LOGIN"Valentina"Enquanto eu atravessava o corredor com passos largos, eu já montava todo o plano na minha cabeça, eu daria uma lição na girafa oferecida e na perua alcoviteira. Eu até pensei em ligar para o Fausto, mas o coitado precisava dormir e talvez eu não precisasse do meu segurança favorito afinal. Então, a minha primeira ligação foi para o número do Murilo Dornelles e ele atendeu no segundo toque.- Tininha, diz pra mim que as coisas estão bem. Meu amigo estava sofrendo quando me ligou. - O Murilo tinha uma pitada de humor na voz.- Seu amigo foi um banana ontem, Dornelles. - Eu suspirei. - Mas, sim, ele é um safado convincente. E você, deixou a Tati em segurança em casa ontem?- A Morena? Ela ficou muito segura no meu quarto de hóspedes. - No seu quarto de hóspedes outra vez, Dornelles? - O que eu posso dizer? Nós nos tornamos bons amigos. Ela vai passar o domingo na minha adorável companhia jogando "War", da última vez ela ganhou, mas hoje é a minha revanche. E mais tarde nós
"Valentina"O Dante entrelaçou os seus dedos nos meus e beijou a minha aliança, carimbando o voto de fidelidade com uma seriedade tão característica dele. Ele olhou bem dentro dos meus olhos para que eu pudesse ver a sinceridade do que ele me dizia, como se seus olhos fossem janelas abertas para um jardim particular.- Você tem a minha palavra de que mulher nenhuma vai se aproximar ou tocar o seu marido, Encrenca. - O meu mauricinho declarou devagar. - Eu não sinto absolutamente nada pela Carmela e o que nós tivemos no passado está trancado no passado. A partir de agora, você pode fazer sempre o que achar melhor. Eu não vou te pedir mais para se comportar como o Conselho espera, eu quero que você seja você e não um molde dessas mulheres fúteis e frias que você conheceu no baile ontem. Gerencie as cobras e as oferecidas do seu jeito, e se tiver que quebrá-las ao meio eu vou te apoiar. Mas eu te garanto que o que aconteceu ontem não vai se repetir, ontem eu fui pego de surpresa num mome
"Valentina"O Dante e eu deixamos para trás o quarto de hóspedes e o peso desagradável da noite anterior. Nós voltamos para o quarto que compartilhávamos desde o dia em que cheguei nesta casa e ele me atribuiu um lado na cama. O meu mauricinho estava exausto, mas o brilho dos seus olhos trazia um alívio imenso, deixando claro que ele me queria por perto.Assim que ele trancou a nossa porta, quando ainda estava de costas para mim, eu joguei os documentos que ele me entregou de lado e me aproximei, segurei as lapelas do paletó dele e o puxei para fora do seu corpo, deixando a peça cair no chão. Eu passei os braços pela sua cintura, encostei o meu nariz nas costas do meu marido e inspirei o seu cheiro, ali não tinha traço do perfume da fulaninha. Ele segurou com cuidado as minhas mãos, me prendendo junto a ele. Suas mãos deslizaram carinhosamente pelos meus braços e eu puxei a gravata já desatada do seu pescoço e comecei a desabotoar a camisa devagar. Ele ficou quieto, dando pequenos sus
"Valentina"As palavras do Dante me atingiram em cheio. Eu disse a ele que ele precisaria de mais do que palavras e ele estava ali, me desarmando com duas folhas de papel cheias de palavras e mais aquele seu palavrório doce e cheio de promessas de um futuro. E no meio daquilo tudo ele falou do anel que não estava mais no meu dedo.- Eu já arranquei o anel... - Eu falei com pesar. - E eu vou colocá-lo outra vez no seu dedo se você quiser ficar, porque aquele anel só teve uma dona antes de você, a minha mãe! A Carmela nunca teve aquele anel e eu nunca pensei em dá-lo a ela ou a nenhuma outra mulher. Ontem você já sabia quem era a Carmela, provavelmente ouviu a fofoca de que eu me tornei arrogante, frio e mau humorado depois que ela foi embora, o que é uma mentira. - Você não se tornou arrogante, frio e mau humorado? Conta outra, Montenegro.- Eu não percebi que me tornei arrogante, frio e mau humorado, mas isso não foi por causa da partida dela. Isso foi porque eu estava me preparando
"Valentina"Quando a manhã de domingo nasceu, eu ainda não estava pronta para sair da cama. Depois de deixar do quarto do Dante, eu havia passado o resto da madrugada chorando. Eu não costumava me abalar assim, mas nos últimos meses aconteceram tantas coisas que eu me sentia como se estivesse soterrada. E todos aqueles hormônios por causa da fertilização in vitro estavam me deixando num carrossel de emoções que eu tentava equilibrar. No entanto, a noite passada foi a gota d'água. Eu ainda remoía a dor de ver a Carmela Malta rindo colada ao peito do meu marido na pista de dança como um soco no estômago. Então eu fechei os meus olhos e deixei o sono me abraçar outra vez.Acordei com o peito um pouco mais leve, mas com a cabeça dando voltas em tudo o que tinha acontecido e o que eu ouvi do Dante. Ele disse que era louco por mim e eu não podia mesmo negar que havia tesão entre nós, mas e se fosse só isso? E ainda tinha o ciúme, que ele deixou bem claro na noite passada, mas isso podia se
"Dante"Ouvir aquelas palavras saírem da boca da Valentina com uma crueza mundana e uma dor escancarada cortou o clima de cobranças e irritação e fez o meu mundo inteiro desabar. Meu coração se retorceu no meu peito e o meu rosto despencou da fúria possessiva do ciúme que me agitava para o mais puro, visceral e descontrolado desespero. Eu estremeci e as minhas mãos tremeram levemente diante do pânico real de perdê-la. Aquilo era tudo que eu não queria, que ela se sentisse um meio para um fim, unicamente parte de um plano de sucessão, pois embora no início tenha sido isso, há algum tempo já não era mais. Eu senti o meu peito esmagado por um soco de realidade que me tirou o fôlego e me fez oscilar.“Eu sou apenas uma peça utilitária temporária desse casamento de fachada! Um escudo contra os encostados da sua família e um útero de aluguel para gerar o seu herdeiro legítimo...” As palavras dela eram duras e não poderiam ser mais equivocadas, mas elas ecoavam nas paredes como um liquidif







