Lívia nunca teve medo de portas fechadas. Mas naquele dia… ela estava ficando sem opções. O envelope sobre a cama parecia pequeno demais para carregar tanto peso. Ainda assim, era tudo o que ela tinha. Ela abriu, espalhou o dinheiro sobre o colchão e contou mais uma vez. Depois outra. E mais uma. Como se, por insistência, os números pudessem mudar. Mas não mudaram. Pouco. Muito pouco. Lívia soltou o ar devagar, apoiando as mãos ao lado do corpo. O quarto da pensão era simples — pequeno, silencioso, quase vazio. Ainda assim, era limpo. E isso já era mais do que ela tivera em muitos momentos da vida. Seu olhar percorreu o espaço: a janela estreita, as cortinas desbotadas, a cômoda antiga… e a cama onde vinha dormindo nas últimas três semanas. Três semanas. Era só isso que separava sua vida de antes… da que tinha agora. Antes, havia um lugar. Agora… só incerteza. O orfanato Lar Santa Esperança. O nome veio à sua mente como um sussurro antigo, carregado de
Last Updated : 2026-02-16 Read more