hora? — Porra, Júlio! Quer me matar de coração? — exclamei, levando a mão ao peito. — O que você está fazendo na escada e perto da piscina a uma hora dessas? — Gosto de nadar e respirar um pouco no silêncio da madrugada... — Júlio riu fraco, encostando-se no corrimão e me analisando. — Mas e você? Assaltando a geladeira alheia? — É o que tem para hoje, já que ainda não fiz compras. Peguei esse resto de bolo e suco... quer subir e comer comigo? — Acho melhor não, amanhã acordamos cedo, senhorita! — Júlio deu um passo à frente, com um sorriso sacana nos lábios. — E Katy... da próxima vez que for roubar comida de pijama, pelo menos fecha o roupão. Olhei para baixo e me dei conta do desastre: meu roupão estava completamente aberto nas laterais, deixando o pijama de seda azul justo e quase transparente à mostra. Subi a escada de emergência correndo, o rosto queimando de vergonha. Entrei no meu apartamento, devorei o bolo no sofá e apaguei ali mesmo, abraçada com as caixas de chocolate. Na manhã de terça-feira, o “efeito Ian” ainda me perseguia. Acordei com o pescoço um pouco dolorido pelo mau jeito no sofá, mas tomei um banho revigorante para espantar a preguiça, escolhi um conjunto impecável e elegante: uma camisa transpassada de seda azul-bebê com amarração delicada na cintura, combinada com uma calça de alfaiataria branca de cintura alta e corte reto. Nós pés, sandálias de salto fino no mesmo tom de azul-bebê. Coloquei os brincos de pedra azul em formato de flor, o colar com o pingente de gota e peguei minha bolsa tiracolo branca matelassada com alça de corrente dourada. Olhei-me no espelho, pronta para o combate corporativo. Cheguei ao oitavo andar confiante. O cheiro de móveis novos e produtos de limpeza indicava que a sala ao lado já estava pronta. Fernando me recebeu com o dever cumprido: — Bom dia, Katy! A sala do Senhor Parker está impecável, a higienização foi concluída e os currículos dos candidatos a secretário já estão na mesa dele. — Excelente trabalho, Fernando. Passei o dia dividida entre planilhas e relatórios, mas meus olhos teimavam em checar a porta do escritório ao lado. Nada de Ian durante toda a manhã e o início da tarde. A ausência dele parecia muito mais perturbadora do que sua própria presença. Somente no final do expediente, por volta das sete da noite, quando o andar já estava em total silêncio e eu me preparava para sair, a porta de vidro fosco ao lado se abriu. Ian Parker saiu de lá, sem paletó, com a camisa social branca ligeiramente desabotoada no colarinho e as mangas dobradas até os antebraços. Nossos olhares se chocaram no corredor quase escuro. — Senhorita Nunes — disse ele, com aquela voz grave ressoando no espaço vazio. — Impressionante a sua eficiência com a minha sala. E vejo que trouxe a delicadeza dos tons claros para o escritório hoje. Senti meu coração dar um salto no peito, mas me mantive firme, ajeitando a alça da minha bolsa branca no ombro. — Apenas cumprindo meu trabalho, Senhor Parker. Ele se aproximou com passos lentos, deixando seu perfume amadeirado tomar conta do ar entre nós. Parou a poucos centímetros de mim, analisando-me de cima a baixo com uma intensidade perigosa, pausando os olhos azuis no nó da seda na minha cintura. — Um trabalho impecável, Katy — sussurrou ele, inclinando-se ligeiramente. — Esse tom de azul combina perfeitamente com a sua determinação. Tenha uma boa noite. Nos vemos amanhã cedo. Virei-me e caminhei até o elevador com os saltos azul-bebê estalando no piso, tentando disfarçar as pernas bambas e a certeza de que meus dias naquela agência jamais voltariam a ser tranquilos."Bom dia. Não se esqueça do nosso jantar hoje à noite. Pego você às oito. — Ian."A mensagem do Ian foi o meu despertador hoje. Desde que recebi aquele buquê avassalador de rosas vermelhas na agência, não consigo parar de pensar nesse jantar. Ele passou os últimos dias fora da empresa, resolvendo vistorias nas filiais, o que só fez a expectativa aumentar. Na noite anterior, saí do trabalho e encontrei minha mãe para comprar o figurino perfeito para esta noite e ir ao salão fazer as unhas. Ela também tinha um encontro com o novo namorado e, por mais que não admitisse o rótulo, já estava na cara que a história ali era séria.Acordei e me arrumei para o expediente com praticidade: coloquei um vestido azul bem leve e sapatilhas macias. Cheguei e fui direto tomar café na cantina junto com a Viviane e o Fernando. Eu já estava me acostumando a essa rotina com eles e, pelo visto, alguma coisa estava rolando entre os dois. Quando o Fernando se levantou para ir ao banheiro, aproveitei a opor
