LOGINAinda com o rosto pálido, Jessica entrou cambaleando naquela mansão. O fim de tarde estava tranquilo, e o único som que se ouvia era o da televisão na sala de estar. Seu olhar se voltou imediatamente para a jovem sentada despreocupadamente no sofá, assistindo ao seu programa favorito.— Amora... — chamou Jessica baixinho, com a voz trêmula.Ela se aproximou e, sem pensar duas vezes, abraçou a filha com força.— Mamãe, o que aconteceu? — perguntou Amora, confusa, franzindo a testa ao perceber o comportamento estranho da mãe.— Amora... me perdoe, meu amor — murmurou Jessica.Amora se afastou um pouco do abraço e encarou o rosto da mãe, que parecia extremamente aflita.— Por que você está me pedindo perdão? Aconteceu alguma coisa? Você fez algo errado?Jessica soltou um longo suspiro, com os olhos avermelhados.— Tudo o que a mamãe fez... foi por você, meu amor. Espero que consiga entender.— O que você quer dizer com isso, mamãe? Não estou entendendo — perguntou Amora, com um tom preoc
Os dois homens conduziram Jessica por um longo corredor de um restaurante luxuoso. O aroma de vinhos caros e carne assada não era suficiente para acalmar as batidas frenéticas de seu coração. Seus saltos ecoavam suavemente contra o piso de mármore a cada passo.Eles pararam diante de uma porta ornamentada com entalhes dourados, onde se lia Private Room. Um dos homens abriu a porta e fez um gesto para que Jessica entrasse.Lá dentro, uma iluminação suave iluminava um ambiente elegante, com uma grande mesa no centro. Atrás de uma poltrona comprida voltada para a janela, estava sentado um homem vestindo uma camisa preta. Seu corpo permanecia oculto pelo encosto alto da cadeira, e apenas o chapéu de estilo cowboy, que cobria parte de sua cabeça, podia ser visto.Jessica engoliu em seco e permaneceu imóvel no meio da sala. Seu olhar estava fixo na figura atrás da cadeira, repleto de apreensão.— Senhor, o alvo está diante do senhor — anunciou um dos seguranças com voz firme.Em seguida, os
Os passos apressados de Lucy ecoavam pelo chão de mármore, cada batida carregada de raiva. Ela agarrou o pulso de Amora com força e arrastou a mulher para fora do quarto de Kelly, sem lhe dar a oportunidade de dizer uma palavra.— Lucy, não seja rude com Elisha! — gritou Vicktor, que vinha correndo atrás delas, com a voz grave e aflita.Lucy, porém, não lhe deu ouvidos. Seu olhar estava fixo em uma única pessoa: Elisha, a mulher que, em sua opinião, havia ousado ultrapassar todos os limites.— Lucy, solte meu braço — pediu Amora baixinho, tentando se libertar, mas o aperto de Lucy era forte demais.Assim que chegaram à sala de estar, Lucy empurrou Amora, fazendo-a cair no sofá. Sua respiração estava ofegante, e seu rosto, vermelho de tanta raiva.— Sua vagabunda! — exclamou Lucy com aspereza. — Ah, está sonhando em se tornar a senhora Caldwell, é? — Lucy lançou-lhe um sorriso debochado. — Meu marido pode até amar você, Elisha, mas não vou permitir que uma prostituta como você entre na
Kelly já estava internada no hospital havia cinco dias. Os ferimentos em seu corpo começavam a cicatrizar, mas sua memória ainda não havia retornado completamente. Sempre que perguntavam sobre o que havia acontecido antes de ela desmaiar, a menina permanecia em silêncio, olhando para o vazio, como se estivesse procurando os fragmentos de memória que haviam desaparecido de sua mente.Hoje, finalmente, o médico autorizou Kelly a voltar para casa.— No entanto, lembrem-se — advertiu o médico, olhando alternadamente para Vicktor e Elisha. — Não exerçam nenhum tipo de pressão sobre ela. Deixem-na tranquila. A memória voltará por si só, mas, se forçada, a situação pode piorar.Vicktor assentiu devagar.— Entendo, doutor.Elisha acariciou suavemente a cabeça de Kelly.— Ouviu, querida? Você pode ir para casa hoje.Um pequeno sorriso surgiu no rosto de Kelly.— Posso ir para a casa da mamãe? — perguntou ela inocentemente.A pergunta fez o peito de Vicktor apertar de imediato. Ele olhou para A
Vicktor olhou para o celular sobre a mesa. Desde que Kelly começara a chorar à procura da “mamãe”, o ambiente no quarto não tinha ficado tranquilo nem por um instante. Lucy ainda estava do lado de fora, andando de um lado para o outro com uma expressão irritada, enquanto Kelly continuava chamando por “mamãe” em meio ao choro.Por fim, respirando fundo e com o coração indeciso, Vicktor abriu os contatos e tocou no nome de Elisha.O telefone chamou algumas vezes antes que a voz suave da mulher atendesse.— Vick? O que aconteceu?— Kelly... ela está procurando por você, El. — A voz de Vicktor soou pesada. — Ela não quer comer, não quer falar e até está rejeitando Lucy. Eu não sei o que fazer.Houve um breve silêncio do outro lado da linha quando Amora ouviu o choro da menina. Então, Amora perguntou baixinho:— Vick, por que a Kelly está chorando?— Porque ela está procurando pela mãe — respondeu Vicktor, abatido. — E a mãe a que ela se refere... é a mulher que ficou com ela ontem à noite
A enfermeira entrou com passos leves, trazendo uma bandeja com uma refeição saudável para o novo quarto onde Kelly estava sendo tratada. O aroma da sopa quente logo preencheu o ambiente, suave e reconfortante.— Está na hora de comer, querida — disse a enfermeira, colocando a bandeja sobre a pequena mesa.Vicktor imediatamente se levantou e pegou a bandeja. Ele sorriu ternamente para a filha.— Vamos, Kelly. A sopa ainda está quentinha.No entanto, Kelly balançou a cabeça rapidamente, fazendo um pequeno bico manhoso.— Papai... eu quero que a mamãe me dê comida — resmungou baixinho.Suas palavras fizeram o ambiente ficar em silêncio de imediato. Vicktor ficou imóvel e olhou para Elisha, que estava sentada ao lado da cama. Havia um constrangimento difícil de explicar, uma mistura de culpa e confusão.— Kelly, deixe o papai te dar comida, está bem? Enquanto isso, podemos conversar. — Vicktor tentou acalmá-la, mas Kelly apenas o encarou com os olhos marejados.— Não quero! — exclamou Kel







