Alessandro ficou alguns segundos olhando para a carta nas próprias mãos, como se ainda pudesse sentir o peso da caligrafia de Lorenzo Rossi impregnado no papel.As palavras continuavam ali, mesmo depois de lidas: "erro" , "insulto vivo", "o filho pagará". Cada uma delas parecia ter um peso físico. Ele as relera três vezes no silêncio do escritório e, ainda assim, a fúria não diminuíra. Apenas se condensara, ficando mais fria, mais precisa, mais perigosa. O amanhecer no píer — o cheiro de rio, a memória da mãe, a promessa de histórias novas — ainda estava colado na pele dele e na de Isabella. Agora aquele momento parecia pertencer a outra vida, uma vida que Lorenzo acabara de tentar envenenar com tinta e ameaça.Alessandro caminhou até a mesa grande de carvalho. Os passos ecoaram no assoalho de madeira. Abriu a segunda gaveta com um movimento preciso, quase cerimonial, e retirou um isqueiro de metal pesado, antigo, do tipo que se herda junto com o sobrenome e com as dívidas de sangue.
Terakhir Diperbarui : 2026-09-27 Baca selengkapnya