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a caminho da sentença

Author: Stela
last update publish date: 2026-09-11 20:46:13
Ao chegarmos, desci do carro e encarei cada detalhe daquela fachada imponente. Fazia exatos doze anos que eu não pisava ali. No instante em que meu pé tocou o chão de pedra da entrada, o caos se instalou na minha cabeça, a ansiedade ameaçando me trair. Não posso desistir aqui, pensei, forçando os dedos a girarem a maçaneta pesada, enquanto vovó vinha logo atrás, com passos firmes.

​A porta se abriu revelando o hall e, logo na sala de estar, uma silhueta familiar já me aguardava. Eu sabia que e
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  • Vingança, Um Casamento, Uma promessa, Um preço.    Convidada Surpresa

    ​O jantar havia terminado, mas um assunto pendente ainda exigia minha atenção. Eu precisava de uma conversa com Augusto, a sós. As buscas na internet haviam se mostrado inúteis; o rastro digital dele resumia-se a uma vitrine impenetrável de jantares sociais ao lado de Amanda, compromissos corporativos e noitadas com amigos — um verniz cuidadosamente polido que não revelava absolutamente nada da sua verdadeira essência. ​Aquela opacidade martelava minha mente enquanto a noite avançava. A engrenagem da vingança continuava girando em segundo plano, mas o planejamento meticuloso perdia espaço para uma obsessão inesperada com Augusto. Eu me pegava tentando decifrar o que passava por aquela cabeça fria e calculista. Mais do que respostas, eu queria saber se ele estava consumido por mim da mesma forma, se o meu rastro o perturbava tanto quanto a imagem dele me atormentava. Pouco importava se o sentimento do outro lado era ódio ou rancor; o que me consumia era a urgência de saber se eu ocup

  • Vingança, Um Casamento, Uma promessa, Um preço.    Sentença perpétua

    Faltando dez minutos para o jantar, o som seco das batidas da vovó na madeira da porta ecoou pelo quarto, anunciando que o tempo de respiro havia acabado. Andei o corredor ao lado dela, sentindo o tecido do meu vestido longo e contando cada degrau de mármore amenizando o nervosismo. Na curva da escada, inclinei o olhar para o hall inferior. Augusto e Victor conversavam em tons baixos, imersos em uma tensão. O silêncio que se instalou assim que pusemos os pés no piso inferior era denso, pesado o suficiente para comprimir o peito, nós cumprimentamos e a tensão quebrada segundos depois apenas pelo clique dos saltos caros da namorada de Lionel. Lionel trazia nos lábios finos um sorriso de canto, a expressão arrogante de quem acreditava que a partida já estava ganha nos bastidores. Endrick desceu logo em seguida, atravessando o salão a passos firmes direto até mim, envolvendo-me em um abraço rápido e caloroso. ​— Amélie, me desculpe pelo sumiço — murmurou ele, o perfume amadeirado contra

  • Vingança, Um Casamento, Uma promessa, Um preço.    a caminho da sentença

    Ao chegarmos, desci do carro e encarei cada detalhe daquela fachada imponente. Fazia exatos doze anos que eu não pisava ali. No instante em que meu pé tocou o chão de pedra da entrada, o caos se instalou na minha cabeça, a ansiedade ameaçando me trair. Não posso desistir aqui, pensei, forçando os dedos a girarem a maçaneta pesada, enquanto vovó vinha logo atrás, com passos firmes. ​A porta se abriu revelando o hall e, logo na sala de estar, uma silhueta familiar já me aguardava. Eu sabia que ela não perderia a oportunidade; Evelyn estaria ali, postada como a jogadora mais suja do tabuleiro, pronta para tentar me intimidar. A sensação de que ela havia tirado minha mãe de cena parecia pulsar no meu sangue como um instinto de sobrevivência. Vovó me puxou de leve pelo braço, tentando criar uma barreira física para evitar que Evelyn me atingisse com suas primeiras palavras. ​— Amélie, vamos subir. O seu quarto é do lado do meu, não se preocupe com nada que essa mulher venha falar — murm

  • Vingança, Um Casamento, Uma promessa, Um preço.    Surpresa

    O toque estridente do interfone quebrou o silêncio do apartamento, seguido pela voz de Antônio pelo alto-falante avisando que já aguardava na recepção. Tranquei a porta de casa, passei rapidamente pela portaria e cruzei o saguão em direção à saída, sentindo o peso da decisão que tomaria mais tarde. ​O sedã preto estava estacionado com o pisca-alerta ligado. Abri a porta traseira e entrei, o ar-condicionado gelado batendo no rosto, mas foi a visão da vovó no banco do carona que me deu um nó gelado na garganta e apertou meu estômago instantaneamente; que jogo perigoso ela estava armando desta vez? ​— Vovó? Que surpresa. Achei que a encontraria em casa — disse, a voz saindo um tom acima do normal enquanto eu tentava mascarar a desconfiança. ​— Mudei os planos, minha neta. Vamos almoçar com o Victor primeiro para alinharmos tudo para o jantar de hoje à noite — respondeu ela, puxando-me para um abraço rápido que cheirava a Chanel No. 5. ​Retribuí o abraço com os músculos das costas

  • Vingança, Um Casamento, Uma promessa, Um preço.    provável inimigo

    Olhei para a Amélie ali dormindo; o corpo pesado contra o estofado denunciava o esgotamento das últimas horas. Pensei em levá-la para o quarto, mas hesitei por um momento. Conhecia cada centímetro daquela cobertura — os corredores, a vista, o frio do piso — de todas as vezes em que estivera ali com a Amanda. Ainda assim, a atmosfera era outra. Amélie havia recolocado as fotografias antigas nos lugares de origem e trocado as fechaduras com uma precisão cirúrgica que não deixava dúvidas: o apartamento pertencia a ela de direito. Amanda mentira descaradamente sobre a propriedade do imóvel, mas a teia de farsas era densa demais para ser desatada ali, na madrugada. O casamento arranjado não passava de uma fachada frágil. Eu pretendia desenterrar cada segredo, e jurei a mim mesmo que não haveria perdão para quem estivesse mentindo, nem a morte me faria perdoar. ​Com cuidado para não acordá-la, peguei Amélie nos braços e a acomodei na cama. O relógio marcava quase 4h da manhã. Disquei rapi

  • Vingança, Um Casamento, Uma promessa, Um preço.    Procurando Brechas

    Chegando à portaria do edifício, saí do carro para resolver a liberação da vaga enquanto o Augusto estacionava. O porteiro franziu o cenho, confuso com o meu pedido. ​— A senhora tem certeza? Essa vaga costuma ficar vazia, mas... ​— Pode liberar, por favor — respondi, sem paciência para explicar que eu mal havia desembarcado de um voo internacional e que a última coisa na minha cabeça era comprar um carro em São Paulo, muito menos atravessar o Atlântico para buscar o meu nos Estados Unidos. ​Agradeci rapidamente e encontrei o Augusto na entrada do saguão. ​— Tudo certo? — perguntou ele, girando as chaves entre os dedos. ​— Tudo. Vamos? ​Subimos em silêncio. Ao cruzarmos a porta da cobertura, a vista panorâmica da cidade me paralisou por um instante. O mar de luzes dos prédios cortava a neblina densa da noite paulistana. Fazia mais de uma década que eu não pisava ali; a última vez, eu era apenas uma criança de dez anos. Agora, aos vinte e dois, o peso daquela ausência materializa

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