CAPÍTULO 35 — O DESABAMENTO DO IMPÉRIO DE VIDRO Helena O silêncio que se instalou na sala de reuniões após a saída de Arthur Sterling não tinha nada a ver com o vazio. Era um silêncio denso, pesado, impregnado pelo cheiro de café frio e pelo suor frio do desespero corporativo. Otávio Almeida continuava com as palmas das mãos cravadas sobre a madeira escura da mesa de mogno. O homem que, até vinte e quatro horas antes, ditava as regras do mercado financeiro da capital com um estalar de dedos, parecia ter encolhido dentro do próprio terno de grife. Os ombros curvados, a respiração sôfrega e o tremor visível nos nós dos dedos revelavam a fragilidade de um império construído sobre fundações de mentira, chantagem e sangue. — Você... você não tem ideia do que acabou de fazer, Helena — a voz de Otávio saiu num sussurro rasgado, falho, perdendo toda a empáfia que o caracterizava. Ele ergueu o rosto, os olhos injetados de sangue cravados em mim com uma mistura patética de ódio e pavor. — S
Last Updated : 2026-09-19 Read more