Se connecterNaquela manhã, a luz do sol atravessava suavemente as grandes janelas da sala de jantar da pequena família de Vicktor. O aroma de torradas e café preto preenchia o ambiente, mas a atmosfera à mesa estava rígida e fria. Lucy estava sentada na extremidade da mesa, tentando conter a ansiedade enquanto observava Kelly, que parecia sem apetite e mal tocava no café da manhã.Vicktor continuava trancado no escritório. Desde a noite anterior, o homem quase não havia falado. Lucy sabia que, se o pressionasse, a raiva de Vicktor poderia explodir a qualquer momento. Por isso, preferiu permanecer em silêncio, tentando manter a calma, como se estivesse tudo bem.— Beba logo o leite, Kelly — disse Lucy em um tom ligeiramente ríspido, olhando para a filha, que apenas mexia o cereal com a colher.Kelly olhou para a mãe com uma expressão inocente.— Mamãe, por que você está sempre brava comigo? A tia Elisha não é assim. Ela fala tão baixinho...As palavras fizeram Lucy ficar atônita por um instante. E
— Vick, pare. Eu consigo fazer isso sozinha — disse Amora baixinho, segurando a mão de Vicktor, que ainda tentava limpar com um lenço a mancha laranja em seu vestido. Sua voz era suave, mas firme o suficiente.— Elisha, eu... sinto muito — disse Vicktor em voz baixa, abaixando a cabeça, arrependido. — Eu não imaginava que Lucy chegaria a esse ponto.— Já chega... — Amora respirou fundo, tentando conter o sorriso astuto que quase surgiu em seus lábios. — Veja, todos estão olhando para nós. Leve Lucy e Kelly para casa rapidamente. Eu consigo ficar bem sozinha.Seu tom soava como se estivesse preocupada.— Você precisa preservar sua dignidade como um grande CEO, Vick.Vicktor ficou olhando para ela em silêncio. Em meio ao caos e à raiva que ainda pairavam no ar do restaurante, aquela garota era a única que permanecia calma. Ela parecia tão madura, adulta e compreensiva — algo que Vicktor já não encontrava em Lucy.Não sabia desde quando, mas Vicktor começara a sentir que... era valorizad
Amora estava parada diante da porta daquela sala, com a respiração trêmula. Do outro lado do vidro, conseguia ver Lucy gritando histericamente, debatendo-se como alguém que havia perdido completamente o controle. Mas, dessa vez, Amora não recuou. Em vez disso, ergueu o queixo e criou coragem para entrar.— Lucy — chamou Amora baixinho, com a voz trêmula, mas firme.Assim que a viu, Lucy lançou-lhe um olhar feroz, os olhos ardendo de raiva.— Isso tudo só pode ser obra sua, Elisha! Você colocou meu marido contra mim de propósito para que ele me trouxesse para este lugar maldito! — gritou ela em um tom estridente, fazendo todos na sala se virarem para olhar.— Acalme-se, Lucy. — Amora tentou manter a voz suave, demonstrando compaixão. — Vicktor só quer que você melhore logo.— Melhorar? — Lucy a encarou furiosa. — Eu não estou doente! Estou perfeitamente bem! Você é a louca, Elisha! Fique longe do meu marido...!A mulher voltou a se debater violentamente, tentando se soltar das mãos dos
Amora levantou-se por reflexo, seu corpo ficando tenso.— Vick, o que aconteceu? — perguntou ansiosa ao ver a expressão do homem mudar drasticamente.Vicktor virou-se rapidamente, com o rosto pálido e cheio de preocupação.— Lucy... Não sei o que aconteceu, mas Kelly disse que ela precisa de ajuda. Preciso voltar para casa imediatamente!Sem pensar duas vezes, o homem pegou as chaves do carro sobre a mesa.— El, vamos, rápido! — disse ele, apressado.Amora apenas assentiu e se despediu da mãe Bella, que ainda estava parada perto da sala de estar. No fundo, Amora sabia que algo grande estava prestes a acontecer.O carro arrancou rapidamente, deixando o quintal daquela casa para trás. A mãe Bella observou os dois se afastarem da soleira da porta enquanto soltava um suspiro pesado.— Lucy... Lucy, sua vida está sempre cheia de dramas — murmurou friamente, ligeiramente irritada.Ela não demonstrava a menor preocupação, embora Vicktor tivesse acabado de lhe dizer que sua esposa estava em p
O carro preto seguia pelas ruas da manhã, que começavam a ficar movimentadas. Do outro lado da janela, Amora permanecia em silêncio, apenas observando o céu claro. Seu rosto parecia tenso, diferente de como costumava ser, sempre cheio de risadas e pequenos comentários quando estava com Vicktor. Suas mãos brincavam inquietamente com a ponta da jaqueta, como se tentasse acalmar algo que fervilhava em sua mente.Enquanto isso, Vicktor segurava o volante tranquilamente. De vez em quando, lançava um olhar furtivo para a garota. Um leve sorriso surgiu em seu rosto ao ver a expressão tão séria de Elisha.— El, por que você está tão tensa hoje? — perguntou Vicktor, com a voz baixa, mas o suficiente para quebrar o silêncio. — Você se sente desconfortável em sair comigo?Amora virou o rosto por um instante, depois voltou a olhar pela janela.— Vick, para onde estamos indo, afinal? — perguntou ela, desconfiada. — Você não está realmente querendo me levar ao escritório da embaixada, está? Você nã
Vicktor caminhou lentamente até o quintal dos fundos da casa. O ar da tarde estava úmido. Seus olhos percorreram o local, procurando pela esposa, que não era vista havia alguns minutos.— Lucy... onde você está? — chamou, elevando um pouco a voz.Silêncio. Não houve resposta, apenas o vento balançando as folhas. Vicktor suspirou, irritado, e avançou mais para dentro do jardim, aproximando-se dos arbustos densos que se espalhavam ao longo da cerca.De repente—— Vick... me ajude... — aquela voz fraca fez seu coração disparar.— Lucy? — gritou ele, correndo em sua direção.Ele viu o corpo de Lucy preso atrás dos arbustos, parcialmente coberto por galhos e folhas molhadas. Rapidamente, Vicktor segurou a cintura da esposa, puxou-a para fora e a ajudou a ficar de pé.— Lucy, o que você está fazendo aqui? — perguntou, incrédulo.Ele bateu de leve na roupa de Lucy, limpando as folhas e a terra grudadas em seu rosto.— Eu... eu vi aquele homem misterioso de novo, Vick! Eu quase consegui pegá-







