LOGINEnquanto os colegas comemoravam na sala de reuniões, Daniela saiu para tomar um pouco de ar. O celular tocou. Era Leonor ligando.— Daniela! Parabéns! Vi você no noticiário!Daniela sorriu e respondeu:— Obrigada.— Já falei que não precisa ser tão formal comigo. — A voz de Leonor estava animada. — Aliás, você está livre no fim de semana? Quero pagar um café para você.— Estou. Vai levar seu namorado?Leonor fez uma pausa antes de rir:— Como você descobriu?— Aquele buquê que você postou. Dava para perceber de cara que não tinha sido você quem comprou.— Você não deixa passar nada mesmo. — Leonor riu. — Está bem, vou levá-lo. Assim você pode dar seu veredito.No fim de semana, o dia amanheceu ensolarado. Quando Daniela chegou à cafeteria, Leonor já estava lá, sentada ao lado de um homem de aparência gentil e elegante.— Daniela! — Leonor acenou. — Este é Samuel Freitas. Samuel, esta é Daniela, minha irmã mais nova.Samuel se levantou e estendeu a mão, sorrindo:— Oi. A Leonor fala mui
E ele culpou Daniela por tudo. Se divorciou dela, a perseguiu, fez com que ela saísse daquele casamento de mãos vazias e ainda a impediu de conseguir qualquer emprego.Ela morreu doente em um apartamento alugado, sem ninguém ao seu lado. E a última frase que ouviu antes de morrer foi: "O seu amor me dá nojo."Afonso cobriu o rosto com as duas mãos, tremendo dos pés à cabeça. Ele se lembrava. Se lembrava de tudo.Afonso não dormiu a noite inteira. Assim que amanheceu, pegou o celular e ligou para Daniela.— O número para o qual você ligou não existe.Ele ficou paralisado e tentou novamente. A resposta foi a mesma.Abriu o WhatsApp e mandou uma mensagem para Daniela: [Daniela, preciso falar com você.]A mensagem foi enviada, mas apareceu apenas um tique cinza. Ela o havia bloqueado.Afonso segurava o celular com as mãos trêmulas. Leonor acordou e, ao vê-lo sentado à beira da cama, se assustou com a palidez de seu rosto.— O que foi? — Ela se sentou. — Teve um pesadelo?Afonso virou o ros
Os olhos dela brilhavam enquanto sorria. Ela nunca havia sorrido assim para ele. Ou melhor, talvez tivesse, mas ele nunca prestara atenção.Leonor saiu da cozinha e, ao vê-lo ali parado, absorto diante do celular, se aproximou para dar uma olhada.— Daniela postou alguma coisa? Nossa, ela ficou linda com esse casaco.Afonso bloqueou a tela e colocou o celular virado para baixo sobre a mesa.— Sim.Leonor lançou-lhe um olhar, mas não disse nada.À noite, depois que Leonor adormeceu, Afonso ficou sozinho na sala. Pegou o celular e abriu as redes sociais de Daniela.À medida que rolava a tela, só apareciam fotos dela em Londres. A biblioteca, cafés, o rio Tâmisa, o Big Ben...Em todas as fotos, ela sorria, radiante. De vez em quando, aparecia, de costas, um rapaz alto e magro. Devia ser Henrique.Afonso largou o celular e fechou os olhos. Não sabia por quê, mas ultimamente vinha tendo sonhos estranhos.Os sonhos eram confusos. Havia Daniela, Leonor e também um quarto desconhecido.Ele ten
Daniela se aproximou, pegou o porta-joias e o abriu. Dentro, havia um par de brincos de pérola, presente que Afonso lhe dera em seu aniversário de dezoito anos.Ela ficou olhando para os brincos por alguns segundos antes de fechar a caixinha novamente.— Não vai levar isso? — Perguntou Afonso.Daniela balançou a cabeça e respondeu:— Não quero mais.Ela colocou o porta-joias de volta sobre a penteadeira, se virou e saiu.Afonso permaneceu à porta, olhando para o porta-joias. Por algum motivo, teve a estranha sensação de que aqueles brincos, abandonados no quarto vazio, o encaravam.— Afonso! — Chamou Daniela lá de baixo. — Estou indo.Ele desceu. Daniela estava à porta, com a luz do sol às costas, delineando sua silhueta com um halo dourado.Vestia uma camiseta branca e uma calça jeans, com os cabelos presos em um rabo de cavalo. Estava simples, mas impecável.— Obrigada por ter cuidado de mim durante todo esse tempo. — Ela sorriu. — Leonor ainda não se recuperou completamente. Cuide b
Os dedos de Afonso se fecharam levemente em torno dos documentos da alta. Ele não disse nada, apenas continuou olhando para Leonor.Leonor ainda sorria e deu algumas palmadinhas no braço dele.— Sua irmã cresceu e já vai ter um namorado. E você, como irmão mais velho, não vai dizer nada?— Hum. — Sua própria voz soou indiferente. — Que bom.Seu olhar passou por Leonor e pousou em Daniela. De cabeça baixa, ela permanecia em silêncio junto à janela, enquanto a luz do sol projetava sua longa sombra no chão.Daniela não olhou para ele. Do começo ao fim, não lhe dirigiu um único olhar.— Primeiro vou levar vocês para casa. — Ele guardou os documentos e passou o braço em torno de Leonor, a conduzindo para fora. — O médico disse que você precisa descansar bastante. Não pode se esforçar demais.Leonor concordou com um sorriso e, se virando, acenou para Daniela:— Daniela, vamos para casa.No carro, Leonor ocupou o banco do passageiro, enquanto Daniela se sentou no banco de trás.Ninguém disse
— Daniela.Parei e me virei para ele.Ele estendeu uma chave para mim:— Comprei um apartamento perto da sua faculdade. Tem dois quartos e uma sala, e já está todo reformado. Você deve se mudar para lá o quanto antes.Fiquei imóvel por um instante, mas logo peguei a chave e assenti:— Está bem.Não fiz nenhuma pergunta, nem hesitei. Afonso me observou, como se tentasse encontrar alguma reação em meu rosto, mas eu apenas guardei a chave com tranquilidade e subi.No dia seguinte, comecei a arrumar minhas coisas. Pretendia doar a maior parte delas ou simplesmente jogá-las fora.No apartamento novo, eu compraria tudo de novo e começaria uma nova vida. Eu chegava em casa cada vez mais tarde e quase nunca me sentava à mesa na hora das refeições.A cada dia, havia menos coisas no meu quarto. A estante ficou vazia, o guarda-roupa também, e sobre a penteadeira restava apenas uma solitária caixa de joias.Naquela noite, só cheguei em casa depois das dez. Afonso estava sentado no sofá da sala, no







