Voltamos pra casa da Camila ainda rindo, e assim que passamos pelo portão ela me puxou escada acima, duas em duas, animada como se aquilo fosse a melhor brincadeira do mundo. Sentamos no chão do quarto dela, as pedras entre a gente, um bloquinho de papel vermelho-sangue que ela desencavou de uma gaveta cheia de material de artesanato, e ficamos ali, encarando aquele papel em branco como se ele fosse resolver tudo sozinho.— Que tal "Pedra vai, pedra vem, quem ri por último ri melhor"? — sugeriu Camila, toda orgulhosa da própria rima.Ri, balançando a cabeça.— Quê? De jeito nenhum! — falei, dando risada.— Tá, tá — ela ergueu as mãos, rendida, mas ainda sorrindo. — Então inventa você, gênia.Pensei um instante, girando a caneta entre os dedos, até que as palavras simplesmente se organizaram sozinhas na minha cabeça.— "Uma pedra para lembrar que toda queda deixa marcas" — falei, devagar, testando o peso de cada palavra em voz alta.Camila ficou séria de repente, os olhos arregalando d
Last Updated : 2026-10-01 Read more