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CAPÍTULO 72

Author: Sol Rodrigues
last update publish date: 2026-09-07 02:11:22

Eu queria acreditar que aquela seria a última vez que o passado colocaria os pés sujos em nossas vidas.

Depois de tudo o que havia acontecido naquele dia, depois de ter atravessado a cidade para encarar o homem que havia vendido a própria filha e ainda encontrava coragem para ameaçá-la, eu precisava acreditar que finalmente havia deixado aquela parte da história para trás, porque era assim que eu queria seguir em frente, sem precisar olhar por cima do ombro a cada cinco minutos, sem precisar im
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  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 167

    Eu e Bruna recebemos alta dois dias depois do incêndio. Nosso corpo ainda carregava as consequências da fumaça, e eu precisava de cuidados por causa da gravidez, mas não havia nada que me fizesse permanecer longe daquele hospital. Todos os dias estávamos lá, sentadas perto uma da outra, esperando notícias, perguntando aos médicos sobre os exames e tentando acreditar que Bárbara abriria os olhos.Bruna quase não falava. Às vezes, ficava olhando para as próprias mãos, outras vezes encostava a cabeça no meu ombro e fechava os olhos. Eu sabia que ela estava sofrendo tanto quanto eu, talvez até mais, porque as duas haviam dividido uma vida inteira, e agora precisávamos aprender a imaginar o futuro sem a presença da pessoa que sempre esteve entre nós.Thomas tentava cuidar de tudo. Cuidava de mim, acompanhava Bruna, conversava com os médicos e resolvia as questões que surgiam depois do incêndio. Eu via o cansaço no rosto dele, a preocupação que tentava esconder e o esforço para não demonstr

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 166

    BIA..CINCO MESES DEPOIS...Yakutsk, na Sibéria, é considerada uma das cidades habitadas mais frias do planeta, um lugar onde o inverno transforma o ar em uma ameaça e a temperatura pode cair tanto que até respirar parece exigir coragem. Dizem que, quando o frio chega ao extremo, as pessoas aprendem a respeitar o silêncio, a permanecer dentro de casa e a não desperdiçar calor com portas abertas. Talvez por isso eu tenha escolhido um lugar assim para desaparecer, embora, no fundo, saiba que não existe temperatura capaz de congelar uma dor que continua queimando por dentro.Daqui, deste quarto escuro, não consigo ouvir nada do lado de fora, apenas eu, minha solidão e o eco do grito que dei cinco meses atrás naquele hospital.Ninguém sabe onde estou. Me tornei uma desaparecida, como se não tivesse sido escolha minha sumir, como se alguém tivesse me arrancado do mundo sem deixar pistas, quando a verdade é que fui eu quem decidiu desaparecer. Eu escolhi não ser encontrada, escolhi n

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 165

    Não queria me sentar, não queria relaxar e muito menos queria ouvir o que ele estava prestes a dizer, embora soubesse que não tinha escolha.— Senhor Thomas, antes de qualquer coisa, preciso explicar a gravidade do quadro dela.— Então explique.Minha voz saiu seca, quase agressiva, mas eu não tinha forças para fingir tranquilidade. O médico abriu a prancheta e consultou algumas informações antes de voltar a me encarar.— Bárbara chegou ao hospital em estado bastante delicado, apresentando comprometimento respiratório importante em decorrência da inalação de fumaça. Nossa equipe iniciou os procedimentos necessários imediatamente, mas, durante o atendimento, ela sofreu 4 paradas cardíacas.Senti o chão desaparecer por alguns segundos.— Quatro?— Sim. Foi necessário iniciar as manobras de reanimação. Conseguimos restabelecer a circulação, mas ela não apresentou uma recuperação respiratória adequada.Olhei para ele sem conseguir compreender como aquelas palavras podiam estar relacionada

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 164

    A pergunta saiu entre soluços, e eu senti um aperto tão forte no peito que precisei controlar a respiração antes de responder. Não queria prometer aquilo que não estava ao meu alcance, mas também não podia deixá-la sozinha naquele estado.— Primeiro preciso que você volte para o quarto, Bruna. — Mas eu já assinei o documento.— Isso não é um problema. Volte para lá e diga que vai ficar. Eu prometo que vou deixar você por dentro de tudo.Ela me encarou por alguns segundos, procurando alguma segurança no meu rosto. Depois, assentiu lentamente. Ajudei ela a se levantar e caminhei com ela de volta, mantendo uma das mãos em suas costas para evitar que perdesse o equilíbrio. No caminho, ela não disse mais nada, apenas enxugou as lágrimas com as costas das mãos.Quando chegamos à sala de observação, a enfermeira que havia tentado contê-la nos recebeu com uma expressão de reprovação, mas não fez comentários. Ajudei Bruna a se acomodar na cama e esperei até que estivesse confortável.— Não sa

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 163

    Bruna desconectou todos os acessos, quando olhei para trás, vi a enfermeira tentando a todo custo fazer ela voltar para o quarto. Os olhos da minha cunhada eram de puro pavor, e eu não precisava perguntar o motivo para entender que ela havia chegado à mesma conclusão que eu, se os médicos estavam correndo daquela maneira, se uma sirene havia sido acionada e se alguém gritou que era uma das irmãs, então havia uma possibilidade terrível de que Bárbara estivesse lutando pela própria vida, pensei na Bia, mas a possibilidade de ser ela, era mínima.— ME SOLTA!Ela gritou, mas a enfermeira continuou insistindo para que voltasse ao quarto.— Deixe ela vir.A profissional virou o rosto na minha direção, visivelmente contrariada.— Sr. Thomas, ela ainda está muito fraca.— Ela já é adulta e responsável por si mesma. Se ela não quer ficar no quarto, então a solte.— Então ela terá que assinar um documento se responsabilizando por qualquer intercorrência.— Eu assino qualquer coisa.Bruna respon

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 162

    Agora me lembrava de tudo, e isso tornava ainda mais doloroso perceber o que havia feito com ela.— Ela já sabe?Bruna perguntou, afastando o rosto para me olhar.— Não. Eu ainda não tive coragem de ir até lá, antes preferi vir aqui falar com você— O que houve? Eu sei que elas estão aqui por causa do incêndio, mas estão bem né?Ela percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada. O sorriso que tinha surgido quando descobriu que eu havia recuperado a memória desapareceu aos poucos, dando lugar à preocupação.Olhei para o médico, que nos observava com compaixão, e ele pareceu compreender que precisávamos conversar.— Vou deixar vocês conversarem a sós. Estarei na minha sala caso precisem de mim.Assenti, agradecendo silenciosamente, e esperei até que ele se retirasse. Só então voltei minha atenção para Bruna, que continuava me encarando, esperando uma resposta. Respirei fundo, mas nenhuma palavra parecia adequada para começar aquela conversa.Eu tive uma das piores sensações da mi

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