Na cama, Maia encarava o teto sem piscar. Na cabeça dela, a frase de Rui ecoava sem parar:"O filho do Sr. Fabiano com a Sra. Ivone."As palavras rodavam como um feitiço, repetindo sem trégua, até virarem, na mente dela, um verme fino e comprido que saía pela cabeça e voltava para o corpo, correndo pelo sangue até chegar ao coração, onde começava a se contorcer feito louco.Mesmo que, em teoria, os nervos de dor dela já quase não respondessem mais, por que, então, aquela pontada súbita no peito fazia Maia sentir que preferia morrer a aguentar aquilo?Maia tinha se esgotado inteira para envenenar Ivone. Aquele bebê, sem batimentos cardíacos, tinha sido tirado à força do ventre de Ivone. Como podia estar vivo?"Se o bebê está vivo, por que Ivone sofre daquele jeito? Então o que Rui falou é mentira. Ele disse aquilo de propósito, só para me torturar."Não se sabia quanto tempo havia se passado.Nesse meio-tempo, médicos e enfermeiras tinham entrado para trocar curativos, fazer exames. Qua
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