CAPÍTULO 66 — O VENENO DA LIBERDADE Helena A subida da ravina foi um teste de resistência humana que parecia não ter fim. O lodo escorregadio, as pedras soltas e a chuva implacável tentavam sugar nossos passos a cada centímetro. Rafael estava semiconsciente; o peso do corpo dele quase me arrastava morro abaixo, mas eu fincava as botas na terra encharcada, recusando-me a soltar. — Só mais um pouco, Rafael... olha para mim, não fecha os olhos! — eu repetia em um sussurro rouco, enquanto meu peito ardia pela falta de ar. Camila surgiu no topo da ribanceira, descendo os últimos metros com uma corda de reboque amarrada ao para-choque do utilitário. Com a ajuda dela, puxamos Rafael até o acostamento. Colocamos o corpo dele no banco traseiro, forrado às pressas com uma lona plástica. Ele respirava em estertores curtos, o rosto cinzento e os lábios desprovidos de qualquer vestígio de cor. — Ele não aguenta outra hemorragia, Helena — disse Camila, tomando o pulso fraco dele e jogando sobr
Last Updated : 2026-10-03 Read more