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last update تاريخ النشر: 2026-10-21 23:23:13

RAFAEL MONTENEGRO

Dois dias se passaram desde que o cavalo começou a se agitar, e agora, aqui estava eu, parado ao lado do Dr. Vasile no celeiro, vendo a cena se repetir — só que pior. Muito pior. O bicho parecia uma bomba prestes a explodir, inquieto, batendo os cascos no chão com uma força que fazia a palha voar, bufando pesado como um touro antes da investida. O suor escorria pelo pelo escuro dele, e os olhos estavam arregalados, selvagens, como se ele estivesse preso numa jaula invisível. E
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  • Uma Virgem Na Fazenda    251

    Andamos entre corredores iluminados até ela parar diante de uma prateleira colorida, repleta de vidrinhos, estojos e embalagens brilhantes. Era como se eu tivesse entrado num mundo paralelo — sombras com nomes que eu nem sabia pronunciar, bases de tons diferentes, pincéis macios, e batons de todas as cores imagináveis. Fiquei parada, olhando aquilo tudo como uma criança diante de uma vitrine de doces.— Isso aqui é pra você lembrar que existe vida além do campo, além do medo, além dos testes de gravidez — disse ela, sorrindo de lado, com aquele brilho nos olhos que dizia mais do que mil conselhos.— Eu nunca comprei maquiagem pra mim... só usei o que ganhei ou o que sobrou de outras.— Não tenha dó de gastar o dinheiro do seu marido — rebateu, firme. — Se você não gastar, ele gasta com outra. Não que esse seja o caso, claro, mas é obrigação dele cuidar de você. Então gaste. Com gosto.Olhei pra ela e depois de volta pras maquiagens. Meus dedos foram direto num batom vermelho escuro. N

  • Uma Virgem Na Fazenda    250

    Chegamos na cidade e Isabella estacionou o carro em frente à farmácia. Desci devagar, ajeitando o casaco no corpo enquanto o vento gelado da rua me fazia piscar os olhos com força. Meus olhos varreram as calçadas movimentadas, as vitrines, os postes decorados com restos de luzes de Natal. Sempre que eu vinha até aqui, algo dentro de mim se acendia. Claro que o campo tinha o seu valor — o cheiro de terra molhada, o canto dos galos, o silêncio das manhãs — mas ali, entre buzinas e vitrines, era onde eu me sentia... viva. Mulher. Ocupada. Moderna. Como se eu tivesse uma agenda cheia, mesmo não tendo nada além de uma missão: comprar um teste de gravidez.Isabella parou do meu lado, com as mãos nos bolsos do casaco.— E aí, pronta pra saber se virou mamãe? — perguntou com aquele sorriso divertido que me fazia rir mesmo quando eu não queria.— Acho que nunca vou estar pronta pra isso — confessei, ainda olhando ao redor, como se a cidade pudesse me distrair da realidade.Seguimos até a farmá

  • Uma Virgem Na Fazenda    249

    Respirei fundo. Algo em mim me fez olhar para trás. Lá estava ele. Rafael continuava parado na varanda, braços cruzados sobre o peito largo, a barba por fazer e as rugas na testa mais fundas que nunca. Me observava como se tentasse decifrar uma charada. Os olhos dele me atravessavam.Voltei os passos devagar. A neve estalava sob minhas botas.— Vai dizer aonde tá indo ou vai só me provocar, Sofia?Respirei fundo, as mãos trêmulas.— Preciso de dinheiro... — murmurei. — Me dá seu cartão?Rafael me encarou por longos segundos. Os olhos afiados pareciam procurar alguma verdade escondida no fundo dos meus. Ele balançou a cabeça devagar, num gesto quase imperceptível, como se dissesse que eu tinha muita coragem. Coragem demais pra bater o pé, coragem demais pra vir até ele daquele jeito, pra pedir o que pedia.— Você acha mesmo que eu sou idiota? — perguntou baixo, cada palavra pesada como ferro velho jogado no chão da oficina.— Não acho nada. Só quero resolver isso logo. Me dá o cartão,

  • Uma Virgem Na Fazenda    248

    Capítulo 248SOFIAEntro no quarto batendo a porta com força. O barulho ecoa, mas não me importo. Subo na cama de um pulo, o coração ainda acelerado, o rosto quente. Puxo o celular do bolso e ligo para Isabella de novo. Aquele idiota quase me deixou pelada no meio da cozinha! E ainda por cima paguei calcinha pro Dmitri ver. Pelo menos acho que fui rápida... espero que ele não tenha visto nada.— Quem morreu? — a voz escandalosa de Isabella entra no meu ouvido como um tapa.— Eu acho que tô grávida — solto de uma vez, encolhendo os joelhos no peito. Só de dizer isso em voz alta, sinto um arrepio subir pela espinha.— E você desligou na minha cara, criatura? Pelo amor de Deus, Sofia! Como assim você acha?— Eu tô atrasada há dois meses — murmuro. — Mas sei lá, pode ser só coisa da minha cabeça, né? Ou... hormonal, sei lá.— Eu vou passar aí pra te buscar. Vou demorar um pouco porque tô na cidade. Mas a gente vai comprar esse teste hoje, ouviu?— Tá bom... mas vem rápido, por favor — sus

  • Uma Virgem Na Fazenda    247

    Bateu na minha mão com força, tentando me impedir, os dedos tremendo, o rosto pegando fogo. A calcinha rendada apareceu por um segundo e ela puxou o tecido de volta pra baixo, cobrindo o que conseguiu.— Você tá maluco?! Isso é invasivo! — a voz saiu esganiçada, como se nem ela acreditasse no que tava acontecendo.— Eu conheço o corpo da minha mulher — rosnei, apertando o maxilar, tentando não deixar a raiva subir pelo pescoço. — E ele mudou. Me mostra. Eu preciso ver, Sofia.Ela virou de costas, protegendo o vestido como se fosse armadura, mas o jeito como segurava o tecido, trêmula, me dizia mais do que palavras. Tentei puxar de novo. Ela se debatia, empurrava meu peito, torcia o corpo pro lado, mas não era força... era medo.— Sofia, só um segundo. Se eu tiver errado, você me xinga, me bate, me chuta daqui até o curral. Mas deixa eu olhar. Só uma vez — pedi, a voz mais baixa dessa vez, mas ainda tensa, carregada daquele desespero que só homem apaixonado sente.Num movimento mais ce

  • Uma Virgem Na Fazenda    246

    Dmitri se adiantou, cortando antes que eu respondesse qualquer coisa com o coração doído e a cabeça quente.— Não, Sofia. Tu não tem culpa de porra nenhuma. Aquele cavalo tava numa seca que nem a melhor égua da Romênia ia conseguir segurar. Ele só... foi mais rápido que nós.Ela abaixou os olhos, as mãos inquietas apertando a barra do vestido. Não conseguia me encarar. Parecia culpada mesmo sem ser. Como se tivesse levado o cavalo pelas rédeas até a outra égua e dito "vai, meu filho". Mas não tinha sido ela. E eu sabia disso. Estendi a mão pra ela, ainda sentindo o peso da raiva e da frustração no peito. Sofia me olhou por um instante e, sem dizer nada, se sentou do meu lado. Sem um sorrisinho no rosto, sem brilho nos olhos. Quietinha. E aquele rosto que eu tanto amava parecia até mais pálido.— Você tá bravo comigo? — ela perguntou baixinho, sem me olhar, os dedos brincando nervosos no tecido do vestido.— Não, pequena. Tô bravo com o mundo inteiro. Menos com você.Ela sorriu. Um sor

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