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last update publish date: 2026-10-15 22:58:47
Ela sabe. Sempre sabe.

— Tenho uma ideia — Olívia diz de repente, com um brilho animado no olhar. — Venha conhecer a casinha onde moro. É do outro lado do pomar.

Por um instante, hesito, mas a perspectiva de sair um pouco da casa e respirar um ar diferente me parece tentadora.

— Eu adoraria.

Olívia pega o restante da comida que estamos comendo e, com movimentos ágeis e habituais, coloca tudo dentro de uma bolsa de palha que até então eu não havia notado.

Sem dizer muito, ela abre a por
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  • Uma Virgem Na Fazenda    324

    Quando levantei o olhar pra ele, o infeliz me encarava com os olhos arregalados, como se dissesse: "Você falou merda, seu jumento." E bastou aquele olhar pra eu perceber — falei mesmo.— Acha que eu não sou capaz de entender os assuntos da fazenda? — a voz de Sofia cortou o ar, calma demais pra ser tranquila.Engasguei no próprio silêncio. Tentei remendar, mas minha língua parecia ter virado nó.— Não é isso, mulher... eu só... achei que tava cansada, estudou o dia inteiro... eu quis te poupar, só isso.Ela arqueou uma sobrancelha, aquele olhar doce que eu tanto amava agora era ácido como vinagre.— Me poupar ou me afastar das coisas que você julga importantes demais pra mim? — rebateu com firmeza, o olhar cravado no meu. — Porque começa assim, Rafael. Primeiro você me tira de uma conversa, depois de uma decisão... quando eu vejo, virei enfeite de varanda.— Não fala isso... você sabe que não é isso. Tô tentando fazer as coisas direito. Tudo por você.— E pra fazer direito, precisa me

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    Mas claro... eu me segurei. Agora não era hora.— Vamos também, Isabella? Um jantar em casal. Vamos, Dmitri! — ela disse, cheia de empolgação.— Casal? — Dmitri fez aquela cara dramática. — Só se for casal em crise... Tô com medo de sentar do lado do Rafael e ele me enforcar com o guardanapo.Fitei ele com uma cara de poucos amigos. Tenho certeza que minhas expressões falam por mim. Coloquei as mãos nas costas da minha mulher, guiando ela calmamente escada abaixo. Mas no primeiro passo que dou...— Fala daí, chefe! — Dmitri grita, pulando pra trás como se eu fosse lançar um laço no pescoço dele.Deus do céu... se esse homem sair vivo hoje, é milagre.---Chegamos no restaurante. Sofia olhou pra fachada com aquele brilho bobo nos olhos e comentou animada que tinha passado na frente com Isabella mais cedo e ficou com vontade de entrar. Só faltava ela me pedir isso com aquele jeitinho que tem — claro que eu não ia negar. Estacionei o carro com calma. Assim que desci, fui até o lado dela

  • Uma Virgem Na Fazenda    322

    Corri na direção dele, com as veias do pescoço pulsando, e ele, feito um gato escaldado, deu a volta pela mesa e saiu disparado.— CORRE NÃO, COVARDE! — gritei, enquanto ele subia as escadas como se tivesse sido treinado por cavalo de raça. — VOLTA AQUI!Ele se trancou no quarto no mesmo segundo em que cheguei na porta. Bati com força, o trinco sacudiu.— Você vai sair daí, Dmitri! Nem que eu tenha que derrubar essa porta com a cabeça!— Isso! Gasta o que te resta de coração aí! Já tá com um pé na cova mesmo! — gritou lá de dentro, rindo como um idiota.— EU JURO POR DEUS QUE QUANDO ESSA PORTA ABRIR, VAI SER VOCÊ QUE VAI TER UM INFARTO!— Deixa a Sofia chegar, Rafael! Ela vai colocar você no eixo.— E sua mulher vai virar mãe solteira!— Opa! Mexeu com a gazela, mexeu com o touro, hein!Segurei a maçaneta com força e tentei forçar a porta mais uma vez, mas aí... escutei. Passos. Vozes. Riso de mulher vindo lá debaixo. Sofia. Isabella. Parei. Respirei. Olhei pra cima, com a testa encos