Se eu dissesse que a senhorita Katy Nunes não passa pela minha cabeça a cada cinco minutos, eu estaria mentindo de forma vergonhosa.Desde aquela noite no bar, ela se tornou uma obsessão silenciosa. Mas depois do que aconteceu ontem à noite... a história mudou de figura. Lembrar do audacioso golpe que ela me deu no meu próprio escritório, da boca dela me envolvendo de forma devastadora e da audácia com que ela interrompeu tudo só para me deixar no limite da loucura já seria o bastante para me desestabilizar. Só que o evento da noite seguinte no apartamento dela foi a gota d'água.A cena do intruso no hall não saía da minha mente. Eu tinha ido até a casa dela com uma garrafa do meu melhor vinho, na intenção de mostrar quem realmente dava as cartas depois do espetáculo que ela deu na agência. E o que eu encontrei? Um cara de terno, com cara de bom moço, agindo como se tivesse o direito de estar ali, dividindo comida e um clima íntimo com a minha anjinha. A troca de olhares com aquele
Katy Nunes Cheguei ao prédio correndo, com o salto do scarpin estalando no piso do hall. Passei primeiro no apartamento da minha família para checar se estava tudo bem. Minha mãe e minha avó — que, para minha surpresa, já estava de volta de viagem — estavam conversando na sala. Dei um beijo rápido no rosto de cada uma.— Como você está bonita, minha estrelinha! — minha avó comentou, me olhando de cima a baixo com um carinho acolhedor.— Obrigada, vó! Tenho que subir correndo, o Júlio já deve estar quase chegando — respondi, sorrindo e acenando antes de sair.Subi para o meu apartamento. Minha ideia original era vir direto da agência, mas lembrei a tempo de que não tinha nada pronto para beliscar. Passei no mercado do bairro e comprei alguns itens rápidos e uma torta de chocolate belga recheada que parecia simplesmente divina.Entrei no meu espaço, guardei a torta na geladeira, tomei um banho rápido e troquei a roupa de trabalho por algo extremamente confortável: um shorts jeans m
KatySegunda-feira. O dia em que o jogo de sedução deixaria de ser apenas sobre olhares cruzados à distância, indiretas ao telefone e mensagens carregadas de intenção. Acordei com uma energia completamente diferente, uma urgência pulsante no peito que nem o banho gelado daquela manhã conseguiu aplacar. Eu queria o Ian, mas não de qualquer jeito. Tinha que ser nos meus termos, ditando o ritmo, mostrando que eu sabia exatamente o poder que exercia sobre ele.Escolhi um visual que gritava autoridade, elegância e sensualidade sem precisar de esforço algum. Separei um vestido midi transpassado em tom terracota profundo, com decote transpassado em V e um drapeado impecável na cintura que abraçava minhas curvas como uma segunda pele, deixando uma fenda discreta na perna. Por cima, joguei um blazer estruturado de alfaiataria xadrez em tons de marrom e bege, que dava o toque corporativo e sério que o ambiente exigia. Nos pés, scarpins de bico fino em tom vinho envernizado. O cabelo foi domad
Ian Parker Acordei no sábado com uma ressaca física e moral. O "quase" na cozinha da Katy tinha me deixado em um estado de frustração que eu não experimentava há anos. Passei metade da noite em claro, amaldiçoando a campainha e a amiga inconveniente que apareceu na hora errada. A imagem da Katy com aquele vestido preto justo, o batom vermelho e a pele macia sob os meus dedos parecia gravada a ferro e fogo na minha mente. Meu apartamento parecia grande e frio demais naquela manhã. Fui para a varanda, vestindo apenas um calção de banho, sentindo o vento bater no rosto. Como costumo manter a pele sempre bem bronzeada — gosto de aproveitar o sol carioca sempre que posso —, decidi que aquele dia exigia um pouco de praia para esvaziar a cabeça. Mas antes, o desejo acumulado cobrou seu preço. Entrei no chuveiro e, sob a água que corria pelo meu corpo, fechei os olhos. A imagem da Katy se abaixando bem devagar na minha frente, fazendo o vestido subir pelas coxas, tomou conta do meu pens
Katy Nunes Acordei com uma dor de cabeça martelando na fonte. A mistura do vinho da noite anterior com a tensão que o Ian provocava no meu corpo cobrou seu preço. Por um momento, minha única vontade era passar o dia inteiro na cama só olhando a hora passar, mas ficar sozinha naquele apartamento era um perigo. Vai que o Ian decidisse invadir meu espaço novamente? A Ana estava de plantão no hospital e não poderia me salvar com outro velório inventado desta vez; se ele aparecesse, com certeza o tal do “A+” iria rolar.Tomei um banho gelado para espantar a ressaca, vesti um short jeans bem velhinho e uma blusa de malha larga e desci os lances de escada para a casa da minha mãe.— Oi, meu amor! Que saudade — ela me recebeu com aquele abraço apertado que só mãe sabe dar. — Entra! Sua avó foi para a casa da tia Mirian hoje. Eu já estava achando que passaria o sábado inteiramente sozinha.Minha mãe, desde que se separou do meu pai, só sabia viver para o trabalho. Ela é uma advogada bri







