Mesmo tomado pela raiva, ele sempre se continha. Engolia tudo em silêncio, sem reagir, sem sequer revidar.Nuno recebeu uma educação rígida desde pequeno. Sempre educado, sempre correto com todos — o completo oposto dela.Se fosse Mafalda, não importava se estava certa ou errada. Discussão era pra ganhar. Se alguém a irritava, mesmo sem razão, ela fazia barulho até o fim.Por isso, quando criança, Nuno era alvo fácil. Levava vantagem quem quisesse, sofria provocações sem saber como reagir.Foi assim que se conheceram.Naquela época, o olhar que Nuno lançava para ela parecia o de alguém diante de um salvador, uma admiração cega, quase devota.— Nuno, para com essa hipocrisia. — Mafalda falou com frieza. — Na minha frente, você não precisa bancar o bonzinho.Ela não conseguiu se soltar. Forçou a garganta, engolindo o desconforto, e continuou:— Isso é entre mim e a senhorita Márcia.Os olhos de Márcia se avermelharam.— Nuno, ela nem te agradece. — A voz veio ácida. — Te usou, te descart
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