  • Uma Virgem Na Fazenda    321

    — Nada. Tá distraída com essa tal história de literatura que a Isabella inventou. Diz que vão escrever livro, sei lá... coisa de mulher. Só sei que tão empolgadas.Ergui os olhos pra ele e franzi o cenho.— Mas e você? Hein? Por que não fica na fazenda também? Agora só mora aqui nessa cidade barulhenta?Dmitri riu, limpando os dedos no guardanapo e cruzando os braços.— Eu moro pra ter qualidade de vida, Rafael. É engraçado falar isso porque aqui tem poluição, buzina, trânsito... mas tem livraria, tem café bom, tem sofá confortável e ninguém me chamando pra apartar boi no curral.— Você tá ficando é louco. Nunca que eu trocaria a fazenda por isso.— Eu troquei porque não preciso trabalhar, primo. Tenho quem faça isso pra mim. E você também tem. Mas sua cabeça dura faz questão de continuar se desgastando... Como se o mundo fosse acabar se você não estivesse no meio da lida. E deu no que deu, né? Você infartou, precisou quase morrer pra tomar vergonha na cara.— Não começa... — falei nu

  • Uma Virgem Na Fazenda    320

    Em poucos segundos, finalmente, o balão ficou exatamente onde devia, certinho na esquerda. Queria deixar tudo perfeito, bonito, sem que Sofia desconfiasse de nada. Confesso que a ansiedade já martelava no meu peito — e, se fosse pra apostar, eu diria que vem um menino por aí. Dmitri também estava nessa mesma vibe. Me acomodei na cadeira, olhando a tela com um sorriso travesso, esperando que logo esse momento chegasse e fosse só alegria.— Termina de arrumar as coisas aí, Diogo. Depois passa lá na vila e busca os doces da padaria. O resultado do sexo do bebê tá dentro do bolo, viu? Pelo amor de Deus, cuidado com isso. Não vai tropeçar e virar essa surpresa no meio da estrada, não.— Pode deixar, patrão! — ele respondeu do outro lado da tela, com aquele jeito meio estabanado de sempre. — Vou com calma... Vou até levar no colo, igual criança.— É bom mesmo — murmurei. — Se esse bolo desmontar antes da hora, eu que viro criança chorando aqui.Desliguei a chamada e coloquei o celular na me

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    Capítulo 319RAFAEL MONTENEGRO— Mais pra esquerda, Diogo... não, homem... pra esquerda! Diogo, é pra esquerda, carniça!Me ajeitei na cadeira da varanda, os cotovelos apoiados nos joelhos, o celular firme na mão, como se aquele simples aparelho pudesse me ajudar a fazer esse chá revelação sair direito. Na tela, Diogo rodava feito um cachorro atrás do rabo, com um balão de urso maior que ele tentando pendurar no varal. O desgraçado não acertava o lado nem se o mundo dependesse disso.Antes que eu pudesse dizer mais qualquer coisa, senti um puxão seco na mão. Dmitri arrancou meu celular com a delicadeza de um boi bravo passando no meio da cerca.— PRA ESQUERDA, DIACHO! — ele berrou no telefone. — NÃO SABE O QUE É ESQUERDA, NÃO, HOMEM?! COLOCA ESSE BALÃO NA ESQUERDA! JÁ TÔ COM DOR DE CABEÇA DE TANTO QUE TU VIRA ESSE URSO PRA CIMA E PRA BAIXO!Arregalei os olhos. Esse desgraçado vai acabar quebrando meu celular de tanto sacudir.— Me dá isso aqui, ô peste — resmungei, arrancando o aparel

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