CAPÍTULO 25 — A ESTRADA PARA O PASSADO Helena O motor do SUV urrava na pista escura, engolindo os quilômetros de asfalto esburacado que nos levavam para longe da casa da minha mãe. A luz dos faróis cortava a neblina densa da madrugada rural. No banco de trás, o silêncio era interrompido apenas pelo soluçar baixo e compassado da minha mãe, Lúcia. Eu olhava pela janela, vendo a sombra das árvores passarem como fantasmas. Em minhas mãos, a pasta preta e a chave pesada com a gravação MARTINS pareciam queimar a minha pele. Dona de tudo. As palavras do meu pai ainda ecoavam na minha mente, pesadas demais para absorver de uma vez. Seis anos vivendo sob o teto dos Almeida, sentindo que devia gratidão por ter sido acolhida após a morte do meu avô, para descobrir que eu era a peça principal de um jogo bilionário. Pelo retrovisor interno, cruzei o olhar com Rafael. Ele estava no banco do carona, com o perfil rígido e a mandíbula travada. A mão dele repousava sobre o painel, pronta para reag
Last Updated : 2026-09-15 Read more