O silêncio durou três segundos. Eu contei.Antônio atravessou a sala devagar, sem fazer barulho nenhum, como quem entra num lugar sagrado. Parou diante do sofá e, por um instante, olhou só pra mãe, o rosto dela largado de sono no meu ombro, a echarpe azul subindo e descendo com a respiração. O rosto dele, antes tenso, foi suavizando ao ver a mãe dormindo profundamente, e ele acabou abrindo um sorriso discreto, olhando pra ela.Ele apoiou um joelho no tapete e beijou a testa da Helena, demorado.— Mãe — chamou, baixinho. — Mãe, sou eu.Ela abriu os olhos devagar, piscou, e o sorriso dela nasceu antes mesmo de entender onde estava.— Antônio — murmurou, a voz enrolada de sono. — Você veio.— Vim buscar a Angélica. — Ele passou a mão no pouco cabelo dela com um carinho que parecia de outra pessoa. — A senhora dormiu bastante?— Um pouquinho. Estava tão bom aqui, com ela.Os olhos dela subiram pro meu rosto, e eu vi, na velocidade de um pestanejo, tudo o que ela não disse: o anel, o filho
Last Updated : 2026-10-13 Read more